Da Redação, com agências
Especial para o Jornal de Brasília
Às vésperas da Copa do Mundo, movimentos contrários aos gastos do torneio prometem mais manifestações durante os jogos em Brasília e afirmam que a ação policial reflete a preocupação dos governos com os protestos, agora com a adesão de grupos indígenas e sem-teto.
Na tarde da última terça, Brasília foi palco do maior protesto registrado neste ano na cidade. A avaliação do movimento anti-Copa é que o governo teme a união dos grupos que, com demandas diferentes, acumulam reclamações.
“Comitê Popular da Copa, movimento indígena, sem-teto… Estamos conseguindo constituir algo que pode arrepiar qualquer governo e a Fifa: uma unidade dos movimentos populares para pautar demandas. Vamos seguir nas ruas”, disse Rodolfo Mohr, do Movimento Popular da Copa.
Na manifestação da terça-feira, houve confronto com a PM a menos de 1 km do estádio Mané Garricha, onde crianças aguardavam para conhecer a taça da Fifa.
Uma nova manifestação amanhã pretende, mais uma vez, chegar ao estádio Mané Garrincha, arena mais cara da Copa. De acordo com o movimento, o acordo com a polícia na última manifestação era chegar até a grade onde centenas aguardavam para ver a taça da Copa.
Esse acordo, contudo, foi quebrado, de acordo com os manifestantes. Eles afirmam, ainda, que havia crianças dos dois lados, no protesto e na fila da taça. “Não precisamos de permissão para chegar ao estádio. Rua e estádio são públicos. O visitante da taça tem direito de ir ao estádio e o manifestante também”, disse Rafael Madeira, também do movimento. A reportagem questionou a PM sobre a quebra de acordo, mas ainda não obteve resposta.
O movimento dos sem-teto também deve participar de protestos contra a Copa. “A polícia bate e a gente vai para cima. As manifestações vão continuar e não é cassetete que vai nos parar. É com diálogo e respeito”, disse Edson Silva, do grupo dos sem-teto.
Flechas e bombas
Ontem, uma barreira composta por policiais militares armada antes do espelho d´água impedia que os cerca de 400 índios invadissem o Congresso. Mas eles não chegaram a usar a força dessa vez. Diferentemente de terça, dia que ficou marcado pelo confronto entre a PM e índios. De um lado, bombas de gás. De outro, paus, pedra e arco e flecha. Um PM teve a perna ferida com flecha. Seis índios também ficaram feridos com estilhaços. Cacique em Pernambuco, Marcos Xukuru defendeu o uso de arco e flecha na manifestação e disse que não houve violência. “É um instrumento que costumeiramente levamos”, afirmou.