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Brasília

Contra a Copa, lideranças organizam protesto

Arquivo Geral

29/05/2014 7h35

Da Redação, com agências

Especial para o Jornal de Brasília

Raphael RibeiroÀs vésperas da Copa do Mundo, movimentos contrários aos gastos do torneio prometem mais manifestações durante os jogos em Brasília e afirmam que a ação policial reflete a preocupação dos governos com os protestos, agora com a adesão de grupos indígenas e sem-teto.

Na tarde da última terça, Brasília foi palco do maior protesto registrado neste ano na cidade. A avaliação do movimento anti-Copa é que o governo teme a união dos grupos que, com demandas diferentes, acumulam reclamações.

“Comitê Popular da Copa, movimento indígena, sem-teto… Estamos conseguindo constituir algo que pode arrepiar qualquer governo e a Fifa: uma unidade dos movimentos populares para pautar demandas. Vamos seguir nas ruas”, disse Rodolfo Mohr, do Movimento Popular da Copa.

Na manifestação da terça-feira, houve confronto com a PM a menos de 1 km do estádio Mané Garricha, onde crianças aguardavam para conhecer a taça da Fifa.

Uma nova  manifestação amanhã pretende, mais uma vez, chegar ao estádio Mané Garrincha, arena mais cara da Copa. De acordo com o movimento, o acordo com a polícia na última manifestação era chegar até a grade onde centenas aguardavam para ver a taça da Copa.

Esse acordo, contudo, foi quebrado, de acordo com os manifestantes. Eles afirmam, ainda, que  havia crianças dos dois lados, no protesto e na fila da taça. “Não precisamos de permissão para chegar ao estádio. Rua e estádio são públicos. O visitante da taça tem direito de ir ao estádio e o manifestante também”, disse Rafael Madeira, também do movimento. A reportagem questionou a PM sobre a quebra de acordo, mas ainda não obteve resposta. 

O movimento dos sem-teto também deve participar de protestos contra a Copa. “A polícia bate e a gente vai para cima. As manifestações vão continuar e não é cassetete que vai nos parar. É com diálogo e respeito”, disse Edson Silva, do grupo dos sem-teto.

Flechas e bombas

Ontem, uma barreira composta por policiais militares armada antes do espelho d´água impedia que os cerca de 400 índios invadissem o Congresso. Mas eles não chegaram a usar a força dessa vez.  Diferentemente de terça, dia que ficou marcado pelo confronto entre a PM e índios. De um lado, bombas de gás. De outro, paus, pedra e arco e flecha. Um PM teve a perna ferida com flecha. Seis índios também ficaram feridos com estilhaços. Cacique em Pernambuco, Marcos Xukuru defendeu o uso de arco e flecha na manifestação e disse que não houve violência. “É um instrumento que costumeiramente levamos”, afirmou.

Primeira vitória marca início de diálogo 

Diferentemente do primeiro protesto, quando um policial militar foi atingido pela flecha de um índio, o ato de ontem terminou de forma pacífica. E – para entrar no clima de Copa do Mundo – com uma vitória a favor das tribos que dançavam e cantavam músicas típicas na frente do Congresso Nacional enquanto uma comissão composta por 20 integrantes se reunia com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Eduardo Alves. 
 
Os dois presidentes prometeram não colocar em votação a Proposta de Emenda Constitucional número 215, que transfere ao Poder Legislativo a responsabilidade de decidir sobre as demarcações de terras indígenas, atualmente sob a responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai).
 
“Fizemos um gol com a promessa dos dois presidentes de não votar a PEC 215 enquanto não houver consenso na duas casas”, ressaltou Sônia Guajajara, uma das diretoras da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Em troca, os índios decidiram voltar para casa e encerraram a manifestação de ontem.
 
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A PEC 215, motivo do protesto dos índios, transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso Nacional. A proposta também possibilita a revisão das terras já demarcadas. O texto ainda   altera os critérios e procedimentos para a demarcação destas áreas, que passariam a ser regulamentados por lei e não por decreto.
 
 
(Colaborou Ary Filgueira)
 
 
 

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