Vinícius Borba
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Aúnica Unidade de Pronto Atendimento (UPA) instalada no Distrito Federal sofreu uma interdição ética por parte do Conselho Regional de Medicina (CRM), devido às más condições de trabalho para os médicos. De acordo com Nota de Interdição, o CRM afirma que médicos estariam sobrecarregados, dividindo atividades entre o Hospital Regional de Samambaia (HRSam) e a UPA. A Secretaria de Saúde rebate afirmando que lançou editais para contratação de médicos temporários e realização de parcerias público privadas para a gestão das UPAs. No meio do fogo cruzado, a população pena com a precariedade dos serviços de saúde no DF.
Na manhã de ontem, representantes do CRM estiveram na UPA de Samambaia em visita de fiscalização, quando foi oficializada a Interdição Ética aos médicos da UPA. Trata-se de um instrumento legal do conselho pela falta de respostas do GDF às reclamações oficiais já feitas, pedindo a contratação urgente de médicos para reduzir a sobrecarga de trabalho imposta àqueles médicos que atuam na região. Segundo Assessoria de Imprensa do CRM, muitos médicos do HRSam estariam trabalhando com horas extras excessivas para cumprir a dupla jornada da UPA, o que estaria colocando a vida dos pacientes em risco.
Por volta das 16h, Bárbara Gonçalves, de 27 anos, conseguiu que o filho fosse atendido após cerca de quatro hora e meia de espera. “Depois de duas horas esperando pelo atendimento, com dor de estômago forte, ele me perguntou: Mãe, aqui é 24 horas porque a gente tem de esperar 24 horas para ser atendido?”, revela Bárbara. Ela mal soube o que responder ao filho. A mãe conta, ainda, que testemunhou mais de 30 pacientes serem dispensados devido à falta de médicos, entre as 11h e as 16h, quando deixou o local.
Perplexo, diante da UPA, estava o corretor Luiz Carlos Teixeira, de 60 anos. Ele é hipertenso e sentia fraqueza e dores no braço quando chegou ao local, para receber a notícia de que não haveria atendimento. “Já me informaram que no HRSam também não tem atendimento. Vim para cá dirigindo, mas vou chamar minha esposa pra me levar. Tenho medo do que possa acontecer até eu achar socorro”, afirmou.