Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br
O tráfico de drogas que alimenta os usuários do Distrito Federal ganhou o Centro-Oeste e passou a ultrapassar o simples limite de fronteira entre nossas regiões administrativas e as cidades mais próximas da Região Metropolitana. Investigações da Polícia Civil apontam que a capital da República está sitiada por grandes quadrilhas que transformaram municípios cada vez mais distantes em base de operações, para estocar e enviar grandes remessas que abastecem o tráfico brasiliense. Um exemplo recente é a apreensão de 41kg de maconha em Pirenópolis (GO), na sexta. Em fevereiro, 360kg de pasta-base de cocaína foram apreendidos em Goiás Velho, e também teriam o DF como destino.
Cidades históricas e conhecidas pelos atrativos turísticos começaram a ganhar notoriedade no mundo policial por se tornarem reduto de grandes quadrilhas, que se julgam seguras e longe do alcance da Coordenação Antidrogas (CAD). Elas enviam grandes carregamentos de maconha e pasta-base para cidades como Ceilândia, Gama e Samambaia. As cidades goianas de Caldas Novas e Pirenópolis entraram na rota do chamado “tráfico de massa”, que costuma negociar grandes quantidades de drogas, sempre com número superior a cem quilos.
Estima-se que 99% de toda a pasta-base de cocaína apreendida pela CAD ao longo deste ano corresponde ao montante encontrado em Goiás Velho. “São cidades que estão começando a despontar no cenário criminoso. Os traficantes acreditam que os policiais do DF não irão tão longe para prendê-los e acabam se iludindo. Passamos a investigar e, logo depois, viajar para efetuar as prisões e apreender a droga antes que chegue ao DF”, explica o diretor da CAD, Luiz Alexandre Gratão.
Chácaras, fazendas e galpões em regiões rurais de cidades como Anápolis e Alexânia também foram escolhidos pelas quadrilhas para esconder as drogas. Integrantes do bando negociam o local para o estoque com os donos das propriedades, que recebem uma boa quantia em dinheiro para esconder os produtos. Para reduzir os riscos, a droga chega ao DF a conta-gotas, sempre em carros de passeio.