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Brasília

Combinação perigosa, lamentável resultado

Arquivo Geral

07/02/2014 7h00

Tudo parecia resolvido, quando, de repente: um estrondo. Água. Gritaria. A borracha de uma adutora da Caesb que se rompeu na noite da última quinta-feira, na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), e parecia ter sido   reparada, voltou a se soltar quando o sistema foi religado, no final da manhã de ontem. Com a separação entre as partes do cano ocorreu um violento estouro. A força da água feriu cinco  dos seis funcionários que trabalhavam no local. Um deles, Luciano Almeida da Silva,   36 anos, foi sugado com o empuxo provocado pela explosão. Ele foi socorrido e levado, por um helicóptero do Corpo de Bombeiros, para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), mas não resistiu.

De acordo com funcionários da Geo Brasil, que presta serviços para a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), os consertos referentes à primeira ocorrência já estavam praticamente concluídos quando tudo aconteceu. “Quando fomos dar carga no sistema (religar), a borracha que une uma adutora a outra saiu de novo e água começou a jorrar, foi desesperador”, contou um deles. 

Após o forte barulho, provocado pelos jatos de água que escapavam ferozmente pela fresta da adutora, bastaram pouco mais de 40 segundos para que a água alagasse completamente o espaço em que fica alocado o cano, formando uma cascata que desembocava na parte inferior do viaduto de ligação do Guará Park a Vicente Pires. 

Primeiros socorros

O major do Corpo de Bombeiros Heloísio Nascimento  informou que Luciano, um dos chefes da equipe designada para o reparo, foi puxado e arrastado por, pelo menos, mais três metros do local onde estava inicialmente. Colegas do operário prestaram os primeiros socorros até a chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros. Os socorristas   tentaram reanimá-lo por cerca de 30 minutos, antes de encaminharem-no ao hospital, já em estado grave após parada cardiopulmonar. 

Queda de dez metros

Mais dois trabalhadores foram lançados de cima do viaduto – uma altura de quase dez metros – pela força da água. Um deles, Uberval Pereira da Silva, quebrou o fêmur da perna esquerda. Gildemar da Rocha e Ivair Ferreira da Silva também foram encaminhados ao Hospital de Base, mas tiveram ferimentos leves. Flávio Henrique de Matos chegou à unidade de saúde em estado mais grave, após sofrer afogamento, e foi sedado e entubado no início da tarde.

Saiba Mais

A pressão da água que passa pelos tubos da adutora, feitos de ferro fundido, é superior a 13 Mpa (MegaPascal). Na prática, isso significa que se fosse feito um buraco em algum ponto deste cano, a altura que o jato alcançaria ultrapassaria 130 metros.

Apesar das alegações de inexperiência, pelo menos dois dos cinco envolvidos diretamente com a tragédia de ontem tinham longo tempo de prestação de serviço à Caesb. Gildemar servia a companhia, por diferentes contratantes, há 14 anos, enquanto Uberval tinha mais de 20 anos de experiência.

O diretor do Sindágua, Jeferson Lima, porém, afirma que isso é exceção, não a regra, e clama que a companhia contrate mais servidores em vez de investir em terceirização.

Serviço posto em xeque
A prestação de serviço dos funcionários vitimados pelo rompimento da adutora na EPTG foi posta em dúvida pelo Sindicato dos Trabalhadores da Caesb (Sindágua). De acordo com Jeferson Lima, diretor da entidade, a companhia não pode, legalmente, terceirizar a manutenção de adutoras, bem como uma série de outros serviços, mas o faz por meio de licitações emergenciais, que não duram mais do que seis meses.
 
“Como as empresas não ficam por muito tempo, os funcionários não têm a mesma experiência que os membros do quadro da Caesb, que fazem cursos específicos”, denuncia. Ele acredita que esse é um dos motivos da tragédia. Seriam necessários bombeiros hidráulicos industriais para executar o serviço.
 
Ele também apontou outros problemas: “A rede é velha e não é feita manutenção preventiva, só corretiva”. O engenheiro civil e consultor do Sindágua, Adauto Santos, apresentou, ainda, outras possíveis falhas: “Pelo que um dos operários falou, os homens estavam colocando o bloco de ancoragem quando a adutora foi posta em carga”, explicou. Os blocos garantem a estabilidade dos tubos quando submetidos à pressão da água. Mal posicionados, podem gerar o rompimento. “A Caesb sabia dos riscos”, garantiu.
 
A companhia, no entanto, classificou as acusações como absurdas e disse que não se pronunciaria.
 
 
 
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