Júlia Carneiro
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Comemorando 35 anos do bloco carnavalesco do Pacotão, 26 marchinhas diferentes, todas tendo como tema a política brasileira, participaram do concurso na tarde deste sábado.
Depois de ouvirem todas as concorrentes, os 12 jurados – entre jornalistas, artistas e outros participantes – elegeram “Anjo torto”, a marchinha do jornalista Cicinho, a grande campeã. Nela, o compositor critica os problemas de corrupção ao longo da história do Distrito Federal, citando figuras políticas bem conhecidas pelo público.
A folia teve início às 14 horas, em frente ao Café da Rua 8, na 408 Norte, com entrada franca. Com direito a fila de inscrição, todos queriam cantar sobre diversos assuntos polêmicos, como Carlinhos Cachoeira, Agnelo, magistrados midiáticos, fulecos, PIB de diferentes tamanhos e os mensaleiros condenados.
Empenho
Os inscritos para o concurso tiveram as primeiras horas para ensaiar as músicas candidatas com a banda Podre do Pacotão antes que os jurados escolhessem as 10 melhores.
A tarde também contou com atrações do grupo Axé Dudu, banda Afro de Taguatinga, Banda Furiosa e convidados. Wilson da Silva, diretor do Bloco Pacotão, foi um dos candidatos com música que critica o mensalão. Outro participante foi o compositor Paulão de Varadero, que escreveu sobre o episódio em que a presidente Dilma se referiu ao PIB como “pequenininho”.
Paulão, também jornalista, está no Rio de Janeiro disputando outra marchinha para um bloco carioca, mas faz questão de participar do Pacotão por achar importante a tradição do carnaval brasileiro falar de política. “Ainda bem que conquistamos isso, porque na época da ditadura não podia falar nada sobre o governo”, lembra.