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Brasília

Construída por alunos, pais e professores, escola em São Sebastião é inaugurada

Arquivo Geral

13/08/2009 0h00

O Centro Educacional São Francisco nasceu do sonho e das mãos de professores, pais e alunos de São Sebastião. Pois o sonho se concretizou nesta quarta-feira (12), quando a unidade foi oficialmente inaugurada pelo governador José Roberto Arruda. Em princípio serão atendidos alunos do 1º e 2º ano do Ensino Médio, porém a intenção é que em breve a escola passe a receber as séries finais do Ensino Fundamental.

O novo espaço  – um prédio com 20 salas de aula, laboratório de informática, de biologia e de química, além de espaço para o grêmio estudantil, quadra de esportes e um teatro com capacidade para 250 pessoas – custou R$ 5,5 milhões e é o resultado de um trabalho conjunto. Atualmente, 890 estudantes estão matriculados no centro educacional, mas a escola tem capacidade para atender até 2,7 mil alunos. “Esta unidade é uma conquista da direção, dos alunos e dos professores. Todos ajudaram na construção do prédio. Hoje os meninos ficam de olho para que ninguém coloque o pé na parede e suje a pintura que eles fizeram”, explica a diretora da unidade, Leísa Sasso.

O espírito de comunidade e solidariedade impressionou o governador. “Não há nenhuma escola, entre as 642 de todo Distrito Federal, com um trabalho como este. De nada adianta uma estrutura como esta, se não existem professores capazes de fazer a diferença”, avaliou o governador.

Tempos difíceis
Enquanto a escola era construída, os alunos peregrinaram por outras unidades. Inicialmente foram transferidos para o Centro Educacional Gisno, no Plano Piloto, e o horário escolar começava às 11h, quando dez ônibus escolares buscavam os alunos para os deixarem a tempo na Asa Norte. Em seguida, os estudantes foram transferidos para o Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC) Unesco, em São Sebastião. “Ainda estávamos longe de São Francisco, mas era melhor do que no Plano Piloto”, lembrou a diretora.


Projetos especiais
Construída pela mão de todos, o centro de ensino também tem um foco diferente da maioria, resultado de um processo de conquista do aluno. Cada professor é responsável por desenvolver um projeto multidisciplinar. Meditação para auxiliar na leitura, resgate de arte circense, dança, aula de violão, mediação de conflitos escolares, produção de jornal e outros são usados para aproximar os alunos da escola. O projeto intitulado Sombra e Água Fresca representou o Distrito Federal na Conferência Nacional de Meio Ambiente e a Área de Preservação Permanente que está atrás da escola vai virar projeto e servir de “laboratório” de biologia.


De acordo com a vice-diretora, Gheisa Porto, os projetos são um caminho para chegar ao aluno. “É um processo de conquista e o resultado é riquíssimo. O único recurso que temos apara executá-los é a boa vontade”, conta a vice-diretora.


Tudo começou com uma tevê
As atividades multidiciplinares começaram com uma televisão. Os docentes levavam o aparelho para a sala de aula e apresentavam filmes e documentários. Segundo a diretora, o interesse dos professores em trazer novas fontes de aprendizado era grande. “Os professores disputavam esta TV. Todos queriam levar algo novo e diferente para os seus alunos”, contou Leísa.
      
O avanço do aluno a partir dos projetos é claro. Exemplo disso é a história de Ana Paula Santos, 19 anos, uma das 50 jovens que participam do projeto Filosofança – que reúne aulas de dança e filosofia. A menina já terminou o Ensino Médio, mas ainda frequenta a escola. Depois que passou a fazer parte do grupo suas notas e o relacionamento com os pais melhoraram. “Antes do Filosofança eu não sabia me expressar e por isso acabava tendo problemas com meus pais e com a escola. Foi onde eu me descobri. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, conta.
      
O Filosofança tem como objetivo ultrapassar o pátio escolar e fazer com que os alunos se tornem seres humanos autônomos. “A Ana foi uma menina que eu consegui profissionalizar. Ela será professora de dança em uma academia no Varjão”, diz emocionada a professora Gigliola Mendes,  responsável pelo projeto.


Cartão Vida Melhor
Moradores de São Sebastião também foram beneficiados com o Cartão Vida Melhor – fusão dos programas assistenciais concedidos pelo GDF e o Governo Federal. Quase mil e duzentas famílias receberam o auxílio e vão poder sacar o valor a partir de 17 de setembro. Enquanto a data de pagamento não chega, os beneficiários ganharão uma Cesta Verde. Atualmente, mais de cinco mil famílias são beneficiadas na cidade.


Para participar do programa é preciso ganhar até um salário mínimo por mês, morar há mais de cinco anos no DF e ter filhos matriculados na rede pública de ensino. O valor varia de acordo com o número de filhos de cada família. Quem tem um filho estudando regularmente recebe R$ 130, com duas crianças na escola, R$ 150. A partir de três filhos, o benefício chega a R$ 180.

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