No meio de tantos prédios desta selva de concreto que é Águas Claras, a população pôde encontrar um oásis. O Parque Ecológico de Águas Claras é um dos espaços que traz a qualidade de Cidade-Parque para além do eixo e recebe visitantes de todas as cidades. O local é ideal para corridas e caminhadas, além de ser a oportunidade perfeita para um momento relaxante na beira do córrego de mesmo nome da cidade.
Localizado na Avenida Castanheiras, inicialmente o Parque Ecológico de Águas Claras foi criado em 15 de abril de 2000, pela Lei Complementar nº 287, a área verde foi recriada pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram). Em média 5 mil visitantes passam pelo local que fica aberto das 6h às 22h. Nos dias de semana, o Parque de Águas Claras recebe cerca de 3 mil pessoas. E era lá que estava a advogada Darnia Macedo, 51 anos. Ela mora em um edifício perto do Parque e sempre comparece ao local nas horas de lazer. “É o que mais gosto de fazer. Ir ao Parque malhar e brincar com meu filho”.
O filho de Darnia tem 10 anos e Darnia acredita que essa área de preservação significa liberdade para ele e as crianças da idade dele que têm a oportunidade de brincar por lá. “Ainda mais para que esses meninos não fiquem muito ansiosos e presos com videogame dentro de casa”. Darnia acredita que no gramado e nas quadras, o filho dela pode lembrar que é criança. “Já para mim, esse parque é como uma terapia”, complementa. Para Darnia, poder ter esses momentos em contato com a natureza e praticar esportes ao ar livre são uma quebra necessária na rotina.

Nada como a oportunidade de poder fazer um piquenique com as pessoas que ama em dia de semana e em um parque perto de casa. Poliane Rodrigues, 40 anos, mora nas proximidades da zona de preservação. “Aqui é minha segunda casa, sempre estou aqui com a família”. Além de espaço para fazer atividade física, a pedagoga afirma que é um ótimo espaço para trazer as crianças. “É gostoso que no meio da cidade e de vários prédios exista um Parque acessível todos os dias”.

Geralmente, Poliane e a família gostam de estender uma canga no gramado e fazer um lanche, depois descem para a quadra e jogam vôlei. “Andamos de patins, disco, patinete, bicicleta. Mas às vezes a gente vem só para tomar um café e ficar curtindo o pôr do sol”. Para ela, isso agrega muito no dia a dia, só de poder respirar um ar mais puro. “Fora que me dá o maior prazer ir para o Parque no meio da tarde para desfrutar do que a natureza tem para dar”.
Qualidade de vida
Rôney Nemer, o presidente do Ibram, considera que o Parque, que atualmente conta com 113,4671 hectares e 6.686,87 metros de perímetro, tem um impacto grande na qualidade de vida da população. A estrutura desse espaço ao ar livre possui trilhas para caminhadas, várias quadras de voleibol e futevôlei, parquinho infantil, Escola da Natureza e uma unidade da polícia florestal. E ainda, uma floresta preservada com riachos, dois lagos e árvores frutíferas. ”É um parque com uma área para as pessoas transitarem, fazerem piquenique, com espaço para confraternização, praticar esportes e andar de bicicleta. É uma coisa muito plural”. Além disso, para Rôney o Parque atende não só os moradores de Águas Claras, mas muitas outras cidades. “Eu mesmo moro no Recanto das Emas e sei de muita gente que vai para Águas Claras passar o dia mais próximo à natureza”.
Segundo Rôney, quatro grupos de escoteiros auxiliam no cuidado com a vegetação nativa dessa zona de conservação, o Cerrado. O Ibram também conta com a ajuda de um grupo de voluntários que plantam mudas de diferentes espécies florestais para fazer o reflorestamento do local.
A fim de fazer a manutenção do espaço com o devido cuidado, Rôney afirma que é preciso encontrar um equilíbrio entre o que interessa a população e o que é necessário para preservar o meio ambiente. “Tem gente que reclama muito e diz que o Parque precisa estar todo iluminado, mas do ponto de vista ambiental não se deve iluminar todo o espaço, porque o calor da luz pode matar os insetos”.
O mais importante, como Rôney aponta, é a pessoa ter consciência do pertencimento dela e do meio ambiente. “É preciso cuidar do parque e entender que ele é um refúgio para todo mundo, seja para paquerar, para andar de mão dada, para andar sozinho, para refletir ou sair da depressão. Mas nós sempre temos que lembrar que nosso direito termina quando começa o do outro”. Nemer se refere ao modo como a comunidade deve se portar no espaço, como dividir as quadras e as pistas para que todos possam fazer bom uso. “Nós queremos chamar a população toda para ser nossa aliada. Para que, cada vez mais, possamos construir um parque melhor”.
Ele salienta para quem for consumir algo dentro do Parque, que não leve lixo ou plástico, que cuide do que consumiu e não deixe nada no gramado ou nas mesas espalhadas pelo espaço. “Às vezes um roedor que faz parte de uma cadeia alimentar come o resto de comida deixado por algum visitante e é infectado. Algum outro animal que come o roedor na cadeia alimentar acaba sendo infectado também, o que acaba provocando um problema de infestação da fauna no Parque”.
Rôney frisa que o Parque é de Brasília toda. “Ele não é do Ibram, mas sim de toda a comunidade do DF e de quem vier de fora também. A gente precisa que o nosso usuário seja parceiro do parque. Cuidando dele igual a gente cuida da nossa casa”.
Os objetivos do Ibram para com o Parque, incluem a preservação da fauna e flora, as áreas de nascente e as recargas de aquíferos. O Instituto também realiza atividades de educação ambiental e o desenvolvimento de programas e projetos de observação ecológica, atividades culturais, de lazer e esporte.
Saiba mais
- Na Semana do Meio Ambiente de 2024 o Brasília Ambiental inaugurou uma usina fotovoltaica no Parque Ecológico Águas Claras. Hoje nesta área de reserva a energia limpa é produzida e levada para vários órgãos públicos. A geração do equipamento é capaz de atender as demandas de todas as unidades de conservação do DF e de outros órgãos públicos do governo local, como a Secretaria de Meio Ambiente e Proteção Animal (Sema), o Jardim Botânico (JBB), dez escolas públicas e metade do consumo do Zoológico de Brasília.
- O Ibram conta com 82 unidades de conservação. Alguns desses espaços são abertos para visitação, como o Parque de Águas Claras. A entrada em outras unidades de conservação só é permitida para estudantes, cientistas e pessoas autorizadas.
- Segundo Rôney Nemer existe um plano de manejo com as regras e conceitos definidos para o Parque. Esse plano reúne o que pode acontecer, onde e de que forma pode acontecer. “E não são os técnicos do Ibram que decidem, são os frequentadores e a população adjacente que em oficinas realizadas pelo Instituto, debatem como poder fazer um uso sustentável daquele espaço, para que esse bem dure por muito tempo”.