O relevo plano, o grande período de seca, uma grande área sombreada, devido às inúmeras árvores, são elementos que favorecem o Distrito Federal a abrigar muito bem as pessoas que optam em ter a bicicleta como meio de transporte principal. As mudanças nesse sentido, estão “pedalando” a olhos vistos em diversas ações coordenadas pelo Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas no Distrito Federal, composto por órgãos do GDF e sociedade civil.
O trabalho é realizado em três frentes: a infraestrutura tem como ponto principal a construção de ciclovias por todo o DF, já são cerca de 600 quilômetros, além das ciclofaixas e dos estacionamentos para as bicicletas. Na parte de serviços, ruas fechadas aos domingos e feriados para o lazer e ainda o aluguel de bicicletas, a exemplo do que já acontece em outras cidades do país. E , a principal delas, de acordo com o coordenador do Comitê, Paulo Alexandre Passos, é a da mudança cultural, realizada por campanhas educativas. Para ele, têm um grande potencial do Distrito Federal no deslocamento por bicicleta e o investimento nesse meio de transporte irá trazer benefícios a todos. “Quem ganha é a qualidade de vida da cidade”.
Na prática – O servidor público Renato Zerbinato usa a bicicleta como meio de transporte principal há cerca de 10 anos. Paulistano, começou a utilizar a bicicleta para ir ao trabalho, em um trajeto pequeno, de cerca de cinco quilômetros. Hoje, além de ir ao trabalho, do Sudoeste à Esplanada dos Ministérios, ele vai ao cinema, ao teatro, a bares com amigos e também nos passeios familiares com os dois filhos. Ele também coordena a Frente Parlamentar em Defesa das Ciclovias na Câmara Federal. “Essa coisa da bicicleta ser ágil, de você não ter uma rotina monótona, andar por um caminho mais tranquilo, tomar o rumo que quer, sem burocracia, faz toda a diferença no transporte por bicicletas”, diz Renato.
Já o estudante Fernando Guimarães está começando com essa mudança de atitude. Há um ano resolveu deixar o carro na garagem e não se arrependeu. “Eu só vejo benefícios no uso da “bike” em relação ao carro”, afirma. E, o principal conselho que ele dá é que o ciclista tem que ser fazer visível, o tempo todo.
Para Paulo Alexandre, mais importante que a infraestrutura e os serviços é mesmo a mudança cultural. “Essa gentileza entre o pedestre, o ciclista e o motorista é que vai fazer de Brasília um exemplo. Assim como temos com a faixa de pedestres, podemos mostrar para o Brasil todo, como é pacífico o trânsito entre esses três atores na cidade”, completa o coordenador.