Uma criança foi expulsa do shopping Conjunto Nacional após colocar as mãos em um prato de comida de uma cliente no dia 7 de novembro, última sexta-feira. Em seguida, a segurança foi acionada e, para impedir a criança, expulsaram-na do local.
A publicitária Malu Rodrigues havia acabado de chegar com uma amiga, quando ouviu gritos e percebeu a confusão no meio da praça de alimentação do shopping. Quando viu, três seguranças arrastavam uma criança para fora dali. “Eles deviam tentar acalmar o menino, conversar. Mas, não, começaram a levar o menino para a escada. Peguei o celular e fui atrás, porque fiquei com medo do que pudessem fazer com a criança”, relatou Malu.
Os seguranças tentaram barrar a publicitária, que ficou impedida de se aproximar da criança de 9 anos. Ela afirma que ficou motivada a filmar após ver os seguranças levando o menino em direção à escada. “Fiquei preocupada em agredi-lo. Injustificável três seguranças agarrando uma criança”, desabafa. Após as filmagens, segundo Malu, os seguranças ainda discutiram tentando justificar a atitude: “você não conhece essas crianças”, teriam dito.
Após ser expulso, o menino – provavelmente morador de rua – saiu correndo do shopping. O Conjunto Nacional se pronunciou ao tomar conhecimento do caso e disse que irá apurar as informações e, caso necessário, abrirá processo interno e tomará as medidas cabíveis. O estabelecimento ainda declarou que todos os seguranças passam por constantes treinamentos.
Segundo a Secretaria de Estado da Criança do Distrito Federal, os seguranças desrespeitaram os artigos 16 e 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente, os quais prezam pelo direito à liberdade de ir, vir e estar em locais públicos e pela dignidade da criança. O documento estabelece que é dever de todos deixar os menores a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
No vídeo, a criança chora bastante e diz que os seguranças estavam machucando-a. Para a publicitária que presenciou toda a cena, a atitude foi desumana. Ela ficou desapontada com o estabelecimento. “Depois começa a época de Natal e [o shopping] faz campanha. Mas na vida real, o modo como trata [as crianças] é completamente diferente.”
Apesar de ainda não ter recebido nenhuma denúncia relacionada ao fato, a Secretaria de Estado da Criança ressalta que diante de situações como essa, o primeiro passo é entrar em contato com o Conselho Tutelar da região. Em caso de denúncias, a pessoa também pode ligar para a central 24 horas da Coordenação de Denúncias de Violação dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cisdeca), no telefone (61) 3234-8555, ou ainda para o Disque 100. A queixa é importante para coibir este tipo de atitude.