Francisco Dutra
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Para evitar o colapso do sistema de transporte público, o governo assumiu a gestão de empresas de ônibus, pela primeira vez na história brasiliense. A partir de decreto publicado no Diário Oficial do Distrito Federal, o GDF , por meio dos órgãos públicos Transportes Coletivos de Brasília (TCB) e Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), será responsável pela administração de três companhias do Grupo Amaral: Rápido Brasília, Rápido Veneza e Viva Brasília.
As linhas atendem cerca de 2,5 milhões de pessoas por mês. O governo não descarta intervir em outras empresas.
Segundo levantamentos do GDF, o Grupo Amaral estaria permitindo uma redução da frota de ônibus e não teria realizado os investimentos necessários. Para o governo, essa situação poderia levar a um colapso no serviço de transporte público.
Descumprimento
Conforme um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado junto ao Ministério Público, no ano passado, as três empresas deveriam ampliar a frota de 250 unidades para 350. Mas, na verdade, houve uma redução. Até a semana passada, apenas 186 veículos estariam operando.
O documento definia um atendimento com qualidade para 95% das viagens. Mais uma vez, o GDF constatou que este número ficou apenas entre 70% e 80%. A empresa também deveria investir R$ 880 mil, por mês, mas o GDF não identificou a aplicação. Em uma outra transgressão, ficou comprovado que os ônibus que deveriam rodar pelo DF estavam servindo a Região Metropolitana.
Metade da frota
“Para vocês terem uma ideia, ontem pela manhã, na garagem (do Grupo Amaral) no Paranoá, praticamente, a metade da frota estava em manutenção. Chegou-se a um ponto, que nós, para garantir e assegurar o funcionamento do transporte público, tivemos que assumir”, disse o governador Agnelo Queiroz.
Até agora, o governo afastou diretores e controladores de caixa das empresas, e garantiu os empregos. Também vai manter os pagamentos e respeitar os direitos dos funcionários. Para isso, vai reservar R$ 15 milhões.
A partir de agora, a receita será revertida para a manutenção da frota. O GDF se comprometeu a devolver o controle das três viações para o grupo. As três empresas arrecadam com passagem cerca de R$ 200 mil/dia.