Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal mostram que o pico da epidemia de dengue em Brasília será em março, mesmo mês do começo das aulas na universidade. O campus Darcy Ribeiro é vizinho da Vila Planalto, área com maior incidência de casos da doença no Plano Piloto.
As coincidências geográficas e o aumento da circulação de pessoas no início do semestre letivo acenderam o alerta dos técnicos da universidade. Há três semanas, eles preparam uma campanha de combate ao Aedes aegypti. Nesta segunda-feira, 22 de fevereiro, a Prefeitura do Campus começou ações de manejo ambiental, com poda de árvores, limpeza de gramados, telhados e bueiros, além da identificação dos criadouros do mosquito.
A partir da semana que vem, durante oito dias, a Vigilância Ambiental treinará funcionários da UnB para destruir as larvas e mosquitos. O caso da universidade demanda uma série de cuidados, porque há departamentos que trabalham com insetos para pesquisa e que não podem sofrer a ação de pulverização com borrifadores, a forma mais comum de combate do mosquito. “Temos que trabalhar com a parte de limpeza para combater as larvas. Para combater o mosquito, é necessária a pulverização com veneno, mas serão tomados todos os cuidados para preservar as coleções de insetos dos laboratórios”, disse José Sérgio de Souza, prefeito interino.
A Secretaria de Saúde ainda não mapeou os focos do Aedes aegypti no campus, mas a comissão de combate à dengue da UnB admite que a própria arquitetura dos prédios favorece a reprodução das larvas, já que nem todos os reservatórios são aparentes. “Nós sabemos que nós temos focos aqui no campus”, disse Gilca Starling, diretora de Saúde e coordenadora da comissão. O grupo reúne representantes do Hospital Universitário de Brasília, Diretoria de Saúde e Prefeitura. Em reunião na noite desta segunda-feira, foram definidas três ações estratégicas para erradicação do mosquito.
Uma das ações será um treinamento com os profissionais de saúde para atendimento das pessoas com dengue. Outra ação é o manejo ambiental, incluindo a limpeza de todos os espaços propícios à reprodução do vetor. A terceira ação é a mobilização social, que será realizada por meio do esclarecimento da comunidade e da escolha de multiplicadores dentro das diferentes unidades acadêmicas.
“O maior desafio é a estratégia de sensibilização da sociedade, para saber o que é a dengue”, diz Gustavo Romero, diretor do HUB. Para responder a esse desafio, será realizada uma campanha dentro da UnB, com vídeos, folderes e cartazes espalhados pela universidade.