Francisco Dutra
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A Copa de 2014 tem tudo para dar um novo pontapé no futebol do Distrito Federal. Além da reforma do Mané Garrincha e dos demais estádios brasilienses, a competição fará com que a capital brasileira respire futebol, seja na torcida dos moradores, seja nos olhos dos empresários da bola que vão vir na cidade. Para especialistas, a projeção internacional pode ajudar os times locais a despontar no cenário nacional e também incentivar que novas equipes sejam formadas.
“Embora não sejamos uma referência nacional no futebol, essa seria uma excelente oportunidade. A cidade vai ganhar condições suficientes do ponto de vista estrutural para receber e manter grandes times. Vamos ter dois estádios de ponta, o estádio do Gama, que já tá pronto, e o Mané Garrincha. Temos exemplos de bons times que até trocaram de cidades atrás de incentivos e bons estádios”, comenta o professor de Gestão do Esporte, Paulo Henrique Azevêdo, da Universidade de Brasília (UnB).
Para o especialista, em tempos que o futebol deixou a paixão de lado pelo resultado e os lucros, uma cidade com estrutura e incentivos para a formação de grandes times de futebol faz toda a diferença. “Outro ponto a favor do DF é que não temos grandes times por perto, com exceção de Goiânia. Se você montar um grande time poderá despontar facilmente. Partindo do zero ou com um time já montado é fácil chamar a atenção no cenário nacional”, completa Paulo Henrique.
“O problema que temos pela frente é a grande incógnita em volta de tudo que está sendo feito para a Copa. Para que a iniciativa privada realmente invista nesse tipo de projeto ela precisa ter garantias. Como vão gastar fortunas se não eles não têm certeza do que está sendo feito?”, questiona o professor. Além das dúvidas em volta do planejamento das obras para 2014, o DF tem outro ponto negativo: a recente crise política. Além do escândalo, a capital brasileira teve quatro governadores em menos de seis meses.
E a incerteza política ainda pode prejudicar até o início do 2011. “Estamos com eleições pela frente. E se o próximo governador decidir mudar o que está sendo feito? Esse é o problema da falta de um bom planejamento e de um projeto de estado para a Copa. É o nome do Brasil que está em jogo. Quem fosse assumir deveria dar prosseguimento ao que está sendo feito. Temos que acabar com essa cultura de que terminar o que já estava sendo feito vai dar crédito para a gestão anterior. Precisamos de políticas de Estado e não de governos”, desabafa o professor.
Políticas
O incentivo desportivo também pode render mudanças fora do contexto comercial. “A Copa coloca o esporte em pauta. É perfeita para que políticas públicas para a formação esportiva sejam implementadas. As pessoas começam a pensar no surgimento de novos jogadores, novos talentos. É bom para despertamos sobre a questão esportiva, para que o esporte se torne efetivamente um direito de todos”, diz o professor de Educação Física, Alexandre Rezende, da UnB. A principio, o futebol será o centro das atenções até 2014. Mas há espaço para que outros esportes também despontem, uma vez que o Brasil também será sede da Olimpíada de 2016.
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