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Brasília

Crianças com deficiência visual têm a chance no Zoo de tocar e sentir os animais

Arquivo Geral

16/08/2012 7h04

Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Alunos com deficiência visual da Escola Classe 410 Sul tiveram um dia de surpresas e novas sensações no Jardim Zoológico de Brasília. Para muitos, foi a primeira vez que tiveram contato com animais que apenas imaginam como seriam e que a maioria das pessoas tem medo de chegar perto. Sem qualquer temor, eles usaram o tato para conhecer mais de perto cobras, sapos e jabutis, por exemplo.

 

Acompanhados das professoras e monitores do Zoológico, sete alunos  participaram, durante toda a manhã de ontem,  do projeto Zoo Toque. Nessa nova visita  estava programada a inclusão de serpentes (não venenosas) e quelônios (tartarugas e jabutis).

 

As crianças estavam bastante ansiosas e curiosas para passarem a mão e segurarem alguns dos animais. E no passeio puderam tocar em um sapo cururu, uma cobra da espécie  snake, uma tartaruga pequena, um jabuti e terminaram com outra cobra, a enorme píton. João Vitor, de sete anos, aluno do 2º ano, não sentiu medo de tocar qualquer dos animais. Corajoso, descreveu a sensação de ter conhecido tantas espécies nas visitas guiadas ao Zoo. “Eu ‘vi’ dois hipopótamos. Eles estavam sujos de lama dentro d’água. A pele dele é grossa”, descreveu o menino, com riqueza de detalhes. A professora Vera Lúcia explica que para estes alunos o olho está nas mãos, ou seja, eles descobrem as formas e texturas pelo tato.

 

Projeto

 

A Escola Classe 410 Sul tem alunos cegos em inclusão em todas as turmas e, com eles, é desenvolvido esse projeto, que os leva ao Zoológico uma vez por     mês para conhecerem e tocarem em novos bichos. A professora Vera Lúcia conta que todo ano eles desenvolvem um projeto com animais, mas antes ficavam  só na descrição sobre suas características. Com o Zoo Toque, agora eles têm um contato direto e podem “sentir” os animais.  “Eles chegam na escola e contam para as outras crianças. Então, fica todo mundo ansioso. E o melhor é que agora eles contam com detalhes porque podem pegar e sentir”, destaca.

 

 

O Zoo Toque já funciona há mais de três anos e, no segundo semestre do ano passado, começaram  as inovações. Os responsáveis pelo projeto sentiram a necessidade de apresentar novos animais nas visitações.

 

 

Em geral, as escolas interessadas procuram o Zoológico propondo uma participação. A partir daí,  é marcada uma agenda prévia com a Superintendência de Educação e Lazer (Suel). Com tudo acertado, o projeto varia de escola para escola, dependendo das condições dos alunos. Em alguns casos, o Zoo busca na escola ou os profissionais podem ir até a instituição de ensino.

No caso específico da Escola Classe 410 Sul, esta parceria é anual, com visitas mensais, mas com atividades sempre diferenciadas.   A bióloga e coordenadora do Zoo Toque, Marcele de Castro, explicou que são promovidos de sete a oito  encontros anuais. “Em  cada um a gente sempre procura adequar as atividades para que eles consigam perceber, a maior parte entre toque e percepção de barulho e olfativo, as características do animal. Tem algumas atividades com bichos  maiores que eles não conseguem tocar. Então a gente faz esse trabalho só de sons e cheiros, que estimula muito e  eles até conseguem ter uma noção se o animal é mais limpinho”, explicou. Seja qual for o caso, o primeiro contato das crianças é com animais empalhados, no  museu de animais taxidermizados.

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