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Brasília

Coleta seletiva no Distrito Federal, enfim, vai sair do papel

Arquivo Geral

11/02/2014 7h10

Rayane Fernandes 

Especial para o Jornal de Brasília

A partir da próxima segunda- feira, todas as cidades do Distrito Federal, inclusive áreas rurais, receberão um sistema integrado de coleta seletiva de resíduos sólidos. O recolhimento, restrito a papel, vidro, plástico e alumínio,  será feito pelo Serviço de Limpeza Urbano (SLU) em dias e horários específicos. A coleta convencional, do lixo orgânico, continuará com o itinerário normal.  Já a lista com dias e horários dos locais da coleta seletiva será divulgada amanhã.

 Atualmente, apenas 3% do lixo do DF, o equivalente a 81 toneladas, é destinado  à reciclagem. A intenção é de que, com a coleta seletiva, cerca de 15% do total de resíduos seja reaproveitado. “A meta é audaciosa, pois Curitiba, que tem essa política há 25 anos, reaproveita hoje 21%.  Mas isso é uma progressão do DF, junto com a população”, disse o diretor-geral do SLU, Gastão Ramos. Por dia, são produzidas cerca de 2,7 mil toneladas de lixo no DF. 

 A mudança na política de  resíduos sólidos  se baseia, basicamente, no fechamento do Lixão da Estrutural, procedimento que vem sendo adiado há anos. O prazo mais recente era o final do ano passado, e agora já passou para o fim deste semestre. “Para que isso ocorra, trabalhamos com três pilares: a construção do primeiro aterro sanitário, a coleta seletiva e a construção de centros de triagem para os catadores”, disse Ramos. 

Conforme o sistema de coleta seletiva, o DF foi dividido em quatro lotes,   atendidos pelas empresas CGC, Valor Ambiental e Quebec, com um contrato de cinco anos. A licitação para essas  contratações foi concluída no final de 2013. 

Conscientização

Nesta semana, o trabalho será de divulgação do projeto como forma de conscientizar a população. “Isso vai mudar o comportamento das pessoas. Brasília é uma cidade muito consciente e esclarecida e vai participar   da coleta”, acredita o governador Agnelo Queiroz. 

 Em breve será lançada uma campanha educativa. Entre as ações, está a distribuição de cartilhas, em formato de gibi, sobre o manejo do lixo. “Não adianta colocarmos  caminhões modernos nas ruas, organizarmos planos de coleta e construirmos infraestrutura, se não houver parceria com o cidadão. Enquanto o lixo estiver dentro de casa, não podemos fazer nada. Nossa responsabilidade começa quando ele é colocado para fora”, afirmou o diretor do SLU.

Material vai para cooperativas
 Todo  o material recolhido será  encaminhado para as 32 cooperativas cadastradas no SLU e para centros de triagem. “O volume da coleta será distribuído entre as cooperativas de acordo com o número de pessoas que trabalham em cada uma. Já a negociação com a indústria da reciclagem será feita diretamente pelos grupos de catadores”, explicou Gastão Ramos. 
 Para a presidente da Associação Recicle a Vida, Cláudia Maria Alves, a iniciativa é   importante para os catadores. “Esse material   vai facilitar muito a vida dos trabalhadores. Além de ser de graça, será entregue todos os dias  e estará separado do lixo orgânico”, afirmou.
 
De acordo com o governador Agnelo, com essa nova política haverá espaços destinados a cada tipo de lixo, da construção civil aos eletrônicos.  Segundo ele, a área do Lixão, prevista para ser fechada até a metade do ano, será totalmente recuperada. “Será feito um tratamento e aquilo se transformará em um parque para a região. Passará a ser uma área de proteção”, comentou. 
 
Segundo a especialista em gestão ambiental Maria Vitória Ferrari, da Universidade de Brasília, a coleta seletiva é vital e só depende da educação da população. “Se pensarmos em uma sequência de amadurecimento, teríamos primeiro pessoas informadas, depois sensibilizadas e em seguida mobilizadas.  Não adianta o estado se mobilizar  e as pessoas não mudarem. A participação individual é essencial”, comenta. 
Para ela, a iniciativa de coleta é   importante e menos trabalhosa. “Mais da metade dos resíduos pode ser reaproveitada. Isso é bom porque, além de não comprometer as áreas de aterro,   gera  trabalho”, diz.
 
Saiba Mais
A recomendação do SLU é que os moradores separem o lixo seco do orgânico. Em caso de vidro, a orientação é embalar o material em papelão ou jornal, para facilitar o menuseio e evitar acidentes. E então, é só guardar o lixo em casa e aguardar a chegada do caminhão. 
Atualmente, apenas seis das 31 regiões administrativas possuem a coleta seletiva. Dentre elas, Brazlândia, Lago Norte, Cruzeiro, Asa Sul, Asa Norte e algumas quadras do Lago Sul.
 
 

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