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Brasília

Compras coletivas de material escolar fazem pais economizarem

Arquivo Geral

04/02/2015 6h30

A ideia de fazer compras coletivas parece mais adequada a um site de serviços. A criatividade e a observação, no entanto, tornam a prática bastante vantajosa para os pais e responsáveis que se deparam com a volta às aulas no Distrito Federal. Segundo adeptos da modalidade, a economia pode ser de até 50%, e o dinheiro restante pode servir para outros investimentos.

A professora Maria Fernanda Peregrino Raugusto,  33, moradora de Vicente Pires, descobriu a possibilidade de poupar há quatro anos, antes do nascimento do filho mais jovem, hoje com três anos. À época, seus outros dois meninos, de 11 e 18 anos, estavam na escola e já exigiam gastos substanciais com educação. 

“As pessoas não fazem isso por não conhecerem a opção e pela comodidade de comprar tudo em um mesmo lugar. Elas não têm tempo nem paciência para pesquisar”, acredita.

Amigas reunidas

A professora diz que costumava procurar material escolar no Taguacenter, onde geralmente encontrava muitas lojas que vendiam por atacado. “Só que eles ofereciam três peças juntas, por exemplo, quando eu só precisava de uma. Para conseguir pagar o valor menor, reuni amigas com filhos em idade escolar e fui às compras”, explica.

Maria Fernanda afirma que além do valor reduzido, ainda consegue desconto pagando à vista. Assim, em alguns anos, salva até 50% do montante designado para o material. “Menino gasta muito com uniforme. Passei a poder comprar três ou quatro roupas de colégio para cada um, por ter economizado antes”, explica.

Conjunto de ações faz a diferença

  O planejador financeiro do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCFP)  João Pessine Neto  acredita que a compra coletiva é um bom método de economia, mas aconselha aliá-lo a outras ações. “Se possível, por que não comprar fora da temporada de volta às aulas, quando o preço pode estar mais em conta devido à baixa demanda?”, levanta.
 
“Se as pessoas deixarem para última hora a compra desses produtos, isso já implica em pagar mais caro”, alerta. “Recomendo o uso de sites de comparação de preço pela internet”, completa. Ele lembra, porém, que muitas vezes os preços anunciados virtualmente podem não corresponder ao que se encontra nas lojas, portanto a boa e velha “batida de perna”, por mais tempo que consuma, também é recomendável.
 
De primeira viagem
 
A analista de relacionamentos do Laboratório Sabin  Eliane Guilherme da Silva, de 44 anos, fez compras coletivas pela primeira vez e aprovou após ver o resultado. “Economizei 30% agora, sendo que eu gasto mais de R$ 1 mil   só com material escolar por ano”, contenta-se. Seus principais gastos agora são com o filho de 13 anos, que acabou de ingressar o nono ano do Ensino Fundamental.
 
No caso de Eliane, sua empresa negocia diretamente com os fornecedores dos itens que necessita, de modo que nem mesmo o trabalho de pesquisar preços ela precisa ter. O valor é dividido  em quatro vezes sem juros no contracheque.
 
“Mesmo fazendo a busca pela internet, que é rápida, a gente perde tempo. É um serviço que melhora a qualidade de vida da gente”, elogia.
 
De acordo com a gerente de Pessoas do Sabin, Juliana Alcântara, o benefício é revertido para a empresa, já que o funcionário tem um motivo de estresse a menos. “Os pais nos confiam a responsabilidade de conseguir uma economia na compra dos materiais. É uma preocupação a menos para eles. Com isso, conseguimos manter a tranquilidade e o foco deles”, diz.
 
Dessa forma, Eliane dedica o tempo que sobra para pequenas atividades.  Apesar da facilidade, a analista revela que não deixa de conferir os itens listados. “Às vezes as escolas pedem   material desnecessário. Contesto principalmente materiais para fazer trabalho como cartolina, canetinha, que podiam ser  pedidos ao longo do ano”, disse.
 
“Daria para comprar um carro popular”
 
Beneficiada pela iniciativa do laboratório Sabin, Michelle Passos Costa Simão, supervisora de unidade de 34 anos, critica os preços praticados para os itens didáticos e é pessimista quanto ao futuro. “Por ano, daria para comprar um carro popular só com o que gasto em educação, talvez até dois. Minha filha foi para o Ensino Médio e vi mudança brusca de valores. Só os livros dela foram pra mais de R$ 3 mil no total”, relata, em referência a Maria Eduarda, de 15 anos.
 
A lista de compras escolares para seu outro filho, Marco Antônio, de oito anos, saiu por cerca de R$ 1,5 mil, já com os descontos da compra coletiva intermediada pela empresa. “A tendência é só ficar mais caro. Se não houver alternativa oferecida pelo governo para deixar o consumidor mais tranquilo, temos que buscar outros meios. Daqui a pouco as pessoas vão ter que pegar empréstimos e passar o ano pagando, porque não vai ter jeito”, projeta.
 
Para ela, pode não haver outro jeito, já que considera a educação “um dos únicos legados que você pode deixar para os filhos”. “Então tem que dar condições a eles. Não pode deixar a criança ir estudar sem ter onde escrever”, conclui.
 

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