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Brasília

Conselheiros anunciam uma nova Finatec

Arquivo Geral

10/08/2011 16h23

O credenciamento da Finatec como fundação de apoio à UnB foi apenas o primeiro passo. Agora, começa o trabalho de captação de projetos de pesquisa e recuperação da confiança da comunidade acadêmica. “É uma nova Finatec, sem o entulho das questões que estão sendo discutidas na Justiça”, afirma Aldo Paviani, professor emérito e membro do Conselho Superior da fundação. “Trata-se de uma virada de página. Queremos recuperar o prestígio que a fundação tinha na administração de projetos de pesquisa”.

 

Para fazer essa transição, a fundação conta com um conselho formado por professores de renome internacional: além de Paviani, Lia Zanotta, Isaac Roitman, Eva Waisros, Mercedes Bustamante, Armando Caldeira Pires, Maria Sueli Felipe, Francisco Neves e Margô Karnikowski. Eles foram eleitos pelo Consuni da UnB para supervisionar as atividades da fundação.

 

A escolha do conselho da Finatec pela UnB se deu ao cabo de um longo processo de rediscussão do papel das fundações de apoio, após a crise de 2008 que resultou na renúncia do ex-reitor Timothy Mullholland e na intervenção do Ministério Público na Finatec. O processo começou em 2009, quando o Consuni criou novas regras para o credenciamento. A principal delas seria que o conselho superior da fundação deveria ter a maioria dos seus membros indicados pela universidade. “Esse debate estava em consonância com o novo marco regulatório que o governo e a comunidade científica estavam planejando”, lembra o reitor José Geraldo de Sousa Júnior. “O consenso foi que as fundações eram necessárias”.

 

A Medida Provisória 495, que disciplina a relação das fundações de apoio com as instituições de ensino superior, saiu quase um ano depois, em julho de 2010. Em novembro, o Consuni colocou em pauta o credenciamento a Finatec. Em duas reuniões, discutiu-se a necessidade da UnB de ter uma fundação de apoio e também os mecanismos que garantiriam a obediência da Finatec às leis. No final, o credenciamento foi aprovado por 34 votos a 15. Uma das condições foi: todo o Conselho Superior, e não só a maioria, deveria ser indicado pelo Consuni.

 

Uma votação entre professores, estudantes e servidores técnicos que compõem o Consuni escolheu 12 nomes para supervisionar as atividades da Finatec. “O conselho não tem outro interesse senão o de cumprir a missão da fundação, de apoiar a pesquisa”, diz a professora Maria Sueli Felipe, uma das conselheiras e pesquisadora 1-A do CNPq. “Não podemos prescindir de uma fundação de apoio. A pesquisa fica travada”.

 

É unânime entre os conselheiros a ideia de que é preciso criar uma “nova Finatec”, descolada dos escândalos do passado. “Se não tivéssemos confiança de que as coisas vão mudar, não estaríamos apoiando essa reviravolta na Finatec”, diz a professora Eva Waisros, da Faculdade de Educação. “As pessoas estão imbuídas do espírito de contribuir com a melhora da UnB. Não ganhamos um tostão com isso”, afirma Isaac Roitman, professor aposentado do Instituto de Biologia e subsecretário da Criança e do Adolescente do GDF. “O Consuni foi muito feliz na escolha dos nomes. É um conselho coeso, de ideias progressistas”.

 

O professor Armando Caldeira Pires, da Faculdade de Tecnologia, está ansioso para participar desse novo momento da história da fundação. “O corpo técnico da Finatec é muito bom e tem experiência em diversos tipos de projetos. Agora podemos nos reintroduzir no mercado científico, pelo bem da universidade”, afirma. “Com o credenciamento, agora temos chão para andar”.

 

A nova Finatec pregada pelos conselheiros deve atender a três princípios básicos. O primeiro é uma gestão fiel aos marcos legais estabelecidos. Segundo, reverter todo o lucro da fundação para atividades de ensino, pesquisa e extensão da UnB. Terceiro, garantir a confiabilidade na administração de projetos. Segundo o professor Roitman, a Finatec discute a instalação de uma auditoria interna permanente e uma reestruturação do modelo administrativo da fundação. “Vamos seguir fielmente o que está no estatuto da Finatec. Espero que tenhamos sucesso”, afirma Aldo Paviani.

 

O reitor afirma que a UnB tem uma expectativa positiva em relação à atuação da Finatec. “O credenciamento traduz um modelo de gestão aprovado no Congresso. Além disso, temos na UnB uma preocupação interna de exercitar com rigor e critérios todos os indicadores de supervisão e controle”, afirma. “Além disso, como já estava definido anteriormente, o Ministério Público vai fiscalizar todos os contratos da Finatec com valor acima de R$ 50 mil”.

 

“A diretoria da Finatec, com apoio da UnB e da comunidade, solucionou os problemas”, afirma Eva Waisros. “Agora é preciso que a Finatec exerça seu papel fundamental, de apoio à pesquisa na UnB”.

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