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Brasília

CPI: Major flagrado dando água à manifestantes no 8 de janeiro presta depoimento nesta segunda-feira 

Major José Eduardo Natale se encontrou com os parlamentares e afirmou que seu comportamento foi uma estratégia para “conter os ânimos” dos manifestantes

Mayra Dias

09/10/2023 19h10

Reprodução

Devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida, no próximo dia 12, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do DF (CLDF) adiantou para esta segunda-feira (9) a oitiva do major José Eduardo Natale, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ele atuava como coordenador de segurança de instalações dos palácios presidenciais durante os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro. 

No dia do ocorrido, o oficial foi filmado dando água a golpistas no Palácio do Planalto e, segundo as imagens do circuito interno do prédio, Natale conversou com os extremistas e, em determinado momento, distribuiu garrafas de água. Ele não efetuou prisões. 

Aos parlamentares, o major narrou o que aconteceu antes da situação gravada. “Observei que a porta do corredor em frente ao gabinete presidencial havia sido arrombada. Entrei e encontrei um cidadão sentado e outra manifestante, sem representarem ameaças iminentes naquele momento. Entrei na copa e, ao abrir a porta, três manifestantes bastante exaltados e hostis apareceram, perguntando minha função e o que havia naquele local. Respondi que não havia nada, somente água”, afirmou o depoente. 

Como relatou José Eduardo, o manifestante “mais exaltado” pediu por uma garrafa. “Em um esforço de acalmar os ânimos e conter a crise, evitando maiores danos, sob a ótica da razoabilidade, avaliei que deixar que pegassem a água era razoável para que a situação não se inflamasse e aquelas pessoas saíssem do local sem maiores danos”, argumentou, ressaltando que não deu água aos manifestantes, apenas permitiu que eles pegassem. Na avaliação de Natale, a estratégia obteve êxito, visto que, em suas palavras, acabou afastando os golpistas do gabinete presidencial. 

Segundo a história contada pelo militar, após pegar uma garrafa, o manifestando o perguntou se o gabinete do presidente ficava naquele local. “Faço sinal com a mão dizendo que não, e que ali eram somente salas cerimonial, e que a sala presidencial ficaria no piso abaixo, dissimulando a real proximidade do gabinete presidencial. Ele então chama outros manifestantes, sai e, logo após, desce as escadas, abandonando a região do gabinete presidencial”, explicou. 

Questionado pelos parlamentares sobre a razão de não ter realizado prisões de bolsonaristas que invadiram o Palácio do Planalto, ele respondeu que não poderia por estar sozinho no local. “Caso eu desse voz de prisão, eu estava sozinho. O único agente do GSI dentro do Planalto iria abandonar a posição. Eu não poderia me engajar definitivamente com nenhum manifestante se não fosse uma situação de vida para mim”, disse. 

Requerimento para oitiva de Coronel Sandro Augusto

Na reunião desta segunda-feira, os membros da CPI aprovaram a convocação do Coronel Sandro Augusto de Sales Queiroz, que era comandante do batalhão de pronto emprego da Força Nacional de Segurança Pública à época dos ataques de 8/1.

O pedido de depoimento é do deputado Thiago Manzoni (PL) e foi aprovado por unanimidade. O cronograma das oitivas de outubro prevê a convocação do Major Cláudio Mendes dos Santos, no dia 19, e do Coronel Reginaldo Leitão, no dia 26. 

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