Por Isabele Mendes
A cena já virou rotina nas ruas e parques do Distrito Federal. Antes mesmo do sol nascer, grupos de corredores ocupam calçadas, pistas e estacionamentos em treinos que misturam saúde, disciplina e, muitas vezes, recomeços pessoais. O crescimento das corridas de rua no DF tem atraído desde atletas experientes até pessoas que decidiram abandonar o sedentarismo em busca de mais qualidade de vida.
É nesse cenário que o Sesc-DF promove, no próximo dia 24 de maio, a etapa Gama do Sesc+Corridas. O evento terá percursos de 5 km e 10 km, além de uma caminhada de 3 km, com largada às 7h, ao lado do Hospital Regional do Gama (HRG). A proposta vai além da competição: busca incentivar hábitos saudáveis, fortalecer o convívio social e democratizar o acesso ao esporte.
Para o gerente de Esportes do Sesc-DF, Gustavo Byer, o projeto nasceu justamente para tornar a corrida mais acessível. Segundo ele, a ideia é oferecer uma estrutura profissional com valores reduzidos, permitindo que mais pessoas participem. “O Sesc+Corridas tem como meta central a democratização do acesso ao esporte”, afirma. Ele destaca ainda que o circuito também promove integração social e bem-estar coletivo, utilizando a corrida como ferramenta de transformação no cotidiano dos participantes.
Nos últimos anos, a corrida deixou de ser um ambiente restrito a atletas de alto rendimento e passou a reunir públicos diversos. Jovens, idosos, famílias inteiras, trabalhadores e iniciantes passaram a ocupar os eventos esportivos espalhados pelas regiões administrativas do DF.
Segundo Gustavo Byer, a inclusão das caminhadas nos circuitos ajudou a ampliar ainda mais esse alcance. “Muitas vezes, a caminhada é uma porta de entrada para a prática da corrida”, explica.
Da dor à disposição
Entre os milhares de corredores que hoje fazem parte desse movimento está o bombeiro civil e comerciante Jair Junio Pereira, de 35 anos. Há três anos na corrida, ele conta que encontrou no esporte uma forma de melhorar a própria saúde. “Eu vendi minha bicicleta, comecei a ter alguns problemas de saúde, muita dor na coluna e pressão alterada. Foi aí que procurei um esporte e me encontrei na corrida”, relata.
A mudança, segundo ele, ultrapassou a questão física. A rotina ganhou novos hábitos, mais disposição e até mudanças no horário de acordar. “Hoje eu consigo acordar mais cedo para correr, me sinto mais disposto para fazer as coisas. Tudo através da corrida”, afirma.
Mesmo sem conseguir participar da etapa do Gama por conta do plantão de trabalho, Jair destaca o impacto social de eventos desse tipo. Para ele, as corridas funcionam como incentivo coletivo para quem deseja sair do sedentarismo. “A importância desse evento é gigantesca. É onde tira as pessoas do sedentarismo e coloca todo mundo no mesmo caminho, que é chegar na linha de chegada”, diz.
A sensação de completar uma prova, segundo o corredor, é difícil de explicar. “É onde eu coloco todos os meus treinos, tudo que fiz durante a semana. É uma sensação de dever cumprido”, resume.
Esporte como válvula de escape
A relação entre corrida e saúde mental também aparece no relato do analista de suporte Lucas Soares, de 22 anos. Corredor há três anos, ele conta que o hábito começou ainda na infância, mas ganhou força em 2023, quando passou a levar a atividade mais a sério. “Entrar para o mundo da corrida foi essencial na minha vida, tanto física quanto mentalmente”, afirma.
Além do condicionamento físico, Lucas destaca as conexões criadas durante os eventos esportivos. “A corrida me proporcionou momentos incríveis e conhecer pessoas que me impulsionaram a manter esse ritmo na minha vida”, conta.
Para ele, as provas de rua acabam funcionando como um espaço de acolhimento e motivação coletiva. “Serve como válvula de escape, transforma a saúde mental e física para melhor e ainda se torna algo prazeroso”, diz.
Corrida além do Plano Piloto
Outro ponto defendido pelo Sesc-DF é a descentralização das atividades esportivas. Ao levar a etapa para o Gama e também para outras cidades satélites, a instituição busca ampliar o acesso ao lazer e à prática esportiva fora da região central de Brasília. Segundo Gustavo Byer, o impacto vai além da corrida em si. “O evento valoriza o espaço público local, movimenta a economia da cidade e gera um sentimento de pertencimento nos moradores”, explica.
A inclusão também faz parte da proposta do circuito. O evento contará com categorias específicas para idosos, pessoas com deficiência (PCDs), comerciários e público geral. Além disso, haverá caminhada de 3 km para iniciantes e participantes que preferem um ritmo mais leve.
As inscrições estão abertas até 21 de maio, ou enquanto houver vagas. Os valores variam entre R$ 59 para comerciários, dependentes e idosos, e R$ 109 para conveniados e público geral. As inscrições são isentas para pessoas com deficiência.
Os participantes receberão kit com camiseta de prova, número de peito, squeeze, viseira e sacochila. Após a corrida, também será entregue um kit nutricional, além de camiseta de passeio, toalhinha e uma caneca.
“O circuito é o momento de celebração de um estilo de vida que a instituição fomenta durante todo o ano por meio de seus diversos serviços de assistência e lazer”, conclui o gerente de esportes.