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Brasília

Comunidades do DF contribuem para manter a tradição dos arraiais

Arquivo Geral

28/06/2016 6h30

Josemar Gonçalves

Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br

Passado o Carnaval, as fantasias ganham outro colorido. A decoração, outro estilo. E as músicas, outro ritmo. Tudo adquire um toque caipira. Cada vez mais requisitadas no DF, as festas juninas ultrapassam o mês que lhes nomeiam. Hoje, os arraiás seguem até agosto com um público fiel e muita persistência dos quadrilheiros. O custo para manter o evento é alto, mas o investimento, de fato, pequeno.

Antes do projeto Brasília Junina, criado este ano pelo governo para conceder verba de R$ 12 mil às quadrilhas, até os grupos mais conhecidos sobreviviam apenas de doações. Mas a quantia é menor do que a necessidade. Segundo Patrese Ricardo da Silva Mendes, presidente da Formiga da Roça de São Sebastião, eles gastam cerca de R$ 80 mil por ano para manter a equipe.

“Sobrevivemos de apresentações particulares. Recebemos um valor simbólico para custear o transporte e o lanche dos dançarinos. É com esse valor que a gente tenta se manter”, informou Patrese. Em média, eles fazem três apresentações por noite aos fins de semana e recebem cerca de R$ 2 mil em cada. “O número de shows é bom, mas não custeia as despesas”, disse.

Além disso, a quadrilha se apresenta em eventos oficiais do GDF. “Neste caso, cobramos R$ 8 mil, mas oferecemos um espetáculo junino de uma hora com cenário completo e coreografias estilizadas. Ao todo, não chegamos a ganhar nem R$ 25 mil com os eventos”, explicou o presidente.

De acordo com ele, o problema é que o custo de uma quadrilha é bastante amplo. Fantasias, sapatos, transporte, lanche, equipamentos de som, coreógrafos e fotógrafos são apenas alguns dos gastos. “O público não faz ideia do investimento. Se não fossem os dançarinos, não conseguiríamos. Eles passam o ano vendendo rifas e água no semáforo e arrecadando doações da família e dos vizinhos. Nós não temos nenhum patrimônio, nem sede. Nos resta apenas muito amor pela cultura”, afirmou.

Patrese destacou a importância das quadrilhas juninas como um projeto social. Os ensaios tiram das ruas de São Sebastião crianças e adolescentes condenados à violência. “Recentemente, quatro pessoas morreram na cidade. Uma delas era um ex-dançarino da quadrilha mirim. Ele tinha 14 anos e levou quatro tiros na porta de casa. A mãe dele nos disse que, se ele estivesse ensaiando, talvez isso não tivesse acontecido”, relatou.

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Meses de preparação

Hoje, 120 pessoas compõem a Formiga da Roça, inclusive a quadrilha mirim. Indiretamente, a equipe conta com o apoio de costureiras. Após a definição do tema, todos começam a ensaiar em janeiro. Este ano, os quadrilheiros de São Sebastião se basearam na obra de Rachel de Queiroz para o tema: Do flagelo do Sertão aos milagres de São João. “Abordamos a questão da seca e dos retirantes do sertão e, depois, o milagre de uma vida melhor. São dois atos, portanto, dois figurinos e mais despesas”, acrescentou o presidente da Formiga da Roça, Patrese Ricardo.

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DF bem representado

Também em São Sebastião, a quadrilha Num Só Piscar, com 75 integrantes, carece de investimento. “Por ano, gastamos de R$ 60 mil a R$ 80 mil. O valor oferecido pelo governo ajuda, claro, mas é pouco. No Carnaval, são milhões para poucos dias, sendo que o São João dura três meses. As pessoas não têm noção, mas é caro manter um grupo”, diz o diretor Taire Oliveira.

O Nordeste começou a reparar nas quadrilhas do Centro-Oeste. A Formiga da Roça, por exemplo, foi convidada a se apresentar em Campina Grande, na Paraíba, na semana passada. O grupo teve as passagens e as diárias pagas pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

“Conseguimos levar 41 pessoas para o maior São João do mundo. O restante foi para o semáforo vender água para conseguir pagar a viagem. Isso é maravilhoso. Não deveríamos ter de sofrer tanto para fazer a nossa cultura aparecer. No total, 55 embarcaram”, disse o presidente da quadrilha de São Sebastião, Patrese Ricardo da Silva.

Este ano, o GDF começou a investir no São João da capital ao lançar o edital do projeto Brasília Junina, que selecionou 26 grupos. Segundo a Secretaria de Cultura, o investimento total é de R$ 312 mil em cachês e R$ 40 mil em estrutura.

As cidades são Ceilândia, São Sebastião, Paranoá, Itapoã, Plano Piloto e Sobradinho, sendo esta a responsável pela inauguração do projeto, na semana passada. Ceilândia também já recebeu as atrações, no último sábado. Cada região vai receber a apresentação de seis grupos e mais seis oficinas em escolas.

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O MAIOR SÃO JOÃO DO CERRADO

A décima edição do Maior São João do Cerrado ainda não divulgou a programação oficial, mas tem data: de 25 a 28 de agosto, no estádio Abadião, em Ceilândia. A festa, que é particular e tem como símbolo uma Kombi toda enfeitada, já é tradição. Segundo a Secretaria de Cultura, ainda não há uma definição sobre a participação da pasta no evento deste ano. Em 2015, o evento contou com patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC), na qual o Estado fomenta a produção artística por meio de isenção fiscal junto a empresas patrocinadoras. “A secretaria não teve participação direta na execução do evento”, explicou a assessoria do órgão.

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Serviço

Brasília Junina
02/07 – 19h – Paranoá – Praça Central – Quadra 1, lote 1
8/7 – 20h – Itapoã – às margens da rodovia DF 250
16/07 – 18h – São Sebastião – Ginásio São Francisco – DF-473
23/07 – 12h – Plano Piloto – Funarte – Área Externa – Eixo Monumental, Setor de Divulgação Cultural – Arraiá Bocadim de Tudo

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