Um crime bárbaro e praticado com requinte de crueldade foi testemunhado por dezenas de taxistas que almoçavam, ontem, no restaurante de apoio da categoria, próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília. O taxista Miguel Augusto Mariano, 58 anos, conhecido como Arruda, é suspeito de ter esfaqueado e matado o colega de profissão César Luis Cristino, 57 anos, presidente do Conselho Fiscal do Sindicato dos Permissionários de Taxis do Distrito Federal (Sinpetáxi-DF).
O autor teria atacado a vítima pelas costas enquanto ela estava sentada e conversava ao celular. Teria dado uma “gravata” no pescoço e o esfaqueado no peito duas vezes. Cristino, que era sargento reformado da PM, teria lutado com o agressor, mas não teve forças para suportar os golpes. Saiu do restaurante cambaleando e caiu no local de troca de óleo do posto de combustível. Ele estava de plantão no Sinpetáxi.
Relatos
Segundo um taxista que viu a cena e tentou socorrer Cristino, a ação foi rápida e muito triste. Ele disse que o sindicalista tinha acabado de almoçar. Arruda colocava a comida no prato. Houve uma troca de palavras ásperas entre eles. Cristino teria dito a Arruda para parar com o hábito de comer sem pagar no restaurante quando não estivesse de serviço pelo sindicato.
Insatisfeito com a cobrança, o suspeito teria entrado na cozinha sem ser percebido, pegado a faca, saído e entrado pela porta lateral atrás da vítima, que nada notou. Os colegas também foram surpreendidos . “Foi uma atitude planejada e covarde”, afirmou.
A notícia da morte se espalhou rápido e causou comoção. Centenas de colegas se aglomeravam para ver o corpo à espera da perícia, para desespero da ex-mulher e dos filhos da vítima.
Suspeito diz ter se sentido humilhado
Cinco horas depois do crime, Miguel Augusto Mariano foi preso em flagrante. Ele conversava com a filha em um posto de combustível do Colorado, quando policiais da 10ª DP (Lago Sul) o surpreenderam e deram-lhe voz de prisão. Levado para a delegacia, ele confessou o homicídio.
Em depoimento à polícia, o suspeito afirmou ter praticado o crime porque teria sido humilhado pela vítima. Cristino teria o repreendido na presença de outros taxistas.
Segundo o delegado Laércio Rossetto, a vítima não esboçou reação. O próprio suspeito e as testemunhas contaram que Cristino foi abordado pelas costas. Depois de ser imobilizado pelo pescoço, levou a primeira facada no peito, e a segunda embaixo do braço, nas costelas. Os golpes atingiram o coração. A arma não foi encontrada.
Fuga
Após o crime, Mariano fugiu por um matagal ao lado do ponto de apoio dos taxistas. Teria abandonado a camisa suja de sangue no mato, que foi encontrada pela polícia. Ele seguiu até o aeroporto, onde teria pego um táxi e deixado na 516 Sul. Mariano teria dito ao motorista que também era taxista, que tinha feito uma besteira e que depois o colega ficaria sabendo do caso.
Da W3 Sul, Arruda seguiu para o Riacho Fundo. Mais tarde, já no Colorado, foi preso. Para o delegado Laércio Rossetto, o homicídio é qualificado. Praticado por motivo fútil, torpe e sem possibilidade de defesa para a vítima. “Ele usou de meios que impossibilitaram a defesa da vítima”, afirma.