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Brasília

Com 5 meses de atrasos, obras no Centro de Taguatinga ainda não têm previsão para terminar

Arquivo Geral

25/10/2017 7h00

Construção está em ponto sensível do trânsito do DF. No local, placa avisa sobre o investimento e antiga previsão de término. Foto: Kléber Lima

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

As obras para o alargamento do viaduto que liga a Estrada Parque Taguatinga (EPTG) à Estrada Parque Contorno (EPCT), no início do Centro de Taguatinga, começaram em fevereiro e deveriam ter acabado no fim de maio. O atraso soma mais de 150 dias e traz prejuízos financeiros: já foram gastos R$ 4,7 milhões, e para terminar o reparo o governo vai adicionar R$ 1,1 milhão. Não há previsão para a conclusão da etapa, que é determinante para outra construção ainda maior: o túnel de Taguatinga, cujo projeto também empacou.

A Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF (Sinesp), que confirma a falta de previsão, explica que o alargamento será no meio do viaduto e terá 1.236 metros quadrados. Após a conclusão das obras, haverá mais duas faixas, sendo uma exclusiva para ônibus. A pasta informa ainda que os recursos financeiros são provenientes do contrato de financiamento Eixo Oeste, da Caixa Econômica Federal, com contrapartida do Governo do Distrito Federal.

Fluxo intenso

Aproximadamente 135 mil carros passam por ali diariamente, e os transeuntes reclamam da demora na entrega da obra. O engenheiro civil Daniel de Jesus, de 25 anos, que mora em Samambaia, passa pelo ponto quase todos os dias da semana e conta que sempre está engarrafado. “O fluxo é intenso”, afirma.

Para ele, quando a construção for concluída serão percebidas melhorias no trânsito. No entanto, o engenheiro civil alega que essa não deve ser a única solução. “Para suprir a necessidade que o fluxo de carros gera nos horários de pico, seria importante associar a ponte a outra alternativa no Centro de Taguatinga, como um estudo mais profundo no primeiro retorno na chegada de Taguatinga, que sempre causa uma grande retenção na faixa da esquerda”, levanta.

A estudante Ana Luiza Vinhote, de 22 anos, também reclama do trânsito no local. Ela mora na M Norte e afirma que, independentemente de horário, também encontra engarrafamento no Centro de Taguatinga. “É sempre no sentido que vai para Taguatinga. A ida para o Plano Piloto costuma ser mais tranquila”, aponta.

Para ela, investimentos no transporte público melhorariam o trânsito no local. “Não adianta fazer obras e mais obras aumentando as vias se as pessoas não começarem a ter consciência de dividir o transporte. Se o transporte público fosse melhor, as pessoas optariam por utilizá-lo. Mas também acho que as famílias deveriam se organizar para não ser necessário cada um sair com um carro. Isso, com certeza, desafogaria o trânsito”, argumenta.

E a adição extra de recursos públicos na obra também causa desconforto entre os motoristas. “O que falta é um bom planejamento para que a obra termine no tempo previsto. Quem sai no prejuízo é a população, pois, se pegam dinheiro para uma coisa, faltará para outras, como saúde, educação e segurança”, critica a estudante Ana Luiza.

Intervenções pioram o que já é caótico

Em todo local que tem obras, a velocidade do fluxo é reduzida, de forma direta ou indireta. E, no Centro de Taguatinga, que sempre está engarrafado, acaba complicando ainda mais a situação. Esse é o ponto de vista do especialista em trânsito Artur Morais.

“Em locais em que existem obras próximas pode ocorrer a redução da faixa de rolamento e, consequentemente, a diminuição da velocidade dos veículos. Com a mesma quantidade de carros, diminui a fluidez e isso pode gerar um tempo maior e um engarrafamento no local”, explica o especialista.

Para Morais, a obra de alargamento no viaduto que liga a EPTG e ao Pistão Sul e Norte é extremamente essencial. “Ali nesse ponto tem um estrangulamento: os carros vêm da EPTG com quatro faixas e chegam ao centro, que tem apenas três. E ainda tem aqueles que vêm do Pistão e entram para a via. Isso cria a retenção dos veículos. Com o alargamento, a capacidade de passagem de carros vai gerar uma fluidez maior na região”, aponta.

O especialista destaca ainda que a construção do túnel de Taguatinga, que é uma ideia antiga, vai melhorar o fluxo para quem seguir para a Avenida Elmo Serejo.

Versão oficial

Em nota, a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos do DF (Sinesp) informou que as obras de construção do alargamento do viaduto da interseção da EPTG-EPCT (DF-001), localizada no trecho 10 do Corredor Oeste, em Taguatinga, estão aguardando um aditivo financeiro e de prazo, que deve ser assinado nos próximos dias.

A pasta alegou que o lado leste – voltado para a EPTG – está concluído, enquanto o lado oeste – voltado para a EPTC, ou pistão, como é conhecido – está com 80% do serviço finalizado. O atraso nas obras se deu porque os funcionários encontraram rochas no lado oeste, e isso não estava previsto inicialmente.

“O aditivo financeiro, no valor de R$ 1.182.968,48, foi necessário justamente para conclusão das escavações desse lado. Com o aditivo, o prazo também sofrerá alteração, ficando a empresa com mais 120 dias para concluir os serviços”, afirma.

Ainda segundo a Sinesp, o alargamento do viaduto é essencial para a execução das obras do túnel de Taguatinga, uma vez que esta interseção será conectada ao túnel. “A Sinesp esclarece ainda que as obras do túnel de Taguatinga já foram licitadas, mas encontram-se, neste momento, sub judice, e o GDF aguarda apenas a decisão judicial para poder então iniciar as obras”, conclui.

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