A internet parecer ter se tornado a principal aliada na informação relativa ao surto da gripe suína. No entanto, é preciso tomar cuidado com o que é lido e onde é lido. Especialistas alertam que a informação abundante nem sem prevem de fontes confiáveis e o que deveria servir para ajudar pode acabar gerando pânico na população.Além disso, eles defendem que os dados não são suficientes para o tratamento e o acompanhamento médico é essencial.
Basta um simples clique. No mesmo instante, 7,710 milhões de sites fornecem informações sobre a gripe suína no Google. A maioria, no entanto, apresenta dados confusos ou trocados, diagnósticos e tratamentos infundados, sem qualquer tipo de credibilidade. O resultado fica ainda maior quando a busca é por H1N1. São 49,400 milhões de endereços, onde a palavra está presente em 887 mil domínios. No twitter (rede social que permite aos usuários que enviem e leiam atualizações pessoais de outros contatos em textos de até 140 caracteres) são cerca de 20 perfis criados sobre a gripe suína e quase cem que levam H1N1 no nome. Diante dos números, como filtrar o que está correto? Como ter um olhar crítico e balancear a informação? Afinal, quais os grandes perigos da automedicação?
Segundo o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), é necessário balancear tudo o que é lido. “Os veículos de comunicação são essenciais na divulgação da informação, no papel de esclarecer a população”, afirma. “A internet propicia um crescimento da fonte de informação”, alega. Mas, segundo o professor, da mesma forma que os dados ficam mais abundantes, textos e fontes não confiáveis aparecem com a mesma rapidez.
Critério é fundamental
“Muita gente que cria blog ou site não tem tanto compromisso com a verdade. Muitos querem apenas colocar algo na rede”, afirma a professora do Departamento de Ciência da Informação da UnB, Ilza Leite Lopes. Segundo ela, é papel da pessoa que comunica se preocupar com a informação que divulga, já que o que é disponibilizado na internet atinge todos os públicos.
Segundo a professora, a maioria dos internautas não conhece muitos requisitos para apurar a melhor informação.”Muita gente acredita no primeiro dado que encontra”, ressalta.
No entanto, ela alerta para o grande número de contradições e dados sem base na rede. “A internet é uma terra de ninguém”, defende. A professora reforça a importância de uma busca criteriosa. E dá a dica: “Na área de saúde, é essencial que a fonte seja confiável, que tenha referência a uma tese ou a um artigo científico”.
A professora da Faculdade de Saúde da UnB e coordenadora de uma das unidades de pesquisa do Núcleo de Estudos em Saúde Pública, Valéria Mendonça, confirma a necessidade da confiabilidade na fonte dos dados. “É preciso buscar a qualidade, mas não só isso. É preciso estar atento a quem possa tirar as dúvidas em relação àquela informação”, explica.
A professora defende a internet como uma grande prestadora de serviços, mas ressalta: “É preciso procurar o médico de confiança ou postos de saúde para completar a informação.”