Serão tempos de vacas magras. Sim, não há como negar: depois de mais de uma década com dinheiro à vontade (não me farão acreditar, nunca, que faltou grana – o que faltou foi boa administração), as confederações esportivas brasileiras vão ter de “se virar” para continuar sobrevivendo. E a culpa é apenas e tão somente de seus dirigentes. Ah… Antes que chamem o colunista de maluco, explico a expressão “mais de uma década”: tivemos o Pan-Americano no Rio, em 2007, antes disso, claro, a grana começou a ser liberada para “fazermos bonito” naquela competição; depois, veio a escolha para recebermos os Jogos Olímpicos e a fonte continuava liberada (sem contar a Copa das Confederações, em 2013; e a Copa do Mundo, em 2014, que se não serviram para dar grana às confederações esportivas pelo menos mantiveram os patrocinadores atentos aos demais esportes).
O atletismo, de quem não se esperava nada, acabou conseguindo mostrar serviço. A medalha de ouro no salto com vara masculino, surpreendente, mostrou que dinheiro foi gasto com quem não se deveria – caso das nossas velocistas, mais uma vez pagando mico. Outras estrelas de papel também mostraram, mais uma vez, que são supervalorizadas. Na natação… Bem, acho que não há necessidade alguma de explicar, ou melhor, comentar o que aconteceu nas piscinas, não é mesmo? Sair dos Jogos sem uma medalha sequer… E não me venham falar que chegamos a x finais. X finais já chegamos há tempos, com investimentos menores. Há muito que explicar e, sem dúvida alguma, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos precisa rever seus conceitos.
Outra que tem muito a se explicar é a Confederação Brasileira de Basquete. Leitores que me acompanham há tempos devem lembrar que, na última eleição, fui à Justiça para participar da votação (ou, explicando: estar presente no ato de votação, fechado para a imprensa). Desde então os cartolas da entidade falam em falta de dinheiro, problemas… Chegaram a ficar devendo a “contribuição” que garantiu a participação do time masculino no Mundial (onde fizemos boa figura, é bom e justo recordar). Desta vez… No feminino, vergonha, vergonha, vergonha; entre os homens, pode-se falar em um pouco de falta de sorte – mas não há como negar que ficamos devendo.
Quem não ficou devendo foi o vôlei. De novo. Se não foram alcançados os objetivos esperados (duvido que não fizessem conta de quatro medalhas de ouro, pelo menos), fomos ao pódio na praia e na quadra, com dois ouros (entre os homens) e uma prata (das mulheres, na areia). Dava para ser mais? Sem dúvida alguma. E aqui, sim, se pode falar em ironia do destino na desclassificação diante da China, na quadra, pelas mulheres. Outra que não pode ser criticada é a tão (mal) falada CBF. A entidade deu todas as condições para o time feminino, que sentiu a desclassificação na semifinal e acabou fora do pódio. Para os homens, há quem critique, agora, a possibilidade de premiação da CBF para os jogadores. Eternos insatisfeitos estes críticos. A CBF não pediu nada a ninguém e tem todo o direito, sim, de exibir orgulhosa o medalhão na sua fachada de sua sede, na Barra da Tijuca.
Outros esportes “patinhos feios” também podem (e devem) reivindicar maior atenção – e mais dinheiro, claro. Viva o boxe, a canoagem, o tiro esportivo… Que tal dar um pouco mais de grana, também, para a esgrima? Ou o levantamento de peso? Como disse, perdemos uma década. Quem sabe agora, com um pouco mais de seriedade, possamos finalmente começar um planejamento sério? Não para Tóquio 2020, mas para Roma, ou Los Angeles, ou Paris, em 2024?
Bem feito!
Aprendi desde cedo que não se deve desejar mal para ninguém. Até porque, dizem, volta-se contra nós o pensamento. Não posso negar, porém, minha satisfação ao tomar conhecimento do rompimento de contrato de quatro das empresas que patrocinavam o playboyzinho americano que veio nadar nos Jogos Olímpicos Rio 2016 e armou uma grande farsa. Sempre digo que o órgão do corpo humano que mais dói é o bolso. Sendo assim, o mentiroso vai pensar, a partir de agora, algumas vezes antes de mentir – principalmente se o afetado pelas suas mentiras for alguém mais pobre, com menos condições. Espero que sirva de lição não apenas para ele, mas para tantas outras pessoas que acham que podem armar e se dar bem. Em qualquer situação.