Menu
Brasília

Com louvores, orações e comoção familiares e amigos se despediram de influenciadora do DF

Aline Ferreira morreu na terça-feira (02), após realizar um procedimento estético com aplicação de PMMA, nos glúteos, na clínica Ame-se, em Goiânia

Carolina Freitas

04/07/2024 23h26

1 whatsapp image 2024 07 03 at 15 14 21 38671641

Reprodução/Instagram

Um momento de comoção tomou conta do velório da influenciadora digital e modelo brasiliense, Aline Ferreira, 33 anos, ontem no Templo Ecumênico, no Cemitério do Gama. Familiares e amigos deram o último adeus a jovem com orações, flores e muito choro. A maioria dos presentes deixaram o tradicional preto utilizado nos enterros, e se vestiram com o branco da paz, para se despedirem com amor e gratidão pela bela passagem de Aline nas suas vidas.

Os presentes também cantaram louvores cristãos e soltaram balões brancos, e destacaram as principais qualidades da jovem como amiga, mãe e esposa. Aline morreu na última terça-feira (02), e a suspeita é de que a morte tenha ocorrido devido a complicações no quadro de saúde da jovem após realizar uma aplicação de polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, nos glúteos, no dia 23 de junho, na clínica Ame-se, em Goiânia. A proprietária da clínica e responsável pelo procedimento, Grazielly Barbosa, foi presa pela Polícia Civil do Goiás (PCGO), na quarta-feira (03). Segundo as investigações, a profissional apresentava-se com biomédica, mas não possuía registro profissional.

Ao Jornal de Brasília, a amiga de infância da jovem, Débora Marion, 29 anos, falou sobre a amizade das duas: “Eu nem consigo falar, ela era perfeita, alegre, animada, humana, amiga e um ser de luz. Por onde ela passava não deixava ninguém triste, sempre alto-astral. Ela vai deixar muita saudade. Nós somos amigas desde a infância, mas nos afastamos um pouco por um tempo, mas Deus me deu o privilégio de conversar com ela e nos acertarmos. Chegamos a pedir perdão uma para a outra e nos aproximamos novamente”.

A tia de Aline, Elisangela Maria, 50 anos, lembrou que a influenciadora era saudável e não tinha nenhum problema de saúde, e que Grazielly, responsável pelo procedimento estético, disse que era uma aplicação “simples”. “Aline era uma menina feliz e saudável, cheia de vida. Ela gostava muito da família e de estar junto conosco mesmo tendo as redes sociais muito ativa. Ela não tinha nenhum problema de saúde, era muito nova e deixa dois filhos e marido. Segundo a Grazielly, era uma aplicação simples e que não ia acontecer nada, e acabou nessa tragédia toda”.

“A Aline já tinha feito outros procedimentos com a Grazielly, mas nunca com PMMA. Os procedimentos anteriores foram no rosto e ela também tinha colocado silicone, mas nunca tinha dado nenhum problema. Toda a família está arrasada e eu também estou preocupada com a minha mãe [vó da Aline], que tem 86 anos, e era super apegada a Aline. Elas gravam vídeos juntas e eu não sei como vai ser de agora em diante porque a vida da família toda vai mudar. Aline era muito apegada a todos”, comentou Elisangela.

O sentimento da família, agora, é que a justiça seja feita, e que Grazielly cumpra pena pela morte da influenciadora: “Neste momento queremos justiça e que ela [Grazielly Barbosa] não saia da prisão. Que ela cumpra sua pena e que as redes sociais e os seguidores da Aline se manifestem para que a Grazielly não saia da prisão para que isso não ocorra com outras jovens. Eu acredito que a Grazielly sabia o que ela estava fazendo, ela sabia de toda periculosidade deste produto. Ela falou para a Aline que já tinha aplicado nela e que não tinha problema nenhum, mas eu não sei se ela já tinha feito esse procedimento em outras pessoas”, enfatizou Elisangela.

