Fábio Magalhães
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Das 37 localidades do Distrito Federal apontadas como áreas de risco pela Defesa Civil, cinco apresentam grandes problemas decorrentes das constantes chuvas dos últimos dias. Ontem, quando a chuva deu trégua e o sol se abriu, o clima era de reconstrução, principalmente na Chácara 136 do Setor Sol Nascente, em Ceilândia, e na Fercal, onde manilhas não suportaram o grande volume de água, o que desestabilizou terrenos. Em outros pontos críticos do DF, o momento é de apreensão por parte dos moradores, que temem desmoronamentos.
No Sol Nascente, equipes trabalharam durante todo o dia preparando o terreno onde sete manilhas se desprenderam e causaram uma enorme erosão. Ali, máquinas fazem o aterramento para a instalação da nova encanação que, mesmo em obras, continua recebendo enorme volume de águas pluviais.
Segundo o chefe de obras da Gerência de Condomínios da Administração Regional de Ceilândia, Alex Miranda, apesar do esforço, o trabalho só deverá ficar pronto em um mês. “Estamos trabalhando para resolver o problema no menor tempo possível, mas ainda há possibilidade de desmoronamentos”.
Postes
Devido ao risco da queda de um poste, o que afetaria toda a rede da região, a Companhia Energética de Brasília (CEB) fez modificações na estrutura e remanejou dois postes que estavam prestes a cair na erosão. Enquanto a reconstrução não termina, a situação dos moradores é de vulnerabilidade.
A Defesa Civil fez vistorias em casas que ficam a menos de 15 metros do local da erosão e interditou dois lotes. Em um deles, moram quatro famílias que deverão se mudar ainda hoje com o auxílio de um caminhão do GDF.
Iracilma de Lima, 47 anos, mora há três anos no local e conta que nos últimos dias já havia notado pequenos indícios de que a erosão estava crescendo. “Eu não acredito no que está acontecendo. Um dia você está tranquila. No outro, precisa se mudar às pressas porque a casa pode cair. É uma sensação muito ruim, que chega a dar medo”, diz.
No outro extremo do DF, na Fercal, onde a passagem sob o córrego Bananal também ruiu, os trabalhos de recuperação da estrutura já começaram. Segundo o administrador regional, Alexandre Yanez, neste momento a obra será paliativa para construir apenas uma estrutura semelhante à existente. Embora precária, o administrador reconhece que esta estrutura é o único meio para não deixar os moradores isolados. Ele promete uma licitação emergencial para sanar definitivamente o problema.
“Com o laudo da Defesa Civil, dizendo que é área de risco, poderemos fazer uma licitação de emergência, que deverá estar pronta até o final da próxima semana. Agora que a Fercal se tornou cidade, temos orçamento próprio”, garante.
As outras três áreas mais críticas que apresentaram problemas neste período de chuvas foram Arniqueiras, Vicente Pires e Vila Rabelo, em Sobradinho. Nesta última cidade, embora não tenha havido desastres, o medo e a insegurança são companheiros dos moradores.