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Brasília

Com menos mortes, Brasília sai de ranking

Arquivo Geral

28/01/2014 7h21

Enquanto os roubos e furtos assustam a população por causa da frequência com que são cometidos, outros dados da Secretaria de Segurança apontam queda nos chamados crimes contra a vida. De acordo com balanço da pasta, os índices de homicídios, tentativas de homicídio, estupros e latrocínios vêm caindo na região.  Os resultados se refletem além das estatísticas locais: Brasília deixou a lista das 50 cidades mais violentas do mundo, ranking feito pela  ONG Conselho Cidadão pela Seguridade Social Pública e Justiça Penal, do México.

Os roubos seguidos de morte, por exemplo, tiveram o menor número de ocorrências dos últimos 20 anos, com diminuição de 40,9% se comparado a 2012, passando de 43   para 26. O resultado é atribuído   ao trabalho integrado dos órgãos de Segurança Pública, por meio do programa Ação Pela Vida.

  Para o secretário de Segurança, Sandro Avelar, os dados revelam a importância da atuação das polícias Civil e Militar junto à população, representada pelos Conselhos de Segurança (Conseg) das 31 regiões administrativas do DF. 

“O que percebemos desde o lançamento do programa, em abril de 2012, foi a redução dos chamados crimes graves, que são os homicídios, estupros e latrocínios. A partir disso a gente passou a monitorar mês a mês os índices de criminalidade em todos os pontos do DF, com trabalho integrado das forças junto à comunidade. Isso permitiu que a gente identificasse os principais problemas de   cada região ”, diz. 

Assassinatos

 Os homicídios caíram 13,1% entre 2012 e 2013, resultando em 88 vidas protegidas. As tentativas de homicídio tiveram redução de 9,5% no mesmo período, com 91 a menos. “O trabalho de policiamento ostensivo integrado ao trabalho de investigação   foi extremamente importante para as quedas”, ressalta Avelar. 

Os sequestros relâmpago, lembra ainda, diminuíram 37% de um ano para o outro. “São números muito significativos, que refletem a importância do papel da comunidade nesse processo”, salienta. Já os roubos com restrição de liberdade – uma espécie de sequestro relâmpago sem extorsão por dinheiro – caíram de 709   para 540. 

Apreensões

Além disso, o secretário lembra ainda do aumento da produtividade no que diz respeito às apreensões de armas e drogas. “Foram três toneladas de entorpecentes apreendidas no ano passado e, pelo menos, 4,8 mil ocorrências de uso e porte de drogas”, afirma. 

Ponto de Vista
O especialista em segurança George Felipe Dantas  observa que o Ação pela Vida é um modelo replicado de outras estados e que produziram, nessas localidades, reduções nos índices de homicídios. “Porém, quando se replica um modelo, é preciso customizar”, observa. Diante disso, o especialista diz que o DF tem peculiaridades que podem dificultar a aplicação do programa, entre elas, ter a chamada Região Metropolitana. “Qualquer programa só vai funcionar se tiver uma ação conjunta com Goiás e Minas Gerais”, diz. Outro ponto citado por ele é a questão de no DF, cidades com alto índice de criminalidade, como Águas Lindas, estarem muito próximas a outras mais tranquilas.
 
Números
24,7 milpessoas foram presas  ou apreendidas  em 2012
 
26,4 milpessoas foram presas  ou apreendidas em 2013
 
12,8 mil é a quantidade de prisões em flagrante feitas pela PM em 2013
 
“Tartaruga” é entrave

O ano passado terminou   com aumento de 31% nas prisões por mandado judicial. Mais de 17 mil pessoas foram presas em flagrante: uma média de 47 por dia e 1,9 por hora. Mesmo assim, reconhece Sandro Avelar, muita coisa   precisa ser feita. Por exemplo,  aumentar o número de vagas no sistema prisional. “O sistema penitenciário está sobrecarregado. Por isso, estamos ampliando o número para receber 3,2 mil presos. A ideia é tentar diminuir o retorno às ruas de pessoas que reincidem   no crime. Hoje, 70% das pessoas  voltam a delinquir”, destaca. 
 O secretário  reconheceu   a lentidão dos serviços da PM por conta da chamada Operação Tartaruga, iniciada há dois meses. “Do final de novembro para cá houve uma redução de alguns números que vinham sendo muito positivos.  As apreensões de armas estavam girando em torno de 130 por mês. Em dezembro caiu pra 80, mais de 40% de redução. Isso mostra que não está havendo abordagens e barreiras”, admite. 
 Contudo,   ele destaca que há  preocupação  em resolver   a situação.  “A gente está buscando   um bom senso para que haja a compreensão do esforço   feito pelo governo”. 
 
Medo é menor com polícia nas ruas

Em algumas quadras da cidade, mesmo com a Operação Tartaruga, nem transeuntes nem comerciantes parecem sentir medo da violência. Com carros da polícia espalhados em determinados locais, reconhece o proprietário de uma lanchonete da 310 Norte, Mauro Carreira, 54 anos, “a sensação de insegurança é menor e não abre espaço para a aproximação de bandidos”. Para ele, a criminalidade não se restringe ao DF, mas “está espalhado por todo o País”. Portanto, é “errado” tratar o assunto apenas como um problema local. 
A educadora ambiental Aline Barreto, 31 anos, reconhece o problema, mas, salienta, “comparada ao Rio de Janeiro ou São Paulo, Brasília ainda é uma cidade segura, na qual as pessoas conseguem ter o mínimo de qualidade de vida”. 
atenção redobrada
Ela acredita que a cidade exige, agora, alguns cuidados que não eram tomados antes, mas nada “fora do normal”. Exemplo disso é “não andar com a bolsa no banco da frente, fechar os vidros do carro à noite, não ficar parado dentro de carro. São coisas básicas que devemos fazer para evitar possíveis abordagens”, diz a educadora. 
De acordo com o dono de uma padaria da Asa Norte, antes da Operação Tartaruga era possível ver policiais fazendo ronda na região todos os dias. “Eles trabalhavam mesmo. Tanto que aqui nunca aconteceu nada”, observa. Para ele, porém, parece que agora a Asa Sul está “mais complicada”.  O empresário acredita que o medo começou a rondar pessoas agora porque os bandidos sabem da lentidão no atendimento. “Mas, graças a Deus, nunca tivemos problema aqui”, afirma Julimar Soares, 39 anos.
 
Pense Nisso
A redução das mortes violentas, sem dúvida, é motivo de comemoração. Mas não é o bastante para que a população se sinta segura. Cada roubo,   seques- tro ou sequer uma ameaça  provo- cam sensação de insegurança ao cidadão. Mas os dados apontam que há uma luz no fim do túnel.
 
 

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