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Brasília

Combustível tem repasse integral na bomba

Arquivo Geral

31/01/2013 9h50

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

 

O repasse integral do reajuste dos combustíveis autorizado pelo governo pegou o brasiliense de surpresa. Na capital, o aumento de 6,6% nas refinarias está sendo aplicado diretamente aos consumidores nos postos. O preço da gasolina, que até terça-feira custava R$ 2,85, foi revisado para R$ 3,04. O acréscimo de R$ 0,19 no abastecimento de veículos deixou motoristas insatisfeitos. Já o óleo diesel estava sendo repassado a R$ 2,39.  

  

Postos de gasolina na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), Candangolândia e no Riacho Fundo I já estavam operando com os novos valores. Em outros estabelecimentos do Plano Piloto, como alguns na Asa Norte e na Asa Sul, os preços eram os mesmos de antes do reajuste.

 

Em nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF) afirma que o mercado é livre e o preço final será determinado pelo valor do reajuste a ser repassado aos postos pelas distribuidoras de combustíveis, com a entrega de novos estoques. 

 

Desemprego

Já o Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do DF (Sinpospetro-DF) teme que o au mento cause redução das vendas, culminando em um possível desemprego dos funcionários, em função da queda nos lucros. Segundo o presidente do sindicato, Carlos Alves dos Santos, o acompanhamento das vendas está sendo realizado com cautela. “Esperamos que na nossa data-base de reajuste salarial, em março, os patrões não aleguem problema com lucro, uma vez que será um prejuízo considerável”, aponta.

 

Na tarde de ontem, a nutricionista Marina Santos, 26 anos, preferiu abastecer com álcool. “É um absurdo um preço tão alto como esse. O aumento maior deveria ter ficado apenas nas refinarias. Agora a opção é não utilizar o carro diariamente”, aponta.

 

Mais etanol na mistura

O Governo Federal vai elevar a parcela de etanol na mistura da gasolina, dos atuais 20% para 25%, a partir de 1º de maio, como uma forma de atenuar o impacto do reajuste dos combustíveis ao consumidor. O estímulo às usinas de cana-de-açúcar veio acompanhado de um aviso do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão: aumentos “abusivos” de preços da gasolina nos postos de combustíveis serão fiscalizados “com rigor”.

 

“O aumento de preços foi de 6,6% nas refinarias, então não pode chegar a 10%, por exemplo, nos postos. O mercado é livre, mas não pode se exceder. O governo vai fiscalizar com rigor”, disse Lobão, depois de uma reunião com representantes do setor sucroalcooleiro e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

 

Não vai atrapalhar

Pouco antes do encontro, Mantega afirmou que o aumento dos combustíveis na bomba deve ficar próximo a 4%. “Os postos vão passar 4,4% de aumento, porque tem a mistura de etanol”, afirmou Mantega. Segundo ele, de 2006 a 2012, o preço da gasolina subiu 6%. “É uma elevação modesta, uma pequena correção que não vai atrapalhar ninguém”, disse.

 

O impacto do reajuste anunciado na terça-feira pela Petrobras no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – indicador que baliza a política de metas de inflação – deve ser de 0,16 ponto porcentual, pelas contas da Fazenda.

 

As empresas apresentaram aos ministros a estimativa de que a safra de cana deste ano, cujo auge da colheita ocorre entre junho e agosto, representará uma produção de até 27 bilhões de litros de álcool.

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