A comunidade de Planaltina não vai deixar a chama da fé apagar. Dois meses após o incêndio que destruiu a Igreja Matriz de Santa Rita, moradores se unem para começar a reconstrução do templo. As paredes da igreja, agora completamente pretas, guardam resquícios da Via Sacra que um dia foi orgulho da comunidade. Obras religiosas com pedras semi-preciosas e a imagem de Cristo, que veio do Peru, foram destruídas. Bancos para dois mil fiéis ficaram em situação inutilizável e o telhado desabou. Mas a fé e a fraternidade só foram fortalecidas.
O incêndio, que ocorreu em 17 de maio, iniciou quando uma fagulha caiu no climatizador e se alastrou pelo forro do teto. Só havia três pessoas dentro da igreja e todas conseguiram sair a tempo. Entre elas estava o padre Dirceu, que hoje batalha para reerguer a igreja.
“O estrago foi muito grande, mas podemos tirar uma coisa bonita dessa tragédia, que é a mobilização da comunidade. Todos, católicos ou não, estão se unindo”, completa.
A comunidade já havia se mobilizado antes, para arrecadar dinheiro e reformar a igreja apenas um ano antes da tragédia. Mais uma vez unidos, os fiéis criaram uma comissão, sob a liderança do padre Dirceu, para vender rifas e entrar em contato com empresários que possam contribuir de alguma forma.
O professor Misael Barreto decidiu imediatamente fazer a sua parte para ajudar. Frequentador assíduo da igreja, ele estava dando aula, próximo ao templo, quando viu a fumaça. O sentimento de tristeza e desolação tomou conta dele, mas Misael decidiu dar a volta por cima rapidamente. “No mesmo dia começaram a surgir as ideias para a renovação. Nos unimos para impulsionar a comunidade e pensar nas ações que poderiam ser feitas”.
Venda de rifas para angariar fundos
Emocionado com a união da comunidade, Misael Barreto confessa que sente falta do espaço grande que a igreja tinha antes do incêndio. As missas que juntavam duas mil pessoas agora reúnem 600 em um local temporário. “Depois de termos um espaço grande fica difícil se adaptar a outra realidade. Mas a igreja não é algo físico, somos nós, e por isso continuamos a celebrar em comunidade”, afirma o professor.
O casal Maria Auxiliadora e Ciro Gonçalves se conheceu na igreja em 1966. O lugar mudou muito desde aquela época e eles sentem orgulho de terem ajudado a construir uma igreja ainda melhor no decorrer dos anos. Ciro não quis acreditar que o fogo que avistou de longe consumia o templo e chorou quando viu a destruição.
“Eu e o meu marido estamos distribuindo rifas nas pastorais. As pessoas estão comprando mesmo. Não só porque os prêmios são bons, mas para colaborar. Perdemos somente coisas materiais, que iremos conseguir repor, mas o lado espiritual, não. Esperamos que essa caminhada possa nos levar em direção a mais união”, diz Maria.
Pessoas de fora da comunidade também se sensibilizaram com a situação. A artista Tania Mazzoni é um exemplo. Ela ficou sabendo da tragédia por meio do noticiário e naquele momento decidiu fazer um trabalho voluntário para restaurar as obras da via sacra.
“Fiquei impressionada com a tristeza da comunidade e aquilo me atingiu. Fiquei hospedada na casa de uma senhora da comunidade e fui muito bem recebida. Fiz uma limpeza e preservei a arte original. O resultado foi muito bom”, diz.
Memória
O incêndio teve início por volta das 14h do dia 17 de maio, em uma construção onde funcionava uma antiga banca de revista, entre as quadras 3 e 4 da Vila Buritis.
Em pouco tempo o fogo atingiu a paróquia e assustou moradores, que filmaram e fotografaram a tragédia.
A igreja estava programando uma festa de encerramento da novena de Santa Rita e do Divino Espírito Santo para o mesmo dia.
Apenas cinco dias após o incêndio, no dia 22 de maio, seria celebrado o Dia de Santa Rita de Cássia, padroeira da paróquia.