Enquanto os roubos e furtos assustam a população por causa da frequência com que são cometidos, outros dados da Secretaria de Segurança apontam queda nos chamados crimes contra a vida. De acordo com balanço da pasta, os índices de homicídios, tentativas de homicídio, estupros e latrocínios vêm caindo na região. Os resultados se refletem além das estatísticas locais: Brasília deixou a lista das 50 cidades mais violentas do mundo, ranking feito pela ONG Conselho Cidadão pela Seguridade Social Pública e Justiça Penal, do México.
Os roubos seguidos de morte, por exemplo, tiveram o menor número de ocorrências dos últimos 20 anos, com diminuição de 40,9% se comparado a 2012, passando de 43 para 26. O resultado é atribuído ao trabalho integrado dos órgãos de Segurança Pública, por meio do programa Ação Pela Vida.
Para o secretário de Segurança, Sandro Avelar, os dados revelam a importância da atuação das polícias Civil e Militar junto à população, representada pelos Conselhos de Segurança (Conseg) das 31 regiões administrativas do DF.
“O que percebemos desde o lançamento do programa, em abril de 2012, foi a redução dos chamados crimes graves, que são os homicídios, estupros e latrocínios. A partir disso a gente passou a monitorar mês a mês os índices de criminalidade em todos os pontos do DF, com trabalho integrado das forças junto à comunidade. Isso permitiu que a gente identificasse os principais problemas de cada região ”, diz.
Assassinatos
Os homicídios caíram 13,1% entre 2012 e 2013, resultando em 88 vidas protegidas. As tentativas de homicídio tiveram redução de 9,5% no mesmo período, com 91 a menos. “O trabalho de policiamento ostensivo integrado ao trabalho de investigação foi extremamente importante para as quedas”, ressalta Avelar.
Os sequestros relâmpago, lembra ainda, diminuíram 37% de um ano para o outro. “São números muito significativos, que refletem a importância do papel da comunidade nesse processo”, salienta. Já os roubos com restrição de liberdade – uma espécie de sequestro relâmpago sem extorsão por dinheiro – caíram de 709 para 540.
Apreensões
Além disso, o secretário lembra ainda do aumento da produtividade no que diz respeito às apreensões de armas e drogas. “Foram três toneladas de entorpecentes apreendidas no ano passado e, pelo menos, 4,8 mil ocorrências de uso e porte de drogas”, afirma.
O ano passado terminou com aumento de 31% nas prisões por mandado judicial. Mais de 17 mil pessoas foram presas em flagrante: uma média de 47 por dia e 1,9 por hora. Mesmo assim, reconhece Sandro Avelar, muita coisa precisa ser feita. Por exemplo, aumentar o número de vagas no sistema prisional. “O sistema penitenciário está sobrecarregado. Por isso, estamos ampliando o número para receber 3,2 mil presos. A ideia é tentar diminuir o retorno às ruas de pessoas que reincidem no crime. Hoje, 70% das pessoas voltam a delinquir”, destaca.
Em algumas quadras da cidade, mesmo com a Operação Tartaruga, nem transeuntes nem comerciantes parecem sentir medo da violência. Com carros da polícia espalhados em determinados locais, reconhece o proprietário de uma lanchonete da 310 Norte, Mauro Carreira, 54 anos, “a sensação de insegurança é menor e não abre espaço para a aproximação de bandidos”. Para ele, a criminalidade não se restringe ao DF, mas “está espalhado por todo o País”. Portanto, é “errado” tratar o assunto apenas como um problema local.
