Menu
Brasília

Comércio varejista no DF tem alta de 1,6% 

Equipamentos e materiais para escritório foram os grupos que registraram maior volume de vendas

Vítor Mendonça

16/07/2026 16h37

comercio agencia brasilia 2

Foto: Agência Brasília

O volume de vendas do comércio varejista no Distrito Federal registrou aumento de 1,6% em maio de 2026 frente a abril. O resultado representa uma retomada do crescimento, após variação negativa da taxa registrada no mês anterior. O número é maior que o nível nacional, em que as vendas no comércio varejista registraram 0,1%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação foi o grupo de atividades com maior volume de vendas, marcando 238,8%.

Na série sem ajuste sazonal, frente a maio de 2025, o volume de vendas variou 6,2% na capital federal. A variação acumulada no ano foi de 7,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o acumulado nos últimos 12 meses registrou alta de 4,9% na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores.

Em relação ao comércio varejista ampliado – que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo – o volume de vendas em maio se manteve estável (0%) ante abril. Comparado ao mesmo mês de 2025, o varejo ampliado avançou 6,3%. 

Na avaliação da pesquisadora e professora de economia da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Mello, esse cenário se explica devido a uma maior resiliência do Distrito Federal em relação ao restante do país. 

“Acho que existem alguns fatores, como a estabilidade do mercado de trabalho e a grande participação do setor público na economia, que conferem características muito específicas ao Distrito Federal e podem ajudar a explicar essa diferença em relação ao cenário nacional. Ainda assim, cabe observar os próximos meses para ver se esse é um padrão que vai se constituir”, detalha.

Das oito atividades avaliadas, seis registraram um aumento no volume de vendas em relação a 2025. Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação lideraram a lista, com 238,8%. Logo em seguida aparecem livros, jornais, revistas e papelaria (38,9%). No terceiro lugar figuram artigos de uso pessoal e doméstico (15,2%). 

O número chama atenção e pode estar associado a alguma compra específica, talvez do poder público. O volume também pode estar muito ligado à renovação de equipamentos, ou à uma tendência maior de trabalho híbrido, analisa Mello.

“É difícil atribuir uma causa específica sem fazer um estudo sobre o assunto. Cabe verificar melhor o que está acontecendo: é preciso entender a série histórica para ver se houve algum momento mais baixo nos meses anteriores, se há alguma especificidade, alguma sazonalidade nesse número. O dado mostra uma renovação, uma mudança nos equipamentos, e aponta talvez para uma tendência de trabalho híbrido, mas é difícil afirmar com certeza”, explica. 

Por fim, o grupo de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (6,3%); móveis e eletrodomésticos (5,0%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (4,4%). Os únicos que apresentaram variação negativa na comparação interanual foram os combustíveis e lubrificantes (-3,5%), seguido pelos tecidos, vestuário e calçados (-3,8%) que registrou a primeira queda, após duas altas consecutivas.

Segundo Mello, esse fenômeno pode ser reflexo de um aumento na renda real disponível das famílias, mas também pode representar um aumento de necessidades, algo que esteja por trás desse crescimento do consumo.

“Esse consumo em alguns componentes pode representar uma redução em outros; pode ser também uma mudança na cesta de consumo dessas famílias. De qualquer forma, eu olharia para esse número com algum cuidado, porque observamos um aumento no endividamento das famílias e um aumento na inadimplência, então é difícil que isso seja uma tendência perene, que se mantenha”, acrescenta.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado