Todo brasileiro adora futebol, certo? Errado. Tem gente que não gosta e sequer faz questão de acompanhar os jogos da Copa. Enquanto pessoas do mundo inteiro viajam, se reúnem em bares, restaurantes e na casa de amigos e familiares para torcer, alguns brasilienses contrariam o senso comum e preferem ler, ver filmes e até trabalhar à assistir as partidas.
No último jogo do Brasil, a estudante Juliana Venetto, de 18 anos, passou a partida inteira praticando vôlei com as amigas em uma quadra da Rua 301 Sul de Águas Claras, próxima a vários bares. “Como não fazemos questão de assistir os jogos, aproveitamos que a quadra fica vazia e menos disputada”, explica. Enquanto isso, os bares estavam lotados de torcedores.
Desânimo
O vendedor Gustavo Esteves Freitas tem 20 anos e, ao contrário de muitos colegas da mesma faixa etária, nunca acompanhou uma Copa do Mundo. “Nunca gostei de copas. Nesta do Brasil, em função de toda a corrupção durante a organização e construção dos estádios, estou mais desanimado ainda. Nos jogos anteriores fui com meu irmão e alguns amigos, que também não têm acompanhado a Copa, para a casa da minha prima. Tomamos banho de piscina, bebemos e conversamos. Nem ligamos a TV. No último, contra Camarões, fiquei no meu quarto, ouvindo música”, afirma.
Essa aversão à Copa do Mundo, no entanto, é algo que Gustavo compartilha apenas com os mais íntimos. “Quando falo alguma coisa, as pessoas acham que estou aumentando, ficam ofendidas, xingam, dizem que estou torcendo contra o meu País. Então, para evitar problemas, prefiro nem discutir”, completa.
Expediente segue
O engenheiro de software Theo Alves Monteiro, 27 anos, também não liga para a Copa do Mundo. Ele prefere trabalhar – por livre e espontânea vontade – à assistir aos jogos do maior campeonato de futebol do planeta. “Acho mais interessante produzir e ajudar a economia girar do que aumentar a audiência das emissoras de televisão que transmitem as partidas. No último jogo fiquei na empresa. Nas outras partidas do Brasil, li livros e assisti filmes”, conta o engenheiro.
“É muito tempo em frente à TV”
Katarina Kock, bióloga, de 37 anos, também não tem acompanhado os jogos. “Não gosto de futebol. Como é a seleção do meu país que está em campo, checo o resultado na internet depois. Os amigos também me mantém inteirada. O que eu não tenho é paciência para ficar 90 minutos na frente da TV assistindo 22 homens de um lado para o outro do campo”, brinca.
E é claro que amigos e vizinhos se aproveitam da disponibilidade de Katarina. “Às vezes fico com o filho da vizinha enquanto ela e o marido saem para assistir os jogos”, conta.
A dentista Jandira Ribeiro, 55 anos, não é completamente avessa ao esporte. “Acho bacana a festa, a torcida, só não acompanho os campeonatos nacionais e a Copa. Também não entendo nada sobre pontuação, grupos, essas coisas. Normalmente meu marido assiste as partidas na TV da sala, vidrado, enquanto eu fico no quarto, lendo, dormindo ou até cozinhando”, diz.
“NÃO VAI TER COPA”
No Facebook, uma comunidade intitulada “Não vai ter Copa” tem 29 mil seguidores. De acordo com os administradores “a página se propõe a trazer denuncias sobre violações de direitos e mau uso de dinheiro público nos países que recebem os megaeventos”.
Motivos para acompanhar
Na contramão dos desanimados, o jornalista Leonardo Filomeno compartilhou na página Manual do Homem Moderno (
www.manualdohomemmoderno.com.br), em maio deste ano, um texto que traz seis bons motivos para assistir a Copa do Mundo no Brasil. São eles:
1. Belas torcedoras (e torcedores) de várias partes do mundo.
2. Assistir a jogos históricos.
3. Treinar outras línguas.
4. Ver grandes craques do mundo em um só campeonato.
5. Ser dispensado do trabalho e fazer muita festa.
6. Revanche brasileira (pelo primeiro mundial disputado no Brasil, em 1950, quando a Seleção Brasileira perdeu para o Uruguai na grande final).