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Brasília

Codeplan faz radiografia de 15 áreas de baixa renda

Arquivo Geral

25/06/2009 0h00

O Distrito Federal tem, patient pela primeira vez, uma ampla pesquisa sobre suas regiões de baixa renda. O objetivo da Pesquisa Domiciliar Socioeconômica (PEDS) é identificar as carências das regiões para que sejam criadas políticas públicas capazes de suprir as necessidades dos moradores. Para isso, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) – responsável pela pesquisa, traçou o perfil de 15 cidades. O total de pessoas que vivem nestas regiões ultrapassa 260 mil, ou seja, 10% da população total do DF.


Segundo o presidente da Codeplan, Rogério Rosso, todos os integrantes do GDF receberão a pesquisa. “Este estudo vai servir para orientar quais medidas o governo deve tomar em ações imediatas e futuras”, afirmou Rosso.


O primeiro passo do estudo foi determinar o que seria uma região de baixa renda.  Os pesquisadores adotaram dois critérios: famílias com renda de até dois salários mínimos per capita e cujo consumo de energia elétrica não ultrapasse 80 kw por mês. “O cadastro da Companhia Energética de Brasília (CEB) pode ser considerado o mais extenso e amplo do DF. Com ele conseguimos chegar às famílias de baixa renda”, explicou Rosso.


A divulgação dos dados foi dividida em três grupos de cinco cidades cada. No primeiro grupo estão Brazlândia, Samambaia, Estrutural, Sobradinho II e Riacho Fundo II. Nestas cinco cidades foram avaliados 15,5 mil domicílios e 63 mil moradores. Os grupos seguintes são compostos por São Sebastião, Santa Maria, Paranoá, Varjão e Planaltina (segundo grupo) e Ceilândia, Itapoã, Recanto das Emas, Gama e Riacho Fundo (terceiro grupo), cujos resultados serão publicados no início e no final de julho, respectivamente.


O levantamento começou a ser feito em janeiro deste ano por cerca de 30 pessoas. Cada questionário foi respondido, em média, em 20 minutos. Foram analisados os aspectos do domicílio e das proximidades. A confiança da pesquisa é de 95%, com margem de erro de aproximadamente 5%.


Perfil dos moradores
Uma das constatações da PEDS é de que todas as cidades estudadas no primeiro grupo possuem automóveis. Riacho Fundo II lidera com 35,6% dos moradores com carro, seguida de Brazlândia com 26,7%, Sobradinho II com 20%, Samambaia com 18% e Estrutural com 14,7%. Já em relação aos bens domésticos, o fogão está presente em 91% dos domicílios, a geladeira em 90% e o ferro elétrico em 85%. O uso de celulares pré-pagos é feito por 46% dos moradores da Estrutural, 35,2 % de Sobradinho II, 30% de Samambaia, 28,7% do Riacho Fundo II e 21,9 % de Brazlândia. Enquanto os pós-pagos têm pouca representatividade, atingindo o maior percentual no Riacho Fundo II, com 5,7%.


Outra descoberta é quanto à média de moradores por domicílio. Enquanto no DF a média é de 3,7 habitantes por residência e no país é de 3,4, nestas cidades o número chega a 4,2 moradores/domicílio. Em Samambaia, 97,5% das casas são consideradas permanentes por seus moradores e apenas 2,5% são vistas como improvisadas. Em seguida vem Brazlândia com 91,4% permanentes e 7,6% improvisadas. Em Sobradinho II os índices de permanentes e improvisadas são, respectivamente, 81,9% e 17,1%, na Estrutural são 78,3% e 21,7% e no Riacho Fundo II  63,3% e 1,1%.


Ainda sobre moradia, a pesquisa verificou que a grande maioria das residências é feita de alvenaria, incluindo as paredes internas. Apenas na Estrutural este índice não chega aos 80%, pois existem construções feitas de material reaproveitado (15,4%) e madeirite (6,3%). Em Brazlândia, Samambaia e Riacho Fundo II, mais de 50% das casas têm pisos de cerâmica. Os telhados são, em geral, feitos com telhas de amianto. Na Estrutural, 93,7% das casas têm este tipo de cobertura.


O acúmulo de entulho e erosões são os problemas mais frequentes nas redondezas das cidades.  Sobradinho II (21%) e Estrutural (18,2%) são as que mais sofrem com a erosão e com o acúmulo de entulho.


Em relação à infraestrutura, quase 100% dos moradores ouvidos contam com abastecimento de água potável – sendo 99,4% em Samambaia, 98,1%em Sobradinho II e 100% em Brazlândia, Riacho Fundo II e Estrutural. O alto índice é repetido no serviço de limpeza urbana. Com 98,1% em Samambaia e 100% nas demais regiões pesquisadas. Em 92% das cidades há cobertura de iluminação pública. O pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) é feito por mais de 65% dos habitantes.


Foi constatado que os nascidos no DF são a maioria (54%) em Sobradinho II, Samambaia, Riacho Fundo II e Brazlândia. Na Estrutural, o percentual é de 45%. Daqueles que não nascerem no DF, 75% são nordestinos. Brazlândia possui 10,8% goianos, Sobradinho II tem 13,1% cariocas e na Estrutural, 14,5% são maranhenses.

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