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Brasília

Com festa ameaçada, blocos de rua buscam patrocínio

Arquivo Geral

14/01/2015 6h30

“Viemos defender a nossa tradição. E dizer bem alto que a injustiça dói. Nós somos madeira de lei que cupim não rói”. O trecho do frevo pernambucano  Madeira que cupim não rói  ilustra  a situação dos   blocos de rua do Carnaval brasiliense. Eles tentam    manter as festas, mesmo sem recursos financeiros  do governo. Devido à crise da transição, não haverá verba pública para a festividade deste ano, incluindo o desfile das escolas de samba.

O   Galinho de Brasília  está se mobilizando pela internet. O bloco tenta arrecadar recursos para conseguir  manter a tradição dos últimos 22 anos. Além deste, outros grupos estão se organizando, mas a falta de recurso pode desfalcar alguns blocos.

No Facebook do Galinho  de Brasília (/galinhodebrasiliaoficial) uma mensagem triste e um pedido de socorro. Os organizadores estão procurando patrocinadores para promover o evento, que recebe cerca de 80 mil foliões e pretende manter a mesma qualidade dos anos anteriores. Será criado, ainda nesta semana, um crowdfunding, que é um financiamento coletivo.

Pegos de surpresa 

O fundador e atual diretor-executivo do Galinho de Brasília, Sérgio Brasiel, 55 anos, diz que os organizadores foram pegos de surpresa e agora, a curto prazo, tentam viabilizar o bloco. “Estamos trabalhando para conseguir algum apoio privado”, reforça. De acordo com Brasiel, para o bloco sair é preciso   uma boa estrutura. “Temos o custo da orquestra, do som de qualidade, entre outros aspectos. Precisamos de muitas coisas para fazer uma grande festa”, destaca.

Com vontade de sobra, apenas a falta de recurso complica a situação do bloco. Todos os organizadores estão trabalhando de forma intensa para conseguir fazer o Galinho de Brasília acontecer. Se tudo der certo, o bloco sairá no sábado (14) e segunda (16), fazendo o tradicional trajeto que passa pelo Setor de Autarquia Sul (SAS), 203, 103, 101 e 201 Sul,  percorrendo aproximadamente 4km.

Prestação de contas

“Não ganhamos nada para fazer a festa, apenas a satisfação do público. Se nós conseguirmos o dinheiro, prestaremos todas as contas: quanto arrecadamos e como gastamos o recurso”, complementa Brasiel. O representante do Galinho explica que uma  contrapartida  poderá ser negociada com os empresários interessados em colaborar.

Ajuda dos foliões é importante

Mesmo sem o apoio governamental, o Suvaco da Asa garante estar presente no dia 31 de janeiro, com a edição comemorativa de dez anos. “Nossa premissa é colocar o bloco na rua. Buscamos parcerias com a inciativa privada e os foliões estão contribuindo, comprando camisetas”, explica o organizador Wagner Lucena, 42 anos. Evento infantil do Suvaco, o Suvaquinho  também irá acontecer. 

O Pacotão e o Babydoll de Nylon também confirmaram os eventos. O Babydoll será na Praça do Cruzeiro no dia 14 de fevereiro, a partir das 15h. “Iremos fazer um crowdfunding  e anunciar na nossa página   do Facebook (/babydolldenylon)”, destaca o organizador David Murad, 32 anos. 

Um dos fundadores do Pacotão, Cícero Filisteu, 74, garante que, em   37 anos de bloco, apenas nos últimos dez anos houve ajuda do governo. Agora, eles “voltarão às raízes”. “Todo mundo ajuda como quiser e faremos uma grande festa”, afirma. 

 

Difícil cumprir o que prevê   lei distrital

Tradicional bloco infantil, a Baratinha pode não acontecer. O organizador Paulo Henrique Nadiceo, 35 anos, diz estar com o “coração partido” com a situação. “Estamos apreensivos. Sem a ajuda do governo, nós não conseguiremos fazer a festa. Estamos tentando o mínimo de estrutura para fazer a festa da meninada”, relata.

Essa ajuda, na verdade, está prevista em legislação. A Lei Distrital 4.738/2011   define que o Carnaval do DF, inclusive as manifestações artístico-culturais populares que o compõem, deve ser organizado, gerido e apoiado financeiramente pela Secretaria  de Cultura. 

“Todos os envolvidos que se sentirem prejudicados com o não cumprimento da lei podem entrar com uma ação na Justiça. E nesse caso, o MPDFT participará do processo”, informou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O órgão trabalha de duas formas: quando é provocado ou de ofício (manifestação própria). 

O secretário de Turismo, Jaime Recena, garante que haverá Carnaval em Brasília.  Entretanto,  destaca que não ocorrerá repasse público, mas estão sendo feitos acordos com a iniciativa privada. “Há três empresas interessadas em patrocinar as escolas de samba e os blocos de rua. A negociação está avançada e nos próximos dias eles serão anunciados”, garante o secretário.

 
Ajuda dos foliões é importante
Mesmo sem o apoio governamental, o Suvaco da Asa garante estar presente no dia 31 de janeiro, com a edição comemorativa de dez anos. “Nossa premissa é colocar o bloco na rua. Buscamos parcerias com a inciativa privada e os foliões estão contribuindo, comprando camisetas”, explica o organizador Wagner Lucena, 42 anos. Evento infantil do Suvaco, o Suvaquinho  também irá acontecer. 
 
O Pacotão e o Babydoll de Nylon também confirmaram os eventos. O Babydoll será na Praça do Cruzeiro no dia 14 de fevereiro, a partir das 15h. “Iremos fazer um crowdfunding  e anunciar na nossa página   do Facebook (/babydolldenylon)”, destaca o organizador David Murad, 32 anos. 
 
Um dos fundadores do Pacotão, Cícero Filisteu, 74, garante que, em   37 anos de bloco, apenas nos últimos dez anos houve ajuda do governo. Agora, eles “voltarão às raízes”. “Todo mundo ajuda como quiser e faremos uma grande festa”, afirma. 

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