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Brasília

Cobrança por comida é motivo de assassinato no Aeroporto JK

Arquivo Geral

25/03/2013 9h10

Um crime bárbaro e praticado com requinte de crueldade foi testemunhado  por dezenas de taxistas que almoçavam,  ontem, no restaurante de apoio da categoria, próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília. O taxista Miguel Augusto Mariano, 58 anos, conhecido como Arruda, é  suspeito  de ter esfaqueado e matado o colega de profissão César Luis Cristino, 57 anos,  presidente do Conselho Fiscal do Sindicato dos Permissionários de Taxis do Distrito Federal (Sinpetáxi-DF).

 

O autor teria  atacado a vítima pelas costas enquanto  ela estava sentada e conversava ao celular. Teria dado uma “gravata” no pescoço   e o  esfaqueado no peito  duas vezes. Cristino, que era  sargento reformado da PM, teria lutado com o agressor, mas não teve forças para suportar os golpes. Saiu do restaurante cambaleando e caiu no local de troca de óleo do posto de combustível. Ele estava de plantão no Sinpetáxi.

 

Relatos

Segundo um taxista   que viu a cena e tentou socorrer  Cristino, a ação foi   rápida e muito triste.  Ele disse que o sindicalista tinha acabado de almoçar. Arruda colocava a comida no prato. Houve uma troca de palavras ásperas entre eles. Cristino teria dito a Arruda  para parar com o hábito de comer sem pagar no restaurante quando não estivesse de serviço pelo sindicato.

 

Insatisfeito com a cobrança, o suspeito teria entrado na cozinha  sem ser percebido, pegado a faca, saído e entrado pela porta lateral atrás da vítima, que nada  notou. Os colegas também foram surpreendidos . “Foi  uma atitude planejada e covarde”, afirmou.

 

A notícia da morte se espalhou rápido e causou comoção. Centenas de colegas se aglomeravam para ver o corpo à espera da perícia, para desespero da ex-mulher e   dos filhos da vítima.

 

Suspeito diz ter se sentido humilhado

Cinco horas depois do crime,  Miguel Augusto Mariano foi preso em flagrante. Ele conversava com a filha em um posto de combustível do Colorado, quando policiais da 10ª DP (Lago Sul)  o surpreenderam e deram-lhe voz de prisão. Levado para a delegacia, ele confessou o homicídio.

 

Em depoimento à polícia, o suspeito afirmou ter praticado o crime  porque teria sido humilhado pela vítima. Cristino teria o repreendido na presença de outros taxistas.

 

Segundo o delegado Laércio Rossetto, a vítima não esboçou reação. O próprio suspeito e as testemunhas contaram que Cristino foi abordado pelas costas.  Depois de ser imobilizado pelo pescoço, levou a  primeira facada no peito, e a segunda embaixo do braço, nas costelas. Os golpes atingiram o coração. A arma não foi encontrada. 

 

Fuga

Após o crime, Mariano fugiu por um matagal ao lado do ponto de apoio dos taxistas. Teria abandonado a camisa suja de sangue no mato, que foi encontrada pela polícia. Ele seguiu  até o aeroporto, onde teria pego um táxi e deixado na 516 Sul. Mariano teria dito ao motorista que também era taxista, que tinha feito uma besteira e que depois  o colega ficaria  sabendo do caso.

 

Da  W3 Sul, Arruda  seguiu para  o Riacho Fundo. Mais tarde, já no Colorado, foi preso. Para o delegado  Laércio Rossetto, o homicídio é qualificado. Praticado por motivo  fútil, torpe e sem possibilidade de defesa para a vítima. “Ele usou de meios que impossibilitaram a defesa da vítima”, afirma.

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