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Brasília

Crianças desaparecidas: um desafio para familiares

Arquivo Geral

09/10/2012 7h09

Elaine Siqueira
elaine.siqueira@jornaldebrasilia.com.br

 

Fugas do lar por conflitos entre familiares, agressões e até mesmo negligência dos pais ou responsáveis são alguns dos motivos que podem estar escondidos no aumento de 6,22% no número de crianças desaparecidas registrado no Distrito Federal e Região Metropolitana em 2012.

Estudo atualizado da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) indica que foi registrado o desaparecimento de 921 crianças e jovens  menores de 18 anos. Deste total, 80% já foram localizadas. Em 2011, foram  867 registros, sendo que também a maioria voltou para casa.

Responsável por provocar profundas feridas emocionais nas famílias, o desaparecimento de um ente querido torna-se uma perda ambígua. Por constrangimento e falta de informações que possam ajudar na busca do menor, muitas das famílias atingidas pelo infortúnio se retraem e perdem tempo em relatar o caso às autoridades. A recomendação é que não se demore mais de 24 horas para fazer o registro.

Segundo o delegado-chefe adjunto da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), Rogério Borges, deve-se agir de imediato. “Temos que desmistificar essa história de só recorrer à polícia após 24 horas do desaparecimento. Não é assim que funciona”, alertou.

Outro fator que emperra as investigações são os desaparecimentos enigmáticos e os casos em que a pessoa é dada como desaparecida por duas e até três vezes. “As famílias chegam até nós e, muitas vezes desconhecem o motivo que pode ter levado o filho a sumir. Em alguns casos de desaparecimento, é até mesmo recomendado a instauração inquéritos para que o caso seja tratado como sequestro ou até óbito”, explicou o delegado.

Esse é o caso de Ranara Lorrane, desaparecida há dez anos. Atualmente com 22 anos, a menina desapareceu no percurso Riacho Fundo I e Taguatinga. A última vez que foi vista, disse à mãe que estava indo a um churrasco com um rapaz que a considerava como filha. O conhecido auxiliava a criança e sua família com cestas básicas, despesas no aluguel e viagens.

“A mãe tinha total conhecimento da relação dos dois. Ele tinha em mãos, inclusive, uma certidão de nascimento da menina”, revelou Deise Luci, chefe da Seção de Investigação de Criança e Adolescente Desaparecidos (Sicad).  Procurada pelo Jornal de Brasília, a mãe da menina não quis falar sobre o caso.

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