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Consumidores reclamam de alto preço de itens da cesta básica em supermercados do Distrito Federal

No Plano Piloto, soma do preço de alimentos básicos de marcas mais baratas chegam a custar a metade de um salário mínimo

Gabriel de Sousa

De acordo com a última Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o Distrito Federal registrou a maior alta do preço médio da cesta básica de alimentos, tendo um acréscimo de 4,28% em relação ao mês anterior. O órgão atesta que na capital federal, o valor é de R$ 644,09, que equivale a 58,5% do Salário Mínimo Nacional.

Segundo o Departamento, são itens de provisão mínima da Cesta Básica de Alimentos desde o ano de 1938: 6 quilos de carne, de batata e de pão francês; 7,5 litros de leite; 4,5 kg de feijão; 3 quilos de arroz e de açúcar; 1,5 quilos de farinha de trigo; 9 quilos de tomate; 600 gramas de café; 750 gramas de manteiga e de mililitros de óleo e 90 unidades de banana.

A equipe de reportagem do Jornal de Brasília esteve em três supermercados de regiões administrativas distintas do Distrito Federal para analisar os preços dos produtos de marcas mais baratas dos componentes da Cesta Básica de Alimentos. Em um pequeno açougue e sacolão de Planaltina, a soma dos produtos mais baratos chega a R$ 436,75, e pode chegar a até R$ 511,62, dependendo das marcas dos alimentos. Já em uma filial de uma grande rede de hipermercados de Sobradinho, os valores variam entre R$ 437,31 e R$ 552,72. Os preços mais elevados foram atestados em um supermercado da Asa Norte, onde o valor mínimo foi de R$ 547,99 e pode chegar a até R$ 575,10. Os valores com os itens mais baratos de Sobradinho e de Planaltina equivalem a aproximadamente 40% e os do Plano Piloto a 50% do Salário Mínimo Nacional, que é R$ 1.100.

De acordo com o DIEESE, em setembro, o preço do café aumentou 10,03% e o do açúcar em 9,58% em 30 dias. Nos mercados analisados pelo Jornal de Brasília, 600 gramas do café em pó mais barato custa R$ 12,22 no Plano Piloto, R$ 14,49 em Planaltina e R$ 16,78 em Sobradinho. Já o açúcar mais rentável foi registrado em Sobradinho e no Plano Piloto, onde três quilos custam R$ 10,79. Em Planaltina, a mesma quantidade sai por R$ 25,47, um valor quase 250% mais caro.

O tomate foi o item que teve o aumento mais significativo. Em apenas um mês, de setembro para outubro, o acréscimo foi de 40,16%. Em Planaltina, nove quilos sai por R$ 62,91, e em Sobradinho e no Plano Piloto, o brasiliense deve desembolsar R$ 80,91, aproximadamente 7% do Salário Mínimo Nacional.

Preço do pão francês foi a principal reclamação no Plano Piloto

No supermercado localizado na Asa Norte, o preço do pão francês estava sem destaque nas prateleiras, tendo que chegar até próximo às vitrines para ver o valor do principal ingrediente do café da manhã brasiliense: R$ 14,99 o quilo. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a provisão mínima do brasileiro deve ser de 6 kg por mês, no Plano Piloto, a quantidade sai por R$ 89,94.

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Na fila dos pães, a aposentada Marinalva Andrade relatou que geralmente compra pães franceses na padaria, onde o valor é mais barato. Porém, decidiu fazer a compra do lanche no supermercado pois queria fazer somente uma viagem para o seu apartamento. “É muito caro, mas como eu já estou aqui, decidi comprar um, dois pãezinhos. Antigamente, dava pra comprar seis com esse valor. Agora não dá mais”, observa.

Marinalva diz que nos últimos meses, o tradicional “pão de sal” virou uma “raridade” nas mesas das manhãs. Com a alta dos preços, principalmente no Plano Piloto, a aposentada prefere comer ovos fritos nas manhãs: “Economiza um pouco. Mas quando a aposentadoria sai, dá para comprar pães franceses para a casa toda”.

Preço das carnes disparam nos açougues:O acém é uma das carnes favoritas dos brasilienses por ser bom de sabor e também de preço. Porém, com os gradativos crescimentos de preços nos açougues, até mesmo a carne “popular”, começou a ser tratada como uma “peça nobre” nos estoques. De acordo com a metodologia da Cesta Básica Nacional, a provisão mínima mensal do brasileiro é de seis quilos de carne mensais. No Plano Piloto, esta quantidade de acém custa R$ 168, e em Planaltina R$ 179,94, sendo 16% do Salário Mínimo Nacional. Na rede de hipermercados de Sobradinho, graças a uma promoção, o consumidor poderia comprar a pesagem por R$ 113,94. Na ocasião, foram registradas grandes filas.

A professora Maria do Carmo era uma das consumidoras que esperavam o atendimento na fila do açougue do hipermercado. Ela conta que o acém não é a sua carne favorita, mas diz que é a variação que mais sai em conta no seu bolso, apesar do preço elevado das carnes em geral. “Eu não sou muito chegada à carne de boi, mas fica muito difícil apenas comer frango todos os dias. Os meus filhos ficam reclamando que não tem carne vermelha e então eu aproveitei essa promoção e vim até aqui”, explicou a moradora de Sobradinho.

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O preço do acém mais alto foi registrado no pequeno mercado de Planaltina, R$ 30 é o quilo da carne considerada “barata” pelos consumidores brasileiros. Na fila, a empregada doméstica Lourdes Santana perguntou pelo valor e logo desistiu da sua compra, pegando apenas linguiças de frango, que estavam mais em conta. Para o Jornal de Brasília, ela contou que muitas vezes, a carne que compra serve somente para as três filhas se alimentarem. “A carne que eu compro durante o mês é para as minhas meninas. Eu como uma farofa que faço de noite, com ovo e farinha. Antes era melhor, a gente conseguia até comprar umas carnes mais caras para agradar em casa, né?! Agora não dá mais”, relatou a diarista.

Brasília é a sétima capital com cesta básica mais cara

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Brasília está na sétima posição entre as 27 capitais com os preços mais caros de itens da Cesta Básica Nacional. A análise foi feita a partir de valores registrados em outubro deste ano.

Com o valor de R$ 644,09, o Distrito Federal está na segunda posição dos preços mais elevados de toda a Região Centro-Oeste, sendo superado apenas por Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, que possui a soma dos componentes custando R$ 653,40, quase dez reais a mais. O preço da Cesta Básica Nacional na capital federal é 8% mais caro que em Goiânia, que está na décima colocação entre as capitais. De acordo com o DIEESE, Florianópolis, capital de Santa Catarina, lidera com a soma da cesta básica custando R$ 700,69, aproximadamente 64% do Salário Mínimo Nacional. Abaixo da capital catarinense e acima do Distrito Federal estão São Paulo (R$ 693,79), Porto Alegre (R$ 691,00), Rio de Janeiro (R$ 673,85), Vitória (R$ 670,99) e Campo Grande (R$ 653,40).

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