Tácio Lorran
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A Operação Luz na Infância 4, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), identificou crianças a partir de 2 anos entre as vítimas de pedófilos. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra acusados de abuso e exploração sexual de menores na internet, no Distrito Federal e em 26 estados. Segundo a investigação, os pedófilos utilizavam várias formas de abusar das crianças.
Na capital federal, foram cumpridos nove mandados de busca e cinco pessoas foram presas em flagrante. As prisões foram realizadas nas regiões de São Sebastião, Vicente Pires, Vila Planalto e Samambaia. A ação é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) com o apoio das Polícias Civis dos estados e DF.
No país inteiro, agentes encontraram uma grande quantidade de material pornográfico. “Basicamente, são vídeos e imagens envolvendo crianças e adolescentes”, conta o coordenador do Laboratório de Inteligência Cibernética da Diretoria de Inteligência (Dint), Alessandro Barreto. “Em algumas situações, o camarada estava com a câmera ligada, em locais propícios para receber as crianças”.
A maioria dos presos armazenava conteúdo pornográfico envolvendo menores e compartilhava com terceiros. Um deles, inclusive, filmava o momento em que abusava das vítimas. Ele foi preso em flagrante. Até o momento, já foram analisados mais de 6.000 conexões e 710 Gb de produtos.
Dos 266 mandados de buscas e apreensões nos 26 estados e no DF, 103 pessoas já foram presas em flagrante – dois já tinham sido alvos em operações passadas. O número de vítimas ainda é levantado pelos investigadores.
Segundo Alessandro Barreto, a maioria dos criminosos tem entre 19 e 29 anos, mas há envolvimento de adolescentes e pessoas acima dos 70. Entre eles, parentes das vítimas, policiais e profissionais da saúde – todos do sexo masculino.
“A parte mais importante desse trabalho é identificar vítimas”, diz, relevando o fato de tirar as crianças de situações de abusos e exploração. “São crianças que são abusadas por parentes e pessoas próximas e, quando a gente identifica, é muito mais importante que muitas prisões”.

Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília
“Extremamente grave”, diz Sérgio Moro
Presente na coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, qualifica a pedofilia como “extremamente grave”. Segundo ele, o crime traz desgosto e atinge fortemente a vida dos menores. “Esse tipo de crime não pode ser tolerável, pois atinge o que a gente tem de mais valioso na sociedade, que são as crianças e os adolescentes”, afirma o ministro.
Os criminosos utilizavam da internet e de redes sociais para concretizarem o crime. Alessandro Barreto explica que a internet é como um território sem lei, mas que a polícia tem padronizado as ações para facilitar as buscas. “A internet foi criada com fins lícitos e os criminosos aproveitam esses meios para potencializar as suas ações”, diz. “No caso, eles usaram de várias metodologias para cooptar e abusar ou explorar”, completa.
- Foto: PCDF/Divulgação
- Foto: PCDF/Divulgação
- Foto: PCDF/Divulgação
- Foto: PCDF/Divulgação
A operação
Batizada de Luz na Infância 4, a operação foi deflagrada com o objetivo de prender acusados de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes na internet. São cumpridos 266 mandados de busca e apreensão nos 26 estados e no DF.
Mais de 400 prisões já foram realizadas nas três primeiras fases da operação. Luz na Infância 1, realizada em 20 de outubro de 2017, cumpriu 157 mandados de busca e apreensão, resultando em 108 presos. Na Luz da Infância 2, feita em 17 de maio de 2018, 579 mandados foram cumpridos e teve saldo de 251 presos. Na terceira fase, em 22 de novembro de 2018, 110 mandados resultaram em 46 prisões no Brasil e na Argentina.
Para quem armazena esse tipo de conteúdo, a pena varia de 1 a 4 anos de prisão; de 3 a 6 anos por compartilhar; e de 4 a 8 anos por produzir arquivos relacionados aos crimes de exploração sexual.
A ação é decorrente de cooperação mútua entre a Diretoria de Inteligência e a Diretoria de Operações, ambas vinculadas à Secretaria de Operações Integradas do MJSP. Com o apoio da Polícia Civil de todos os estados e do DF, mais de 1,5 mil policiais estão envolvidos.
Houve também colaboração da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, por meio da Adidância da Polícia de Imigração e Alfândega em Brasília (ICE). Segundo o coordenador da Dint, Alessandro Barreto, agentes contaram com troca de informações e, principalmente, capacitação dos profissionais.
De olho aberto
O MJSP alerta para os pais e responsáveis estarem sempre acompanhando os filhos em todas as atividades, inclusive dentro das plataformas digitais. “Falamos para as crianças não andarem com estranhos na rua, mas fazemos isso no meio online?”, indaga Alessandro.
O recomendado é que se denuncie qualquer indício de crimes de abuso e exploração sexual infanto-juvenil. O Disque Direitos Humanos, ou Disque 100, é um serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual. A ação é vinculada ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (SPDCA) da Secretaria de Direitos Humanos (SDH).



