Passagens aéreas pela metade do preço. Em busca de vantagens como estas, healing muitos se arriscam comprando milhagens aéreas de terceiros, more about oferecidas em grande quantidade nos classificados dos jornais, páginas da internet e até por algumas agências de turismo. Mas, apesar de não ser correta, segundo o Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Procon-DF), a prática não chega a ser ilegal. Mesmo porque cada empresa possui regras próprias e permite que as milhas sejam repassadas a pessoas que não são titulares da bonificação, embora vetem sua comercialização.
O escândalo envolvendo as passagens, milhagens e o uso abusivo no Congresso Nacional trouxe o assunto de volta à tona. Isso porque da mesma forma que os deputados e senadores, todos os servidores públicos que viajam a serviço acumulam milhas em seu nome, embora a passagem seja paga pelo governo (ou melhor, pelo contribuinte). E com tantas milhas por aí, o mercado paralelo de compra e venda ficou ainda mais aquecido nos últimos anos. Para muitos servidores, as milhagens convertidas em dinheiro viraram uma “gratificação extra”.
Dados de revistas especializadas como a Inside Flyer ou a Fast Company no setor aéreo mostram que pontos disponíveis nas companhias aéreas no mundo superam 8,5 trilhões, suficientes para um milhão de voltas em torno da Terra ou mais de 40 mil viagens ao Sol, de ida e volta. É o mesmo que dizer que o estoque de milhas acumulado passa dos US$ 700 bilhões.
Para quem não sabe, as milhagens são pontos que a pessoa adquire a cada viagem que faz. Dessa forma, com o acúmulo de pontos é possível adquirir outras passagens. No entanto, consumidores que compram milhas de terceiros devem ficar atentos. Isto porque além de incorreta, a venda de milhas por meio de sites da internet e classificados de jornais pode estar sendo feita por pessoas mal-intencionadas.
Além disso, segundo o presidente do Procon-DF, Ricardo Pires, a comercialização de pontos para viagem não pode ser encarada como uma relação de consumo. “Não há contrato firmado, nota fiscal ou algo parecido. Portanto, aquele que é lesado não tem a quem reclamar, somente à polícia”, explicou.
A reportagem do Jornal de Brasília selecionou alguns anúncios e entrou em contato com os responsáveis para saber como funciona o esquema. As milhas costumam ser vendidas em lotes de dez mil pontos que variam de R$ 400 a R$ 450 cada, dependendo da companhia escolhida. Segundo um dos vendedores, com cerca de 20 mil pontos já é possível fazer uma viagem de Brasília a Buenos Aires, na Argentina.
“O preço, porém, vai depender da tarifa cobrada na data da viagem. Mesmo assim, fica bem mais barato do que comprar a tarifa normal”, disse um deles. De acordo com ele, uma passagem de ida e volta para o mesmo destino e sem promoções, atualmente, acaba saindo a R$ 3 mil, em média.
À vista
Os anunciantes de milhas, porém, exigem que o pagamento seja feito à vista. Já a retirada do tíquete de viagem pode ser realizada pela internet ou na agência da própria companhia. “A prática não é ilegal pois muitos destes pontos estão para vencer. Só repasso aquilo que não consigo utilizar em meu benefício e nem da minha família”, explica R.M.L, 49 anos, que vende milhas aéreas há um ano.
O autônomo Paulo Márcio de Souza, 47, costuma viajar a trabalho pelo menos uma vez a cada duas semanas. Apesar de acumular muitos pontos, ele confessa já ter comprado milhas por intermédio de anúncios de jornais por duas vezes. “Fiz isso quando viajei a lazer, com a minha família, e precisei de mais pontos para reduzir ainda mais o valor das passagens. Acabei economizando um bom dinheiro em cada uma delas”, afirmou.