Lucas Dutra
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Nascidas de assentamentos e antes completamente subordinadas a Brasília ou às demais regiões administrativas de maior tamanho e volume para saciar anseios de lazer, comércio e saúde, por exemplo, cidades como Samambaia, Santa Maria e Recanto das Emas tornam-se cada vez mais independentes. Com a abertura de estabelecimentos atuantes em várias áreas comerciais, moradores deslocam-se menos à parte central do Distrito Federal.
Logo no acesso ao Recanto das Emas, redes de restaurantes famosas e inúmeros estabelecimentos varejistas recebem visitantes e moradores. Além disso, há supermercados, clínicas odontológicas e veterinárias, minishoppings centers, centros de educação profissionalizante e, inclusive, universitários, petshops e bancos de todas as bandeiras.
O Recanto das Emas tornou-se uma região administrativa em 1993, consequência do Programa de Assentamento do Governo do Distrito Federal. A área, que antes tinha pequenas chácaras – repletas de arbustos canela-de-ema, que originaram o nome da cidade –, deu lugar a 34 mil domicílios, onde residem 125 mil habitantes, de acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílio do DF (Pdad) de 2011. O crescimento econômico tem acompanhado o urbano, e moradores que reclamavam ausências comerciais ou problemas na área da Saúde agora comemoram a variedade.
O notável desenvolvimento comercial do Recanto das Emas tem levado para lá moradores de outras localidades. Morador do Riacho Fundo II, o aposentado Severino Rocha, 60 anos, frequenta o comércio local semanalmente. “Costumo vir procurar vestuários e calçados, principalmente. Existem as mesmas lojas de Brasília, mas com preços mais em conta. Até quando preciso de médicos ou dentistas procuro vir no Recanto das Emas”, comentou.
Quase sem diferenças
No Recanto das Emas, o gerente de uma loja de calçados, José Antônio, garante que não há muita diferença nas vendas dos estabelecimentos sediados em Brasília. “O movimento lá é o mesmo daqui. Não perdemos em nada. Hoje a loja parece cheia, mas está é vazia. Na primeira semana de pagamento o movimento dobra, triplica”, informou. De acordo com a Pdad, 15 mil pessoas trabalham no comércio do Recanto das Emas, o que representa uma quinta colocação entre as regiões administrativas do DF, atrás apenas de Taguatinga, Planaltina, Samambaia e Ceilândia.
Por conta de tudo isso, o motorista Maxwel dos Santos, 26 anos, revelou que não desloca-se mais para Brasília para ter acesso a serviços. “Tem barzinho, restaurante, fast foods e comércio de qualquer tipo. Só sentimos falta de lazer e de melhor atendimento na Saúde”, comentou.
Em Samambaia, a situação é similar. Também proveniente de assentamentos irregulares, a região administrativa foi inaugurada em 1985 e há alguns anos chama atenção pelo desenvolvimento econômico. Anúncios de empreendimentos e plantões de vendas de imóveis tomam conta das avenidas.
Segundo a corretora de imóveis Alicia Rugnitz, uma série de particularidades destaca a cidade. “Há estações de metrô e a proximidade com Ceilândia e com a BR-070. O metro quadrado é barato, se comparado com outras cidades. A expectativa é de que aqui seja um boom imobiliário, como uma segunda Águas Claras”, apontou.
Nas quadras comerciais, há um cenário semelhante ao do Recanto das Emas. Muitas franquias, restaurantes e lojas diversas atendem à população de 201 mil habitantes, distribuídos em 60 mil domicílios. A Pdad somou quase 23 mil pessoas atuantes no comércio de Samambaia.