Fábio Magalhães
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Apesar de ser uma das unidades da Federação em que as distâncias entre as cidades são relativamente curtas, se comparadas a outros estados, andar a pé ou de bicicleta no Distrito Federal não é uma tarefa fácil. Ao mesmo tempo, utilizar o transporte público, para muitos, se tornou uma grande dor de cabeça.
Para incentivar o uso dos sistemas alternativos de transportes, o movimento denominado Dia Mundial Sem Carro, comemorado hoje, propõe ao cidadão uma reflexão sobre os problemas urbanos causados pelo uso intenso de automóveis. O movimento sugere também que, ao menos neste dia, as pessoas deixem o carro na garagem e utilizem meios de locomoção sustentáveis.
Gerente de loja em um shopping da via Epia Sul, Carlos Lima, 38 anos, utiliza o carro para ir trabalhar todos os dias, mas aceitou o desafio proposto pelo Jornal de Brasília de utilizar o transporte coletivo durante um dia inteiro. Morador do Setor QNG, em Taguatinga Norte, Lima está acostumado a gastar 20 minutos de carro para chegar ao trabalho.
Saiu de casa mais cedo para não chegar atrasado e, às 9h já enfrentou o primeiro obstáculo: uma caminhada de cinco minutos. Em seguida, uma espera de dez minutos para pegar um ônibus que passasse pela Avenida Comercial Norte de Taguatinga, rumo ao centro da cidade, onde utilizou os serviços do metrô até a Estação Shopping.
Viagem em pé
O motivo da troca de transporte foi devido à falta de ônibus para o local de trabalho. “O único que passa diretamente no meu trabalho demora muito e os horários não são certos”, diz.
No ônibus, o percurso até o centro de Taguatinga durou 15 minutos e ele conseguiu um dos últimos acentos livres. Já no metrô, mesmo passando por sete estações, o tempo de viagem foi o mesmo, mas, por falta de espaço, nosso convidado teve de viajar em pé.
Ao chegar ao final de seu itinerário, Lima precisou caminhar da Estação Shopping ao centro comercial por um túnel sobre a via Epia. Para percorrer este caminho, a passos apressados, foram gastos mais 15 minutos, fazendo-o concluir o trajeto e abrir sua loja dez minutos atrasado.
Para Lima, o transporte público tem um conjunto de fatores negativos que passa pela falta de planejamento, frota insuficiente e esbarra, ainda, na má educação dos usuários. Ao chegar ao trabalho, o comerciário afirmou ser cansativo utilizar o transporte coletivo e garantiu que, a partir dessa experiência, tornou-se impossível ser adepto da corrente do Dia Mundial Sem Carro no DF. “Em ocasiões normais não deixaria meu carro em casa para andar de ônibus. Demora muito, é cheio, não passa no horário e é caro. Recebo apenas R$ 6 por dia para trabalhar”, ponderou.
Voltando do trabalho, Lima refez o percurso a pé até o metrô, na Estação Shopping. Seu destino agora era a faculdade, que fica próximo à Estação Águas Claras. Às 19h20, ele não encontrou dificuldades para entrar no trem e logo chegou ao local. Contudo, na volta para casa, às 22h05, nenhum ônibus fazia o trajeto que ele precisava. Depois de esperar 45 minutos no ponto, ele foi para o metrô novamente e desembarcou na Estação Praça do Relógio.
Cansado de esperar e indignado, o comerciário teve de recorrer à ajuda de sua esposa que foi buscá-lo de carro. “Perdi muito tempo nos deslocamentos e isso é cansativo. Foi uma experiência horrível”, constatou.