Menu
Brasília

Comando de greve da UnB segura diplomas de estudantes

Arquivo Geral

30/08/2010 20h51

“Só estaremos registrando diplomas mediante cópia do edital de nomeação em concurso ou autorização do comando de greve”.

 

O comunicado acima está pregado na porta do Protocolo da Universidade de Brasília desde 16 de março, dia em que começou a greve dos servidores. A cinco dias do fim do semestre, no próximo 4 de setembro, a decisão dos grevistas de barrar a emissão de diplomas pode deixar, por tempo indeterminado, cerca de 2 mil estudantes sem o documento que comprova a conclusão de cursos de graduação e pós-graduação. Na prática, é como se os alunos não tivessem se formado.

 

Maria Bernadete Junkes veio de Rondônia, a 2.500 km de distância, para retirar o diploma do doutorado recentemente concluído em Ciências da Saúde. É a segunda vez que vem à capital em busca do documento que comprova a conclusão da pós na UnB. “Está complicado, pois as portas estão fechadas e não consigo dar andamento ao processo”, afirma. “Entendo os motivos da greve, mas não é justo que eu tenha que voltar pra casa mais uma vez sem o que preciso”, lamenta a recém-doutora.

 

Bernadete não se encaixa em nenhum dos três critérios determinados pelo Comando de Greve para a liberação do diploma. São elas: estudantes de convênios diplomáticos que tenham que voltar ao país de origem; aqueles com prazos para bolsas de pesquisa; ou que estejam prestes a tomar posse em concurso público. “Essas medidas fazem parte da luta”, justifica o servidor Fred Mourão, membro da Comissão de Ética. Desde junho, os técnico-administrativos da universidade perderam a URP, parcela que corresponde a 26,05% dos salários.

 

Segundo a decana de Ensino de Graduação, Márcia Abrahão, o problema deve se agravar a partir do próximo sábado, quando acaba o primeiro semestre letivo de 2010 na UnB. “Haverá um enxurrada de pedidos de diplomas que não poderão ser emitidos”, observa a professora. Levantamento da Secretaria de Atendimento Acadêmico (SAA) mostra que 1.588 estudantes da graduação devem concluir seus cursos nesta semana. Na pós-graduação, o número deve ficar entre 400 e 500.

 

 

PREOCUPAÇÃO – Sem o diploma, os estudantes não têm como provar a conclusão dos cursos. O documento, que precisa passar pelo Protocolo para receber um número de registro, é exigido, por exemplo, como requisito para admissão em empregos formais. “Estão impedindo a UnB de concluir a sua missão de formar os alunos”, critica a decana Márcia Abrahão. Hoje, dos 11 funcionários do quadro locados no Protocolo, apenas dois estão trabalhando. Os demais são estagiários ou contratados.  

 

O temor de ficar sem o diploma enquanto durar a greve – que já completou cinco meses e não tem previsão de acabar – levou um grupo de formandos a apelar para o reitor José Geraldo de Sousa Junior. Em documento protocolado no gabinete em 24 de agosto, a estudante Lorena Soares denuncia as “tentativas frustradas” dos alunos da Ciência Política de entregar os formulários de emissão do diploma. “Entramos em contato com o comando de greve e a diretoria do instituto. Mas nada foi feito”, disse.

 

 

ALMOXARAIFADO – Em reunião com o comando de greve nesta segunda-feira, o decano de Administração, Pedro Murrieta, pediu a abertura do Almoxarifado, trancado pelos grevistas desde março. “Estamos armazenando equipamentos de forma improvisada e inadequada”, afirma. O professor destaca, por exemplo, que o prazo de validade para o teste de algumas máquinas compradas está vencendo. “Além disso, o período de chuvas está chegando. Se não liberarem, corremos o risco de prejuízos”.

 

Segundo o servidor Maurício Sabino, da Comissão de Imprensa do Comando de Greve, a flexibilização da saída de materiais do Almoxarifado será votada em assembleia da categoria, às 9h30, desta terça-feira, na Praça Chico Mendes. No encontro, servidores voltam a decidir sobre a continuidade ou o fim da paralisação contra o corte da URP. 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado