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Brasília

Combate à ocupação irregular

Celestino Fracon, novo presidente da da Ademi-DF, diz que seu foco será a luta contra a grilagem

Amanda Karolyne

15/09/2025 11h06

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Celestino Franco Junior, presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF).

O novo presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Celestino Fracon Junior, compartilhou, em entrevista ao Jornal de Brasília, suas expectativas para a gestão 2025-2027. Ele abordou o cenário do setor imobiliário, os novos empreendimentos, as leis que garantem segurança jurídica para a construção civil no DF e, principalmente, a luta do setor contra a grilagem e as ocupações criminosas de terras.

Depois de seis anos como vice-presidente administrativo e financeiro da entidade, Celestino vê sua recente eleição como uma realização profissional. Para os próximos dois anos, seu foco será continuar a combater a ocupação ilegal, garantir áreas e terrenos regulares para a população e apoiar a revisão do arcabouço legal junto ao poder público, promovendo avanços que beneficiem o setor e a sociedade como um todo.

A Ademi-DF é uma entidade que reúne as empresas de construção civil e também exerce o papel de representação do setor junto ao poder público, defendendo o bom funcionamento do mercado e a prestação de serviços de qualidade. “Temos um mote importante: se algo é bom para Brasília, é bom para a gente; se não é bom para Brasília, não é bom para a gente”, explicou Celestino.

O empresário considera que o início de sua gestão na Ademi acontece em um momento de virada para o setor. “O BRB já sinalizou uma queda, ainda que pequena, nas taxas de juros do crédito imobiliário, e a expectativa é que a Taxa Selic também comece a cair em breve”, afirmou. Ele avalia que, mesmo com juros ainda altos, o cenário atual é de otimismo. “A boa notícia, inclusive anunciada na nossa posse, é a inflexão da curva dos juros. Saímos do viés de alta e agora há uma tendência de recuo, o que melhora o ambiente para quem quer comprar ou vender um imóvel”, aposta.

O presidente reforçou que uma das principais bandeiras da entidade é a defesa da legalidade e o combate à ocupação irregular, o que impacta diretamente na preocupação quanto ao meio ambiente. Segundo ele, todos os empreendimentos do setor formal seguem rigorosamente a legislação ambiental, justamente por estarem inseridos em processos de aprovação que exigem o cumprimento de todas as normas.

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Celestino Franco Junior, presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF). Foto: Telmo Ximenes – Divulgação Ademi-DF

“A partir do momento em que só construímos em terrenos 100% regulares, automaticamente todo o viés ambiental é respeitado. Todas as licenças são tiradas, tudo é feito de acordo com o rito legal”, destacou.
Celestino salientou que é preciso separar com clareza as construções regulares das irregulares, porque elas, sim, causam impacto ambiental negativo.

Ele acredita que o enfrentamento dessa realidade passa pela oferta de alternativas viáveis e legais, e citou a importância do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) nesse quesito, pois ele vai tratar da regularização dos terrenos. “Brasília precisa virar essa página. Temos que dotar a cidade de terrenos regulares que possam competir em preço com os irregulares, para acabar com esse mercado ilegal”, frisou.

Arcabouço legal

Celestino elogiou a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) em relação ao impacto positivo para o setor de construção civil e toda a sociedade, com as obras em andamento na cidade. “Foi um governo espetacular para o setor. A quantidade de intervenções é enorme e tem trazido melhorias reais para o trânsito e para o desenvolvimento urbano”, afirmou.

Com a bandeira contra a irregularidade fundiária, Celestino reforçou que, desde que Ibaneis assumiu o cargo, teve o compromisso de revitalizar e realinhar todo o arcabouço legal para dar mais segurança jurídica ao setor. “E nós apoiamos muito isso e participamos de toda essa atualização dentro do que nos cabe. Já tivemos grandes legislações que foram atualizadas, como a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), no primeiro momento, depois veio a atualização do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), em seguida a nova Lei de Parcelamento do Solo, e agora é a vez do PDOT, que talvez seja a mais importante de todas”, salientou.

Ele lembrou que a revisão do PDOT já está com seis anos de atraso. “Ela deveria ter acontecido em 2019.

Hoje estamos com 16 anos do PDOT vigente, e a cidade já mudou demais nesse período”, observou.
Para Celestino, a atualização do plano é essencial, já que a legislação atual não reflete mais a realidade urbana do Distrito Federal. “É uma lei que não está mais aderente à Brasília de hoje, por isso essa revisão é tão importante”, disse. O texto já passou pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Complan), e agora está na Câmara Legislativa.

Vem aí um novo bairro todo planejado na capital

O projeto do Setor Jockey Club, localizado na antiga área do Jockey Club de Brasília, promete transformar uma região estratégica da capital em uma nova “centralidade” urbana, segundo Celestino Junior. O presidente da Ademi-DF contou ao JBr que, com cerca de 2,2 milhões de metros quadrados, o setor terá capacidade para abrigar até 52 mil moradores em prédios residenciais com altura entre seis e dezoito pavimentos.

A área está situada entre Vicente Pires, a EPTG e a Estrutural, em um ponto privilegiado de conexão viária.

O projeto urbanístico foi elaborado e doado pela Ademi ao GDF, com desenvolvimento técnico sob coordenação da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). “O Jockey é um projeto maravilhoso, pensado com todo o rigor técnico e legal. Foi desenvolvido com participação do setor privado, mas quem conduz é o poder público. Nós só sinalizamos o que o mercado e a população buscam”, afirmou.

Além da verticalização planejada, o projeto inclui dois parques urbanos – um deles com 100 mil m² no centro, com o formato do antigo hipódromo –, seis praças e duas grandes avenidas que atravessam o bairro, conectando-o ao Setor de Inflamáveis e demais regiões adjacentes.

Celestino explicou que esse é um modelo de cidade pensado para funcionar. “Vai melhorar o trânsito da região com novas vias e equipamentos públicos”, destacou. A expectativa, segundo ele, é que as primeiras licitações públicas de lotes ocorram até o início de 2026, com obras de infraestrutura iniciando em seguida.

Os primeiros empreendimentos podem começar a ser entregues entre 2029 e 2030, a depender do ritmo do mercado. “Tudo foi planejado: transporte, mobilidade, ciclovias e até uma futura integração com o trem urbano e o metrô. Agora, cabe ao poder público executar”, completou.

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