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Brasília

Como é a gravidez na adolescência em regiões periféricas do DF

Arquivo Geral

27/03/2019 11h50

Reprodução/Shutterstock

Moradora de Planaltina (GO), Laura de Lima, 16 anos, descobriu há sete meses que estava grávida. Ela conta que ficou “com medo dos pais não aceitarem” e quererem tirar o bebê. Normalmente, usava camisinha, mas nem sempre o casal lembrava. Além disso, a adolescente garante que sabia como funciona seu ciclo menstrual e que sempre recebeu educação na escola onde estudava.

Segundo dados da Secretária de Saúde, o Distrito Federal teve, em 2018, 7.096 partos de mães entre 10 e 19 anos, representando cerca de 8% do número total. Desses, os postos de saúde mais procurados são os Hospitais Regionais de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia e o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).

Yanna Pereira, de 19 anos, também moradora de Planaltina (GO), está grávida de oito meses, e contou que no primeiro momento, quando descobriu a gravidez, pensou que a vida tinha acabado. Ao contrário de Laura, Yanna utilizava pílulas anticonceptivas regularmente, mas, por “um descuido”, acabou engravidando. Ela revelou não pensar em largar os estudo e que, no colégio que estudava, não tinha nenhum projeto de prevenção.

Educação nas escolas

O Centro de Ensino Médio 02, em Ceilândia, oferece apoio às mães. A coordenadora Josiane dos Santos explicou que há três meninas de licença maternidade, com idades de 16 e 17 anos, nas séries do 1º e 2º ano. A professora acrescenta que as adolescentes não costumam abandonar os estudos, mas se acontecer o abandono, o colégio entra em contato com a família e o conselho tutelar.

Porém, há dois anos a unidade deixou de ter projetos de prevenção à gravidez e às drogas por falta de orientadores. Diretor do instituto da escola, Wilson Venâncio, relata já ter solicitado ao governo do DF um novo profissional da área para o centro de ensino. “A [antiga] orientadora trazia palestras com ginecologistas. Quando tinha alguma menina grávida, ela orientava ir ao posto médico e fazer o pré-natal”, explica.

Escola Centro de Ensino Médio 02, em Ceilândia (Foto: Agência UniCeub/ Reprodução)

Em outra região de periferia, a preocupação com as adolescentes faz com que o colégio Centrão, de São Sebastião, também tenha um programa de prevenção à gravidez. A escola tem 2905 alunos, dos quais 1005 são meninas. Pelo menos uma vez ao ano, o serviço de orientação educacional realiza programas voltados para discutir assuntos de sexualidade.

Mara Marçal, professora de geografia do Centrão, diz que sempre conversa com os alunos sobre o assunto, principalmente quando explica conteúdos de crescimento da população brasileira. “Eu falo diariamente. Hoje foram três debates em salas diferentes”, exemplifica. “As famílias não conversam, não têm diálogo, e quando a gente conversa nas aulas, os alunos ficam vermelhos, envergonhados.”

É preciso se prevenir

A ginecologista Luciana Côrtes diz que o melhor meio para não ter gravidez indesejadas é se prevenir. Além do mais, a gravidez indesejada “também atrapalha o projeto de vida da adolescente que engravida, tendo chance de uma nova gravidez em um a dois anos da primeira gestação”, conta. A médica explica que muitas meninas ainda não estão preparados para uma gravidez, principalmente na parte psicológica.

A Secretária de Saúde também informou que existem projetos e campanhas no DF. Isso inclui apoios psicológicos para meninas grávidas, oferecido nos hospitais públicos, e a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez não Intencional na Adolescência. O propósito é prevenir pelo caminho da educação com rodas de conversas, atividades e filmes educativos. (Com informações da Agência UniCeub. Lorena Cabral)

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