O caso

Após a aplicação de 30 ml PMMA, nos glúteos, em Goiânia, Aline voltou para sua casa em Brasília. No dia seguinte do procedimento, em 24 de junho, a influenciadora começou a passar mal e teve febre. Depois de três dias ruim, a jovem procurou a dona da clínica e relatou o seu estado. A profissional chegou a receitar medicamentos, mas o quadro de saúde de Aline não apresentou melhoras, e ela começou a sentir fortes dores abdominais.

Por conta do agravamento, o seu esposo, Pablo Batista, chegou a levar a influenciadora a um hospital particular onde foi medicada e retornou para casa. Ainda no caminho da sua residência, Aline desmaiou e foi levada ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). Na unidade hospitalar, a jovem foi internada imediatamente. No HRAN, Aline ficou internada apenas um dia, depois foi transferida para o Hospital Home, em Brasília.

Enquanto Aline esteve internada, Grazielly, dona da clínica, chegou a visitá-la, e alegou que não teria aplicado PMMA na influenciadora: “Nós não sabíamos que ela não era biomédica, que ela não tinha registro, isso tudo ficamos sabendo esses dias. A Grazielly chegou a falar que não tinha aplicado o PMMA, mas sim o bioestimulador. Mas a Aline disse que se tivesse aplicativo o bioestimulador não tinha acontecido complicações como as que aconteceu”, lamentou Elisangela.

Investigação

Depois da morte da influenciadora, a clínica Ame-se, onde Aline realizou o procedimento, foi interditada pela Vigilância Sanitária de Goiânia (GO). Segundo a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Consumidor (Decon), de Goiás, responsável pelo caso, o estabelecimento não possuía alvará de funcionamento e foram encontradas várias irregularidades no momento que os policiais foram averiguar a situação da clínica.

A dona da clínica e responsável pelo procedimento, Grazielly Barbosa, foi presa em flagrante por crimes contra as relações de consumo e levada à delegacia. No momento da prisão, ela atendia outras duas pessoas. À polícia, a profissional disse que cursou três períodos de medicina em uma faculdade do Paraguai, mas que o curso tinha sido trancado há três anos. Grazielly disse ainda que fez cursos “livres” na área de estética, mesmo assim, segundo a Decon, a profissional não poderia aplicar PMMA, nem qualquer outra substância, nas pessoas.

Grazielly responde por exercício ilegal da profissão, execução de serviço de alta periculosidade e indução do consumidor ao erro. A Decon também vai abrir um novo inquérito para apurar o crime de lesão corporal seguida de morte. Nesta sexta-feira (05), Elisangela Maria, tia de Aline, Pablo Batista, esposo da influenciadora, e duas amigas da modelo que a acompanharam à clínica no dia do procedimento vão prestar depoimento à polícia. A Decon também aguarda o resultado do laudo necroscópico para definir se há ligação da morte com o procedimento estético.

Riscos do PMMA

Ao JBr, a doutora Isadora Calvo falou sobre os riscos do procedimento utilizando PMMA e da aplicação por não médicos: “Acredito que as complicações decorrentes do procedimento em si poderiam ser evitadas caso realizadas por aqueles que realmente são os profissionais que, por lei, podem realizar procedimentos invasivos, ou seja, os médicos. Contudo, temos evidências de que, mesmo quando realizado com técnica segura e adequada, pode evoluir com complicações gravíssimas, como insuficiência renal, inclusive com casos já descritos de pacientes em hemodiálise ou em fila de transplante”.

A doutora alertou ainda para a necessidade de regulamentação mais rígida e fiscalização efetiva para evitar que profissionais não qualificados realizem procedimentos estéticos invasivos. “O procedimento estético invasivo, conhecido popularmente como bioplastia, que envolve a injeção de PMMA e foi realizado na influenciadora, embora atraente para muitos que buscam melhorias estéticas rápidas, pode trazer riscos significativos à saúde, especialmente quando não realizada por especialistas”, completou a Dr. Isadora.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado