Nesta terça-feira (30), às 20h, na Sala Villa-Lobos, o tradicional Concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS), trará sinfonias do grande compositor Robert Alexander Schumann. Como solista, o pianista Janne Mertanen e a regência do maestro titular Ira Levin.
A primeira música de Schumann será ‘Abertura Genoveva op. 81’. “Sabe qual é a minha prece de artista da manhã até a noite? Ela chama-se a ópera alemã. É preciso concretizá-la”, escreveu Robert Schumann em 1842. Ele queria criar texto e música de uma qualidade tal que os “canários” italianos jamais sequer imaginaram. Meta dificílima, que tentou sem sucesso em sua única investida no gênero, “Genoveva”, que toma como assunto uma lenda renana da Germânia medieval. Ruminada durante toda a década de 1840, foi concluída em 1848 e estreada dois anos depois em Leipzig, sem grande sucesso. Jamais firmou-se no repertório. “É música de concerto, sem nenhuma força dramática”, escreveram na Nova Revista Musical. Corretíssimo. A abertura é a única parte da ópera que é modernamente executada. E pelas mais justas razões: é música instrumental da mais alta qualidade.
Logo após é a vez do ‘Concerto para piano e orquestra, em lá menor, op. 54’. O primeiro movimento, Allegro affetuoso, nasceu como uma fantasia sinfônica isolada em 1841, dedicada a Clara. Quatro anos depois, Robert utilizou-o no Concerto, finalmente dedicado ao pianista Ferdinand Hiller. Foi Clara, no entanto, quem estreou a obra em 1º. de janeiro de 1846, com a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig. O compositor qualificou-o de “algo entre o concerto, a sinfonia e a grande sonata”. Na verdade, já é um milagre que haja uma perfeita integração entre o primeiro movimento, escrito bem antes, e os dois movimentos posteriores, que são tocados sem interrupção. O piano, longe de assumir o papel de herói lutando contra a orquestra, integra-se a ela numa junção lírica raríssima de se conquistar no gênero. Pode, aliás, estar aí o segredo da imensa popularidade que a obra desfruta junto ao público e também junto aos músicos.
Fechando a noite, ‘Sinfonia nº 2, em dó maior, op. 61’ É curioso que Schumann tenha começado a trabalhar nesta sinfonia em julho-agosto de 1845, enquanto transformava a fantasia para piano e orquestra no concerto que estreou em janeiro seguinte. Embora fértil, este não foi certamente um período tranqüilo. Os primeiros sinais de sua doença mental começaram a manifestar-se de modo mais insistente. Tanto que ele escreveu o seguinte sobre a sinfonia: “Pode-se dizer que é a resistência do espírito que aqui se manifesta; procurei lutar contra o meu estado…” Ela estreou em novembro de 1846, em concerto regido pelo amigo Félix Mendelssohn à frente da Orquestra do Gewandhaus de Leipzig. E não obteve o sucesso que o compositor previra. Alguns críticos, no entanto, afirmaram que desta vez ele tinha igualado o Beethoven da Quinta Sinfonia. Elogio muito bem recebido, mas a extensão da sinfonia, sua longa introdução, a tonalidade dó maior e os sopros aos pares secundados por três trombones – tudo isso remete à Sinfonia no. 9 de Schubert, a Grande. Não foi uma coincidência, por dois motivos principais: Schumann adorava, simplesmente, a obra de Schubert; e a sinfonia só estreou em 1839, sob a batuta de Mendelssohn e a Orquestra do Gewandhaus, num concerto em que ele certamente estava presente. A afinidade aumentou quando ele assistiu a novas execuções da sinfonia de Schubert em 6 e 9 de dezembro de 1845. Em seguida, Schumann começou a trabalhar na sua, numa gestação de onze longos meses, misturada com manifestações claras de sua doença: ele ouvia, em seus delírios auditivos, trompetes em dó e timbales, segundo carta a Mendelssohn.
Esta é a preferida, entre as quatro sinfonias de Schumann, de compositores como Brahms e Tchaikovsky – e não sem razão. Um belo tema solene em dó maior abre o primeiro movimento, a cargo das trompas, trompetes e trombones. Ele reaparecerá, sempre na voz dos metais, no final do movimento, no final do Scherzo e no movimento final. O Scherzo é um notável moto perpétuo, que tem uma curiosidade: tem dois trios, em vez de um. O primeiro leve, o segundo camerístico, lembrando Mendelssohn.
O Adagio, um dos mais belos escritos por Schumann, tem no oboé um instrumento de destaque. E o Finale exibe um primeiro tema bem rítmico, que brinca com os compassos binário e ternário. É uma espécie de exaltação, que fica clara na segunda parte do movimento. O próprio Schumann confessa: “Foi só na última parte que me senti renascer; e de fato me senti melhor depois que terminei a sinfonia”.
Serviço
Concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. Terça-Feira (30), às 20h, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Regente: Ira Levin. Solista: Janne Mertanen. Entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria, até o limite de lotação da sala. Classificação indicativa: 12 anos. Informações: 3325-6232.