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Brasília

Contra a dengue, GDF gasta R$ 4 mi em mercadorias

Arquivo Geral

19/02/2016 21h56

Carla Rodrigues e Ingrid Soares
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Em tempos de Aedes aegypti, uma compra obscura chama a atenção para a Secretaria de Saúde. Após cancelar licitação, a pasta gastou R$ 4 milhões em aquisição direta de larvicidas e inseticidas de empresa do Rio de Janeiro. A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial do DF e mostra a obtenção de nebulizadores veiculares por mais de R$ 2 milhões e óleo mineral por R$ 224 mil. 

Segundo a publicação, a secretaria gastou R$ 915,5 mil em larvicidas e R$ 860,2 mil em inseticidas piretróides, usados contra o mosquito adulto. Em nota, a pasta esclareceu que fez a compra diretamente com a empresa ST Irajara Agrícola Ltda, cujo nome fantasia é Futuro Fértil, para evitar epidemia de dengue no DF e “diante da possibilidade de faltar inseticida e larvicida no mercado brasileiro.”

O órgão defende que a empresa está capacitada a oferecer os itens. “A ST Irajara Agrícola LTDA comprovou estar apta a fornecer os seguintes produtos: óleo mineral, larvicidas biológicos e inseticida piretróide. A empresa, inclusive, antecipou a entrega de parte da compra”, salientou a pasta. 

 No Google, dados sobre a empresa indicam que ela foi criada em 2000. Segundo o site findthecompany.com, a organização emprega sete pessoas.  “No Rio de Janeiro, uma empresa tem, em média, entre três e 16 empregados. Isso significa que a ST Iraja Agricola Ltda. – EPP emprega número típico de empregados para uma empresa desse segmento”, destaca texto de apresentação da loja, que se localiza na Ceasa do Rio de Janeiro.

 Ações feitas  em toda a rede escolar do País

A ação de combate ao Aedes aegypti é realizada em toda a rede escolar do Brasil, incluindo educação infantil e ensinos Fundamental, Médio e Superior. A iniciativa envolverá cerca de 60 milhões de estudantes de 115 municípios considerados prioritários, além do DF, em um mutirão de orientações sobre como evitar a proliferação. Participam dessa ação 188.673 escolas de educação básica, 63 universidades federias e 40 institutos federias e centros federais de educação tecnológica, além de outras entidades do setor educacional.

As escolas públicas ainda não iniciaram o ano letivo, mas a mobilização deverá ocorrer nos dias 29 de fevereiro e 4 de março. 

Experiência

A aluna Luiza Gennaria Barbosa, 14 anos, foi convidada a contar à plateia do colégio Ciman o que passou ao pegar dengue. “Tive muita dor no corpo, manchas vermelhas, febre alta, náuseas e dor atrás dos olhos. Fiquei muito mal e não faço ideia de como peguei a doença. Mas foi uma experiência muito ruim”, relata. 

De acordo com o ministro da Saúde, 55 mil militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, 46 mil agentes de combate às endemias e 266 mil agentes comunitários de saúde estão envolvidos. Segundo ele, o mosquito está presente em 113 países do mundo, que têm clima quente e úmido. Segundo ele, os ovos do Aedes podem sobreviver até um ano sem água, aguardando uma chance para eclodir.

“A situação é muito grave no País. Até abril de 2015, a epidemia não existia. Ainda não há no mundo uma vacina para o vírus zika, responsável pelo aumento de casos de microcefalia em bebês. Mas pesquisas financiadas junto ao Instituto Butantã mostram que, em três anos, já haverá uma vacina desenvolvida. Por enquanto, o combate aos focos do mosquito é a única forma de prevenção da doença”, afirma Marcelo Castro.

Alunos se tornam agentes

No mesmo dia da publicação da compra no Diário Oficial do DF, os estudantes do DF ganharam mais força no combate contra o mosquito. O colégio Ciman da Octogonal participou da ação de Mobilização Nacional da Educação Zika Zero. O governador Rodrigo Rollemberg e o ministro da Saúde, Marcelo Castro, visitaram a escola e conversaram com os alunos sobre a luta contra o mosquito. 

Para Daniel Paim, 11 anos, o assunto não é novidade. “Meus pais são bem preocupados e sempre estamos em alerta. Falo para minha irmã pequena ajudar, se vemos água parada, jogamos fora, e, se vemos algo fora do comum, que não conseguimos dar um jeito, avisamos ao porteiro”, conta. 

A escola elegeu seis alunos para serem os agentes de vigilância do local.

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