Luís Augusto Gomes
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Uma adolescente de 16 anos, forjou o próprio sequestro para extorquir R$ 8 mil da mãe. A garota planejou o crime com uma amiga de 14 anos, o ex-namorado de 23 anos, dono do local do cativeiro, um homem de 35 anos, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa que domina os presidios paulista, e outro jovem de 16 anos, responsável por receber a dinheiro do resgate. Mas o plano mirabolante, acabou com a prisão dos cinco envolvidos no esquema.
A ação começou a ser articulada segunda-feira da semana passada, quando a garota de 16 anos, saiu de casa, no Recanto das Emas, e foi para o cativeiro, na casa de G.C.P., em Santa Maria. O ex teria concordado em participar da articulação e convidou o amigo M.D.P., responsável em negociar o resgate com a mãe da vítima, uma funcionária do GDF. No dia seguinte, ao sumiço, a mulher registrou ocorrência do desaparecimento. Quarta-feira, a mãe teve o primeiro contato com os sequestradores.
Segundo o delegado Leandro Ritt, chefe da Divisão de Repressão a Sequestro (DRS), o interlocutor se identificou ao telefone como integrante do PCC. Exigiu R$ 8 mil para devolver a menina e disse que se não recebesse o valor a mataria, esquartejar e mandava os pedaços em uma caixa de papelão. Sem saber que tudo não passava de uma farsa da própria filha, o suposto sequestrador a colocou para falar com a mãe. Fingindo chorar a garota disse: “Mãe, se a senhora não der o dinheiro eles vão me matar”.
A frase deixou a mãe ainda mais preocupada. O caso foi levado ao conhecimento do GRS. Um negociador passou a orientar as negociações. Enquanto isso, a garota de 14 anos, fingindo preocupação com a amiga, acompanhava tudo ao lado da mãe e passava as informações do andamento da investigação aos cúmplices. De acordo com o Ritt, mesmo sabendo que a polícia investigava o sequestro, os autores continuam pressionando a mãe, mas resolveram libertar a garota em Santa Maria, pela pressão . Quando chegou a um posto da PM, na cidade, a garota estava suja, com rosto, braços arranhados. Ainda criou uma versão, mas depois contou a verdade e delatou os comparsas.
Na opinião do delegado, a garota correu risco de morte. O grupo poderia matá-la e ficar com o dinheiro do resgate. Só depois de conversar com a garota os policiais descobriram que tudo não passava de um sequestro forjado.