Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br
Aproximadamente 4,9 mil atendimentos foram prejudicados com uma falha na Central Integrada de Atendimento e Despacho (Ciade) da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, no último fim de semana. Para aprimorar o sistema e inclusive evitar este tipo de problema, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) prevê um investimento de cerca de R$ 220 milhões para modernização do sistema de tecnologia, valor que deve ser aplicado no próximo ano. Será construída uma nova Ciade, além de um centro de computação. Os investimentos preveem ainda a instalação de mil câmeras de vigilância pelo DF e um sistema de rádio digital.
“Temos um projeto para Brasília de um Centro de Comando e Controle Integrado, que já se encontra em andamento. Esse novo sistema permite uma redução significativa de possíveis falhas”, afirma o subsecretário de Modernização de Tecnologia da SSP-DF, Celso Nenevê. Além disso, ele explica que serão instalados dois softwares que trabalharão simultaneamente para evitar falhas. Isto é, na ausência de um, o outro entra em funcionamento, garantindo a eficiência dos atendimentos à população.
Segundo Celso Nenevê, com a pane neste fim de semana, o sistema digital foi corrompido e os atendimentos tiveram que ser realizados utilizando o sistema analógico. Assim, os registros de ocorrência foram feitos manualmente. “Trabalhamos com a ideia de que uma peça tenha queimado, e isso pode ter gerado um curto-circuito. O que ocorreu de fato foi a queima dos cabos de fibra óptica e suítes de ligação. Os cabos são responsáveis pelo funcionamento regular do sistema digital. Sem ele, as linhas analógicas funcionam, mas as linhas digitais e a internet ficam comprometidas”, explica o subsecretário, que afirma ser improvável que a Ciade tenha sido alvo de sabotagem, mas essa hipótese também será investigada.
A central, que atende ligações recebidas pelos telefones 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros), opera com 30 linhas digitais que atendem por minuto uma média de nove ligações. O problema ocorreu às 5h30 de sábado e prosseguiu durante 24 horas. A substituição dos equipamentos ocorreu no mesmo dia, e na manhã de domingo o sistema estava operante.
A central telefônica é o primeiro passo para solucionar problemas de segurança que ocorrem em qualquer parte do DF. Por dia, é registrada uma média de 11 mil a 13 mil ligações. Porém, com a pane, o número caiu para 8,1 mil – uma redução de até 4,9 mil atendimentos. Quem tentava ligar não conseguia completar a chamada, ou ocorria um atraso no atendimento.
O subsecretário garante que não houve prejuízos para a cidade devido à falha no sistema digital. Quanto a algum sistema que possa evitar esse tipo de problema, Nenevê respondeu: “Existem equipamentos como estabilizadores, que evitam queima do aparelho ou pane, e estavam em funcionamento. As causas estão sendo investigadas”, garante.
Trotes
Um dos grandes problemas que rondam a central telefônica são os trotes. De nove ligações recebidas por minuto, apenas duas são emergenciais e as demais são trotes ou causas já informadas. Os trotes prejudicam o bom funcionamento do serviço de segurança e são considerados infração, prevista no artigo 340 do Código Penal, como crime de Comunicação falsa.