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Brasília

Comércio do DF entra na reta final do ano de olho em Black Friday e Natal

Com vendas em alta ao longo de 2026, lojistas reforçam estoques e se preparam para Black Friday e Natal, mas encontram consumidor mais atento ao orçamento

Isabele Mendes

07/10/2026 20h24

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Foto: Isabele Mendes/ Jornal de Brasília

Com a chegada do último trimestre, o comércio do Distrito Federal entra na temporada mais aguardada do ano com perspectiva de ampliar as vendas. Lojistas começam a reforçar estoques, organizar promoções e preparar equipes para a sequência de datas que passa pela Black Friday e chega ao Natal. O cenário é positivo: entre janeiro e julho, o volume de vendas do varejo brasiliense cresceu 7,6% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resultado acima da média nacional, de 1,8%.

O movimento deve ganhar força a partir de novembro. Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), é nesse período que as empresas intensificam o recebimento de mercadorias e a contratação e o treinamento de equipes extras para o Natal. A estimativa é de que o quadro de funcionários aumente cerca de 30% durante as festividades, principalmente nos segmentos com atendimento direto ao público.

A expectativa favorável também é sustentada pelo desempenho do mercado de trabalho e da renda. Indicadores da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apresentados pelo Instituto Fecomércio-DF mostram que a percepção dos brasilienses sobre emprego atual alcança 122,9 pontos, enquanto a avaliação da renda chega a 119,1. Os dois indicadores estão acima dos 100 pontos, patamar considerado de satisfação.

Lojas se antecipam


Na prática, a preparação começa antes de o consumidor perceber as mudanças nas vitrines. Ranny Mansour, de 28 anos, proprietário de uma unidade do Shopping dos Colchões, conta que o histórico de vendas ajuda a decidir quais produtos precisam chegar em maior quantidade.

“Quando vai chegando essa época, principalmente de fim de ano, o comércio tende a proporcionar essas promoções”, explica. Segundo ele, os produtos com maior saída recebem atenção especial no planejamento do estoque, principalmente porque parte dos clientes espera justamente esse período para realizar compras que foram adiadas ao longo do ano.

A Black Friday será uma das primeiras grandes provas para o varejo. A CDL-DF aposta na combinação entre descontos em produtos de coleções anteriores e a chegada de itens novos como forma de ampliar as opções para o consumidor. Neste ano, porém, ofertas muito agressivas podem ser mais restritas devido à pressão dos custos fixos e financeiros sobre as empresas.
Por isso, a disputa pelo cliente não deve ficar limitada ao valor estampado na etiqueta. “A gente tenta fazer com que o orçamento caiba no bolso do cliente final”, afirma Mansour. Parcelamentos sem juros, rapidez na entrega e atendimento aparecem entre as alternativas usadas pela loja para tornar a compra mais atrativa.

Vestuário, calçados, supermercados, eletroeletrônicos, perfumaria, cosméticos e artigos para presente estão entre os segmentos que devem concentrar parte importante do movimento nos próximos meses, conforme avaliação do Instituto Fecomércio-DF. Na Black Friday, smartphones, televisores, eletrodomésticos e equipamentos de informática costumam ganhar espaço. Já no Natal, as compras se espalham por diferentes categorias e faixas de preço.

Compra planejada


Do outro lado do balcão, Jéssica Alves, médica veterinária, já começou a fazer as contas para as compras de fim de ano. Neste ano, ela pretende esperar a Black Friday, pesquisar preços e reduzir o valor dos presentes para não comprometer o orçamento.

“Querendo ou não as coisas estão muito caras, mas como final de ano é sempre muito festivo, eu tento comprar nem que seja um lembrancinha para presentear algumas pessoas, e sempre de olho nas promoções, que tem muito nessa época também”, conta.

A estratégia adotada por Jéssica, ajuda a traduzir um comportamento identificado pelos indicadores econômicos. Apesar do avanço das vendas, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da CNC, está em 98,7 pontos no Distrito Federal, abaixo da zona de satisfação. O índice referente ao momento para aquisição de bens duráveis é ainda menor, de 61,3 pontos, sinal de menor disposição para assumir compras de valor elevado ou parcelamentos longos.

Para a CDL-DF, juros e inadimplência estão entre os principais fatores que limitam o consumo neste momento, por reduzirem a parcela da renda disponível para novas despesas. Nesse contexto, condições de pagamento e descontos podem ser decisivos para transformar a intenção de compra em venda.

13º entra nas contas


A chegada do 13º salário deve acrescentar dinheiro à economia local, mas o recurso terá de disputar espaço com outras despesas. A avaliação do Instituto Fecomércio-DF é de que a renda extra tradicionalmente se divide entre consumo de fim de ano, pagamento ou renegociação de dívidas e formação de reserva para gastos que chegam logo em janeiro, como IPTU, IPVA, matrículas e material escolar.

As pesquisas específicas do Instituto Fecomércio-DF sobre Black Friday, Natal e contratação temporária ainda estão em levantamento e, por isso, a entidade não antecipou projeções de intenção de compra.

Até lá, comerciantes se organizam para aproveitar o período mais importante do calendário varejista. Para Mansour, a expectativa é de crescimento em novembro e dezembro. “A gente sempre tem que ter a visão de que vai ser melhor do que o ano passado”, afirma. Entre estoque reforçado, promoções e novas formas de pagamento, o desafio será convencer um consumidor que ainda quer comprar, mas pretende fazer as contas antes de chegar ao caixa.

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