Francisco Dutra
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Afiscalização eletrônica do trânsito pelas faixas exclusivas para ônibus ainda não acelerou, ou melhor, não saiu do papel. A princípio, o monitoramento deveria começar na W3 Sul ontem, mas os equipamentos estavam desligados. Na Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG), a fiscalização dos trechos destinados para coletivos está a cargo apenas dos olhos dos fiscais. Pelo asfalto da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB) existem somente dois equipamentos para ajudar os agentes de fiscalização.
Na teoria, era esperado que a EPNB e a EPTG contassem, cada uma delas, com oito equipamentos de fiscalização eletrônica nas faixas exclusivas para ônibus. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o sistema ainda não está on line devido à necessidade de ajustes técnicos e à aferição do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Mas o órgão garante que fiscais estão monitorando diariamente os trechos.
De 13 de fevereiro até 13 de abril, foram emitidas 1.371 autuações para condutores que desrespeitaram a faixa na EPNB. Entre 5 de março e 13 de abril, o DER emitiu 2.817 multas por esta infração na EPTG. Analisando de perto o número de multas diárias é possível observar uma tendência de comportamento dos motoristas. Mais especificamente, quanto ao respeito à faixa.
Nos primeiros dias de fiscalização na EPTG, a média de multas diárias era de 200. Hoje, o órgão contabiliza, aproximadamente, 57. Na EPNB, inicialmente eram 90 multas a cada 24 horas. Atualmente, este número é de 30. Para que os números caiam ainda mais, o DER considera necessária a fiscalização eletrônica para completar o trabalho dos fiscais. No entanto, o órgão afirmou que não há uma data para que os equipamentos comecem a funcionar.
Segundo a Diretoria de Engenharia do Detran, responsável pela W3 Sul, foram instalados na via três OCRs (sigla em inglês que significa – reconhecedor óptico de caracteres). Nos moldes da EPTG e da EPNB, os equipamentos eletrônicos farão o registro para autuação dos veículos não cadastrados que utilizarem a faixa exclusiva para ônibus (que também é destinada para táxis e transporte escolar).
O órgão afirmou que o monitoramento digital depende de dois passos. Primeiro, a energização dos equipamentos por parte da Companhia Energética de Brasília (CEB). Segundo, a aferição dos equipamentos por parte do Inmetro para o início da operação de monitoramento. Até lá, o Detran prometeu que irá intensificar a campanha educativa na W3 Sul.
“Enquanto isso, a autarquia fará algumas adequações na sinalização, como, por exemplo, ampliar a extensão da linha seccionada (que divide a faixa central da faixa da direita) de 50m para 100m. A mudança visa facilitar o acesso dos condutores de veículos particulares às entradas à direita”, declarou o Detran, em nota.
A recente criação dos corredores exclusivos para ônibus desperta discussões entre os motoristas. O governo criou os corredores com o objetivo de ter linhas expressas para quem anda de ônibus, incentivando o uso do transporte coletivo em vez do carro. No entanto, motoristas de carro se queixam de que existem poucos ônibus e que a faixa dificultou o trânsito, ajudando a formar engarrafamentos nos horários de pico.
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