O novo presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Celestino Fracon Junior, compartilhou, em entrevista ao Jornal de Brasília, suas expectativas para a gestão 2025-2027. Ele abordou o cenário do setor imobiliário, os novos empreendimentos, as leis que garantem segurança jurídica para a construção civil no DF e, principalmente, a luta do setor contra a grilagem e as ocupações criminosas de terras.
Depois de seis anos como vice-presidente administrativo e financeiro da entidade, Celestino vê sua recente eleição como uma realização profissional. Para os próximos dois anos, seu foco será continuar a combater a ocupação ilegal, garantir áreas e terrenos regulares para a população e apoiar a revisão do arcabouço legal junto ao poder público, promovendo avanços que beneficiem o setor e a sociedade como um todo.
A Ademi-DF é uma entidade que reúne as empresas de construção civil e também exerce o papel de representação do setor junto ao poder público, defendendo o bom funcionamento do mercado e a prestação de serviços de qualidade. “Temos um mote importante: se algo é bom para Brasília, é bom para a gente; se não é bom para Brasília, não é bom para a gente”, explicou Celestino.
O empresário considera que o início de sua gestão na Ademi acontece em um momento de virada para o setor. “O BRB já sinalizou uma queda, ainda que pequena, nas taxas de juros do crédito imobiliário, e a expectativa é que a Taxa Selic também comece a cair em breve”, afirmou. Ele avalia que, mesmo com juros ainda altos, o cenário atual é de otimismo. “A boa notícia, inclusive anunciada na nossa posse, é a inflexão da curva dos juros. Saímos do viés de alta e agora há uma tendência de recuo, o que melhora o ambiente para quem quer comprar ou vender um imóvel”, aposta.
O presidente reforçou que uma das principais bandeiras da entidade é a defesa da legalidade e o combate à ocupação irregular, o que impacta diretamente na preocupação quanto ao meio ambiente. Segundo ele, todos os empreendimentos do setor formal seguem rigorosamente a legislação ambiental, justamente por estarem inseridos em processos de aprovação que exigem o cumprimento de todas as normas.

“A partir do momento em que só construímos em terrenos 100% regulares, automaticamente todo o viés ambiental é respeitado. Todas as licenças são tiradas, tudo é feito de acordo com o rito legal”, destacou.
Celestino salientou que é preciso separar com clareza as construções regulares das irregulares, porque elas, sim, causam impacto ambiental negativo.
“O que fez mal ao meio ambiente foram as construções irregulares, que avançaram onde não deviam, invadiram áreas de nascente, derrubaram o que não podia e que a gente espera que estejam com os dias contados”, afirmou.
Ele acredita que o enfrentamento dessa realidade passa pela oferta de alternativas viáveis e legais, e citou a importância do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) nesse quesito, pois ele vai tratar da regularização dos terrenos. “Brasília precisa virar essa página. Temos que dotar a cidade de terrenos regulares que possam competir em preço com os irregulares, para acabar com esse mercado ilegal”, frisou.
Arcabouço legal
Celestino elogiou a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) em relação ao impacto positivo para o setor de construção civil e toda a sociedade, com as obras em andamento na cidade. “Foi um governo espetacular para o setor. A quantidade de intervenções é enorme e tem trazido melhorias reais para o trânsito e para o desenvolvimento urbano”, afirmou.
Com a bandeira contra a irregularidade fundiária, Celestino reforçou que, desde que Ibaneis assumiu o cargo, teve o compromisso de revitalizar e realinhar todo o arcabouço legal para dar mais segurança jurídica ao setor. “E nós apoiamos muito isso e participamos de toda essa atualização dentro do que nos cabe. Já tivemos grandes legislações que foram atualizadas, como a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos), no primeiro momento, depois veio a atualização do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), em seguida a nova Lei de Parcelamento do Solo, e agora é a vez do PDOT, que talvez seja a mais importante de todas”, salientou.
Ele lembrou que a revisão do PDOT já está com seis anos de atraso. “Ela deveria ter acontecido em 2019.
Hoje estamos com 16 anos do PDOT vigente, e a cidade já mudou demais nesse período”, observou.
Para Celestino, a atualização do plano é essencial, já que a legislação atual não reflete mais a realidade urbana do Distrito Federal. “É uma lei que não está mais aderente à Brasília de hoje, por isso essa revisão é tão importante”, disse. O texto já passou pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Complan), e agora está na Câmara Legislativa.
Vem aí um novo bairro todo planejado na capital
O projeto do Setor Jockey Club, localizado na antiga área do Jockey Club de Brasília, promete transformar uma região estratégica da capital em uma nova “centralidade” urbana, segundo Celestino Junior. O presidente da Ademi-DF contou ao JBr que, com cerca de 2,2 milhões de metros quadrados, o setor terá capacidade para abrigar até 52 mil moradores em prédios residenciais com altura entre seis e dezoito pavimentos.
A área está situada entre Vicente Pires, a EPTG e a Estrutural, em um ponto privilegiado de conexão viária.
O projeto urbanístico foi elaborado e doado pela Ademi ao GDF, com desenvolvimento técnico sob coordenação da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). “O Jockey é um projeto maravilhoso, pensado com todo o rigor técnico e legal. Foi desenvolvido com participação do setor privado, mas quem conduz é o poder público. Nós só sinalizamos o que o mercado e a população buscam”, afirmou.
Além da verticalização planejada, o projeto inclui dois parques urbanos – um deles com 100 mil m² no centro, com o formato do antigo hipódromo –, seis praças e duas grandes avenidas que atravessam o bairro, conectando-o ao Setor de Inflamáveis e demais regiões adjacentes.
Celestino explicou que esse é um modelo de cidade pensado para funcionar. “Vai melhorar o trânsito da região com novas vias e equipamentos públicos”, destacou. A expectativa, segundo ele, é que as primeiras licitações públicas de lotes ocorram até o início de 2026, com obras de infraestrutura iniciando em seguida.
Os primeiros empreendimentos podem começar a ser entregues entre 2029 e 2030, a depender do ritmo do mercado. “Tudo foi planejado: transporte, mobilidade, ciclovias e até uma futura integração com o trem urbano e o metrô. Agora, cabe ao poder público executar”, completou.