Estudos ambientais, viagra de impacto de trânsito e adequação às Normas de Edificação, unhealthy Uso e Gabarito (NGBs). Todas essas exigências serão solicitadas pela Administração do Lago Sul para aprovar o alvará de construção do novo centro comercial que será erguido na QL 24, próximo à Ponte JK. O administrador do Lago Sul, Paulo Zuba, disse que a avaliação do empreendimento será criteriosa a fim de não prejudicar a qualidade de vida do bairro de 40 mil habitantes.
“Ainda há um longo caminho a ser percorrido até a aprovação do projeto, que precisa ser apresentado em detalhes pelo proprietário do terreno”, assinalou. O imóvel, às margens do Lago Paranoá, foi vendido pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), na última quarta-feira, em um licitação silenciosa, que só teve uma oferta de R$ 66,8 milhões para o lote avaliado em R$ 62 milhões e considerado uma jóia rara para o mercado imobiliário. A empresa Principal Construções Ltda, das Organizações PaulOOctávio, arrematou o terreno com um lance único de R$ 66 milhões para pagamento à vista.
Segundo Zuba, as opiniões dos moradores são divergentes quanto à instalação do empreendimento de médio porte. “Alguns acham bom, outros não gostam da ideia. A unanimidade não faz parte do vocabulário dos administradores que tomam decisões públicas”, ponderou. No entanto, as associações de moradores pretendem se manifestar contrárias ao novo complexo e já estudam a possibilidade de entrarem com uma representação no Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT).
“Não vamos ficar quietos. A luta continua na esperança de reverter essa situação”, declarou a presidente da Associação de Moradores da QI 25, Olga de Mello Franco. Ela apontou que o lote que faz divisa com o imóvel vendido é considerado área de preservação ambiental e a construção do empreendimento pode causar sérios danos ao meio ambiente e ao Lago Paranoá. “É muito estranho uma área de preservação contígua a outra ser vendida para instalação de um empreendimento desse porte. Queremos saber para onde vai o lixo e o esgoto”, questionou.
Ela destacou que o bairro já passa por problemas ambientais e sofre com a falta de infraestrutura por não ter capacidade de suportar o crescimento. “O comércio não tem rede de esgoto. Sofremos com o mau cheiro e com o esgoto que transborda a céu aberto”, denunciou. Outra preocupação da comunidade é o congestionamento que será causado nas entradas e saídas do bairro e o risco de um aumento no número de acidentes, principalmente, na Ponte JK.
“O bairro, que é residencial, está sendo desfigurado. Não é o shopping que tem que vir aos moradores e sim os moradores que devem ir ao shopping”, completou Olga. Apesar das críticas, o administrador não acredita que a resistência dos moradores possa barrar a obra, que ainda não tem prazo para começar.
A diretoria das Organizações PaulOOctávio optou por não comentar sobre a venda, nem sobre o projeto do centro comercial até que o resultado da licitação seja homologado. A divulgação do nome das empresas vencedoras do certame da Terracap deve ocorrer em até três semanas, depois que toda a documentação dos investidores passar pelo crivo da estatal.