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Brasília

Cinco localidades do DF em situação alarmante

Arquivo Geral

18/01/2013 11h00

 

Fábio Magalhães

fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br



Das 37 localidades do Distrito Federal apontadas como áreas de risco pela Defesa Civil, cinco apresentam grandes problemas decorrentes das constantes chuvas dos últimos dias. Ontem, quando a chuva deu trégua e o sol se abriu,  o clima era de reconstrução, principalmente na Chácara 136  do Setor Sol Nascente, em Ceilândia, e na Fercal, onde manilhas não suportaram o grande volume de água, o que desestabilizou terrenos. Em outros pontos críticos do DF, o momento é de apreensão por parte dos moradores, que temem desmoronamentos.

No Sol Nascente, equipes trabalharam durante todo o dia preparando o terreno onde sete manilhas se desprenderam e causaram uma enorme erosão. Ali, máquinas  fazem o aterramento para a instalação da nova encanação que, mesmo em obras, continua recebendo enorme volume de águas pluviais.

Segundo o chefe de obras da Gerência de Condomínios da Administração Regional de Ceilândia, Alex Miranda, apesar do esforço, o trabalho só deverá ficar pronto em um mês. “Estamos trabalhando para resolver o problema no menor tempo possível, mas ainda há possibilidade de desmoronamentos”.

 

Postes


Devido ao risco da queda de um poste, o que afetaria toda a rede da região, a Companhia Energética de Brasília (CEB) fez modificações na estrutura e remanejou dois postes que estavam prestes a cair na erosão. Enquanto a reconstrução não termina, a situação dos moradores é de vulnerabilidade. 

A Defesa Civil fez vistorias em casas que ficam a menos de 15 metros do local da erosão e interditou dois lotes. Em um deles, moram quatro famílias que deverão se mudar ainda hoje com o auxílio de um caminhão do GDF.  

Iracilma de Lima, 47 anos, mora há três anos no local e conta que nos últimos dias já havia notado pequenos indícios de que a erosão estava crescendo.  “Eu não acredito no que está acontecendo. Um dia você está tranquila. No outro, precisa se mudar às pressas porque a casa pode cair. É uma sensação muito ruim, que chega a dar medo”, diz.

No outro extremo do DF, na Fercal, onde a passagem sob o córrego Bananal também ruiu, os trabalhos de recuperação da estrutura já começaram. Segundo o administrador regional, Alexandre Yanez, neste momento a obra será paliativa para construir apenas uma estrutura semelhante à existente. Embora precária, o administrador reconhece que esta estrutura é o único meio para não deixar os moradores isolados. Ele promete uma licitação emergencial para sanar definitivamente o problema.

“Com o laudo da Defesa Civil, dizendo que é área de risco, poderemos fazer uma licitação de emergência, que deverá estar pronta até o final da próxima semana. Agora que a Fercal se tornou cidade, temos orçamento próprio”, garante.

 
Casas perto de barrancos

 
As outras três áreas mais críticas que apresentaram problemas neste período de chuvas foram  Arniqueiras,  Vicente Pires e Vila Rabelo, em Sobradinho. Nesta última cidade, embora não tenha havido desastres, o medo e a insegurança são companheiros dos moradores.
 
Na região, em que predominam os declives acentuados, casas foram erguidas  à beira dos morros. Morador da região há cerca de 14 anos, o lavrador Valentin Gomes, 63 anos, mostra as condições em que foi construída a casa do filho. A poucos metros do precipício, ele diz que toda a família, nestes dias, procura abrigo em sua casa, a poucos metros dali.
 
“Não vou deixar os meus netos, minha nora e meu filho dormirem em um lugar como esse. Quando chove, o risco de desabar é grande e todos nós temos medo. Essa casa foi comprada há 12 anos, e desde então sempre vivemos com medo”, diz.
 
Na Vila Rabelo II,  muitos barracos já foram interditados e derrubados em outras ocasiões. O que resta, em muitos dos locais, são pedaços do que antes servia como abrigo de várias famílias.
 
Residindo ao lado de um local que foi alvo de retiradas pelo governo, a dona de casa Vilma dos Santos, 55 anos, já viu vizinhos tendo que se mudar e mas não teme morar às margens de um barranco. “Minha casa já foi  destelhada pelo vento,  rachaduras, mas não tenho medo. Já me acostumei”, admite.
 
Ainda em Sobradinho, moradores da Vila Basevi  precisam enfrentar uma rotina pesada para conseguir acesso à BR-020. Com a chuva, a principal estrada de ligação à rodovia virou um lamaçal devido às obras de pavimentação que foram paralisadas neste tempo chuvoso. A região abriga 2,5 mil pessoas.
 
 
Versão Oficial
 
O subsecretário de Operações da Defesa Civil, coronel Sérgio Bezerra, alerta a população sobre os riscos de morar em locais vulneráveis. Ele salienta que, das 37 áreas de risco, 36 são formadas por ocupação irregular, onde as casas foram construídas sem qualquer critério ou planejamento. “As pessoas ocupam de maneira rápida, sem cuidados, e agora têm de enfrentar estes problemas. Tudo isso é fruto de uma cultura e comportamento que se estabeleceu durante muitos anos”, comenta.
 
 
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