Ludmila Rocha e Raphael Costa
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A crise na prestação de serviços básicos continua no Distrito Federal. Ontem, trabalhadores da empresa Valor Ambiental, contratada pelo Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU), suspenderam a coleta de lixo. Eles fecharam os portões de acesso ao local de despejo, no Gama. Do outro lado da cidade, próximo ao Aeroporto Juscelino Kubitschek, funcionários da empresa Trier Engenharia aguardavam uma ordem de serviço da Novacap para voltar ao trabalho. Segundo eles, a estatal não repassa verba à empresa desde julho deste ano. Em função disso, a grama não é podada na região há um mês.
Após o indicativo de paralisação, a Valor Ambiental convocou uma reunião com os prestadores de serviços. “Faz quatro meses que não recebemos um centavo. Há parcelas de caminhões e salários de motoristas atrasados. Eles prometeram nos pagar o valor referente ao mês de agosto até amanhã (hoje). Vamos aguardar, mas caso isso não aconteça, continuaremos parados, pois já tem um mês que eles protelam esse acerto”, conta o empresário Ercílio Souza, que aluga dois caminhões para a empresa.
Souza explica que as prestadoras de serviço são divididas por bacias. “Eu atuo na que abrange Santa Maria, Gama e Recanto das Emas. Cerca de 50 caminhões, de diferentes empresários, atendem essa área. Caso a gente suspenda os serviços, a coleta será afetada”, acredita.
Procurado, o SLU confirmou que o portão de acesso ao local de despejo no Gama permaneceu fechado durante uma hora na manhã de ontem. “A Valor Ambiental já está em negociação com os funcionários terceirizados e a coleta não será interrompida”, afirma.
Aeroporto JK
No Aeroporto JK, 15 funcionários da Trier Engenharia prostetavam contra a falta de pagamento. O encarregado Edilton Nunes destaca que a volta ao trabalho acontecerá depois da determinação oficial. “Ordenaram que voltássemos, mas não temos uma ordem de serviço”, diz.
Segundo o funcionário, a instituição tem se esforçado para cumprir os compromissos. “Apesar de a empresa não receber repasse da Novacap há quatro meses, ela continua nos pagando em dia. Mesmo assim estamos preocupados, pois a Trier já anunciou que se continuar assim vai demitir funcionários”, relata. “Trabalho há mais de dez anos na empresa e sei que os atrasos nos pagamentos não são exclusividade deste governo”, conclui.
A reportagem procurou a Trier Engenharia, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.