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Brasília

Compulsão consumista: um poço sem fundo

Arquivo Geral

01/03/2013 9h04

Júlia Carneiro, com Agência Brasil
julia.carneiro@jornaldebrasilia.com.br

 

A alta da inadimplência nos últimos anos não está relacionada apenas ao crédito farto e à falta de educação financeira do brasileiro. Estudo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que a ansiedade e a insatisfação com a aparência estimulam as compras por impulso e elevam o risco de calote pelos consumidores.

 

Segundo o levantamento, fatores emocionais são o principal motivo que leva os brasileiros a consumir sem planejamento. Um total de 85% dos entrevistados adquirem bens por impulso e 43% admitiram comprar em momentos de ansiedade, tristeza e angústia.

 

Os motivos para a ansiedade são diferentes conforme a faixa de renda. Nas classes A e B, a ansiedade em relação a eventos que se aproximam, como festas e viagens, representa o principal motivo para as compras sob impulso. Os consumidores das classes C e D, no entanto, mencionaram a insatisfação com a própria aparência e a necessidade de exibir um estilo de vida não condizente com a renda.

 

Para a economista responsável pelo estudo, Ana Paula Bastos, o aumento da renda e da oferta de crédito contribuiu para o aumento dessa impulsividade. “Hoje, a população tem acesso a produtos e bens que não tinha. A inserção no mercado de trabalho e de consumo gera ansiedade”, disse.

 

SEM POUPAR

O estudo detectou que o brasileiro, apesar de se considerar preparado, não sabe lidar com dinheiro. O levantamento mostrou que 74% dos entrevistados não têm nenhum investimento, e 42% admitiram gastar tudo o que ganham, sem poupar. Nas classes A e B, 28%  não conseguem guardar dinheiro, contra 53% nas classes C e D.

 

Em relação ao comportamento durante as compras,  85% dos consumidores pedem algum desconto ao comprarem à vista. No entanto, a prudência não se repete nas compras a prazo. A maior parte dos entrevistados (37%) declarou não prestar atenção nas taxas de juros embutidas nos financiamentos, considerando apenas o valor mensal da prestação. Nas classes C e D, a desatenção com os juros é ainda mais marcante: 42%, contra 30% nas classes A e B.

 

Para evitar problemas, Ana Paula aconselha nunca gastar mais do que se ganha, evitar despesas supérfluas e guardar dinheiro para imprevistos, como desemprego e problemas médicos. Em compras caras,  adie o consumo por alguns meses para poder dar entrada maior e diminuir as  prestações.

 

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